Programa - Comunicação Oral Curta - COC13.1 - Gestão, Governança e Redes de Atenção Especializada no enfrentamento às vulnerabilidades no SUS
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
SUBNOTIFICAÇÃO DE CASOS DE TUBERCULOSE EM UM DISTRITO DO RECIFE: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA ATENÇÃO BÁSICA E REFLEXÕES CRÍTICAS
Comunicação Oral Curta
1 FIOCRUZ - PE
Contextualização
A tuberculose permanece como importante problema de saúde pública, especialmente em territórios marcados por vulnerabilidades sociais. No Recife, a persistência de altas taxas da doença contrasta com fragilidades nos sistemas de vigilância, evidenciando a subnotificação como entrave relevante ao controle epidemiológico. Nesse cenário, a Atenção Básica exerce papel central na identificação de sintomáticos respiratórios, notificação dos casos, acompanhamento longitudinal e articulação com a vigilância em saúde.
A subnotificação ultrapassa a dimensão técnica e deve ser compreendida como um fenômeno social e institucional, produzido na interação entre condições de trabalho, organização dos serviços e vulnerabilidades do território, impactando a identificação, a visibilidade e o registro dos casos.
Descrição
A experiência foi desenvolvida no contexto das atividades assistenciais e de vigilância, envolvendo acompanhamento de casos suspeitos e confirmados, análise de registros e interação com equipes multiprofissionais. Foram realizadas busca ativa de sintomáticos respiratórios, cruzamento de dados entre prontuários físicos, eletrônicos e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), além de reuniões sistemáticas para discussão dos fluxos de notificação e acompanhamento. Participaram profissionais da atenção básica, residentes e gestão local, possibilitando análise ampliada dos processos de trabalho.
Período de Realização
Junho a dezembro de 2025.
Objetivo
Refletir criticamente sobre a subnotificação de casos de tuberculose em um distrito sanitário do Recife, a partir da vivência na atenção básica, à luz das Ciências Sociais e Humanas em Saúde.
Resultados
Observou-se divergência entre os dados registrados nos prontuários e aqueles inseridos nos sistemas oficiais, evidenciando lacunas na notificação. Casos acompanhados clinicamente não estavam devidamente notificados, além de inconsistências nas informações. A experiência evidencia que a subnotificação não se reduz a falhas individuais, mas resulta da articulação entre condições de trabalho, organização institucional, estigma social e fragilidades na integração entre cuidado e vigilância. Destacam-se ainda a sobrecarga das equipes, alta rotatividade profissional, baixa valorização da notificação e dificuldades operacionais nos sistemas.
A subnotificação compromete o planejamento das ações, a alocação de recursos e o monitoramento da doença. Aspectos como estigma, vulnerabilidade econômica e barreiras de acesso contribuem para a invisibilização dos casos, dificultando diagnóstico e continuidade do cuidado. Reforça-se, assim, a vigilância e o trabalho em saúde como práticas sociais, atravessadas por condições institucionais, relações de trabalho e dinâmicas territoriais.
Como estratégias, foram desenvolvidas ações de educação permanente, qualificação do uso dos sistemas, fortalecimento da busca ativa e articulação entre atenção básica e vigilância, promovendo melhoria dos registros e reorganização dos fluxos.
Aprendizado e Análise Crítica
Os aprendizados apontam a notificação como ferramenta essencial ao cuidado e à produção de informações estratégicas. Evidencia-se que a subnotificação reflete problemas estruturais do sistema e das condições de trabalho, exigindo intervenções que articulem gestão, formação e práticas assistenciais. Conclui-se que enfrentar a subnotificação exige reconhecê-la como fenômeno social e institucional, demandando integração entre cuidado, vigilância e determinantes sociais da saúde, por meio de estratégias territoriais, intersetoriais e participativas.
IMPLANTAÇÃO DE COMITÊ REGIONAL DE DISCUSSÃO DE ÓBITOS POR HIV/AIDS EM PERNAMBUCO: ESTRATÉGIA PARA QUALIFICAÇÃO DA VIGILÂNCIA E DO CUIDADO
Comunicação Oral Curta
1 SECRETARIA DE SAUDE DE PERNAMBUCO
Contextualização
A mortalidade por HIV/AIDS permanece como importante marcador de iniquidades em saúde e de fragilidades na organização da linha de cuidado, mesmo em um contexto de acesso universal à terapia antirretroviral no Sistema Único de Saúde (SUS). A persistência de óbitos evitáveis evidencia desafios relacionados ao diagnóstico oportuno, à continuidade do cuidado e à coordenação entre os pontos da rede de atenção. Nesse cenário, a vigilância do óbito, orientada por análises sistemáticas e interdisciplinares, configura-se como dispositivo estratégico para produção de informações qualificadas, identificação de falhas assistenciais e indução de mudanças nos processos de trabalho em saúde.
Descrição
Trata-se de relato de experiência sobre a implantação do primeiro Comitê de Discussão de Óbitos por HIV/AIDS do estado de Pernambuco localizado na XII Gerência Regional de Saúde de Pernambuco (XII GERES). Instituído em 2025, o Comitê apresenta caráter intersetorial e multiprofissional, envolvendo vigilância epidemiológica, atenção primária à saúde, serviços especializados em HIV/AIDS, rede hospitalar e gestão regional. Sua atuação baseia-se na análise sistemática dos óbitos a partir de dados dos sistemas de informação em saúde e revisão de prontuários, considerando dimensões clínicas, programáticas e sociais. As discussões ocorrem em reuniões mensais periódicas, com construção coletiva de análises críticas e elaboração de recomendações técnicas direcionadas aos municípios, visando qualificar a rede de cuidado e fortalecer a responsabilização sanitária.
Período de Realização
Foram analisados óbitos ocorridos entre 2020 e 2025, sendo o Comitê implantado no último ano da série histórica.
Objetivo
Relatar a implantação do Comitê regional e analisar os principais determinantes associados aos óbitos por HIV/AIDS, com foco na identificação de fatores evitáveis e no aprimoramento das ações de vigilância e cuidado.
Resultados
Evidenciou-se distribuição heterogênea dos óbitos na região, com concentração em municípios específicos, destacando-se Goiana (2024: 5 óbitos; 4,1/100 mil habitantes), além de Condado, Timbaúba e Macaparana, que também apresentaram coeficientes relevantes. A análise dos casos revelou recorrência de diagnóstico tardio, interrupção ou baixa adesão à terapia antirretroviral, fragilidades na vinculação e retenção dos usuários na rede de atenção, além de barreiras socioeconômicas que impactam o acesso e a continuidade do cuidado. Identificaram-se ainda inconsistências e incompletudes nos registros clínicos e nos sistemas de informação, limitando a capacidade analítica da vigilância. A atuação do Comitê possibilitou maior integração entre os níveis de atenção, padronização de fluxos assistenciais, qualificação dos registros, fortalecimento da busca ativa e maior articulação entre vigilância e assistência.
Aprendizado e Análise Crítica
A implantação do Comitê evidenciou o potencial da vigilância do óbito como ferramenta indutora de transformação nos processos de trabalho, ao promover espaços de análise compartilhada e aprendizado institucional. Destaca-se o fortalecimento da governança regional e da corresponsabilização entre gestores e equipes, favorecendo a tomada de decisão baseada em evidências. Como desafios, permanecem a necessidade de qualificação contínua dos profissionais, o aprimoramento da qualidade da informação e o enfrentamento das desigualdades sociais que atravessam o cuidado em HIV/AIDS. A experiência demonstra alta potencialidade de replicabilidade em outros territórios e contribui para o avanço de práticas de gestão comprometidas com a integralidade, a equidade e a redução de mortes evitáveis no SUS.
APLICAÇÃO DO PLANO REGIONAL DO APOIO PARA A QUALIFICAÇÃO DAS AÇÕES DOS APOIADORES DO COSEMS- AMAZONAS
Comunicação Oral Curta
1 COSEMS Amazonas
Contextualização
O Planejamento Regional compreende as especificidades de cada região que precisam ser atendidas, considerado dentro desse processo organizacional da gestão do SUS. O processo de planejamento no Sistema Único de Saúde – SUS configura-se como um importante mecanismo que contribui fortemente para a consolidação do sistema e a Rede Conasems-Cosems, através do Projeto Estratégia Apoiador realiza ação de apoio a gestão. O Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas - COSEMS AM vem contribuindo no processo de planejamento e monitoramento da saúde, na qualificação da gestão municipal do SUS por meio de ferramentas tecnológicas e apoio técnico. A plataforma Painéis Conasems centraliza dados, facilitando a tomada de decisão, monitoramento contínuo de metas e otimização de recursos locais e regionais.
O Plano Regional do Apoio do COSEMS Amazonas surgiu da necessidade de incluir as atividades dos Apoiadores de cada região de saúde no planejamento anual da instituição, voltadas a realidade do território e a necessidade de cada um gestor do SUS. O Apoio a gestão construído de trabalhado de diferentes modos, tanto no campo da formulação como nas experimentações desenvolvidas em diferentes espaços do SUS.
Justifica-se que o plano regional do apoio seja implementado para saber o que queremos, quanto pretendemos mudar e como faremos para monitorar e avaliar o resultado das nossas ações, propondo que a Programação anual do COSEMS Am precisa conversar com o Plano Regional do Apoio. A iniciativa de realizar o monitoramento dessas ações e analisar as metas alcançadas considera-se de extrema importância para o acompanhamento da Diretoria do COSEMS e avançar em todas as iniciativas no âmbito da saúde.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência, seguindo as etapas: primeira etapa foi realizado encontros de formação para os Apoiadores com a contribuição da Coordenadora, Assessores, Técnicos do CONASEMS e Beneficente Portuguesa; segunda etapa, foi desenvolvido coletivamente um instrumento de diagnóstico situacional e uma ferramenta de monitoramento e Avaliação; terceira etapa, foi realizado um encontro com roda de conversa para apresentação do monitoramento e avaliação dos indicadores e metas, bem como a realização da autoavaliação de desempenho. Os resultados foram apresentados para a Diretoria do COSEMS, enfatizando os desafios e avanços das ações do Apoio.
Período de Realização
Janeiro a Dezembro de 2025.
Objetivo
Aplicar o Plano Regional do Apoio para qualificar e fortalecer a gestão municipal, monitorando as ações desenvolvidas pelos Apoiadores e contribuindo na Programação anual do COSEMS-Amazonas.
Resultados
Aplicou-se o Plano Regional do Apoio em consonância com a Programação anual do COSEMS AM, alcancando 98% de metas concluídas. Os Apoiadores tiveram abertura para colocar sua realidade de território que é desafiador, mas conseguiram 100% de visita in loco para conhecer os municípios e apoiar de perto gestores. O diagnóstico situacional serviu para realizar análise, utilizando e a ferramenta de monitoramento e avaliação, permitindo aprofundar na prática em diversos cenários. Os Encontros alinhando a prática da Região Norte também foi de suma importância para aplicação de ferramentas de planejamento. A análise da autoavaliação de desempenho: total de 80% desempenho excelente, 10% desempenho bom e 10% desempenho regular. Os resultados alcançados pela primeira vez foram apresentados para a Diretoria do COSEMS a cada quadrimestre. Inclusão de mais 25 metas e indicadores possibilitaram a correção dos problemas identificados e a verificação de estratégias para viabilizar a execução, organização de ações efetivas e direcionadas para cada realidade Locorregional.
Aprendizado e Análise Crítica
O Planejamento Regional compreende as especificidades de cada região que precisam ser atendidas, considerado o processo organizacional da gestão do SUS. O processo de planejamento e monitoramento configura-se como um importante mecanismo da Rede Conasems-Cosems que fortalece o apoio a gestão. O Plano Regional do Apoio surgiu da necessidade de incluir na programação anual do COSEMS Amazonas todas as atividades dos Apoiadores das regiões de saúde, incentivando o acompanhamento por parte da Diretoria e os avanços ocorridos no território. As contribuições dos planos regionais alcançaram as metas e avançaram na qualificação da gestão municipal, por meio de ferramentas que ajudam na tomada de decisão e monitoramento contínuo. Portanto, o processo de planejamento promove o fortalecimento da governança mais eficiente, transparente e alinhada às diretrizes do SUS.
A OMISSÃO ESTADUAL E O HIATO ASSISTENCIAL NA GARANTIA DO CUIDADO INTEGRAL ÀS POPULAÇÕES DE UM MUNICÍPIO DA REGIÃO METROPOLITANA DE MANAUS
Comunicação Oral Curta
1 UEA
Contextualização
O deslocamento da realidade urbana presente na sede municipal da capital do estado a um de seus municípios vizinhos, permitiu um profundo mergulho nas diferenças presentes, mesmo em um contexto próximo. As diferenças aqui entendidas não remetem, em sua totalidade, ao juízo de valor correspondente às questões econômicas entre as localidades, muito menos às comparações entre infraestruturas, mas sim no que condiz aos modos de acesso aos serviços, os movimentos produzidos em seus territórios e os modos como os processos de cuidado ocorrem.
Descrição
Especificamente, esta experiência remete a um dos principais momentos de reafirmação do controle social dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), a reunião do conselho municipal de saúde. Definida pela lei n° 8.142/1990, o conselho municipal de saúde possui caráter deliberativo, composto por representantes do governo, prestadores de serviços, profissionais da saúde e usuários. Suas principais ações baseiam-se no controle e execução das políticas de saúde, estendendo-se aos aspectos econômicos/financeiros dentro das instâncias às quais pertencem.
Período de Realização
Esta vivência se deu no período de junho de 2025 Ao decorrer de uma das etapas finais do processo formativo na área da saúde de uma universidade pública do estado do Amazonas que possui como princípios fundamentais o desenvolvimento do conhecimento científico sobre e para o contexto Amazônico.
Objetivo
O objetivo desta produção traduz-se no relato das principais tensões provocadas a partir da discussão da assistência farmacêutica na reunião do conselho municipal de saúde e seus desafios.
Resultados
Durante as discussões duas pautas foram priorizadas, uma que diz respeito ao Plano Nacional de Assistência Farmacêutica, onde foram expostos aos usuários, conselheiros, profissionais e estudantes quais as premissas que envolviam a garantia do acesso aos medicamentos, a qualificação da gestão frente ao processo de aquisição destes insumos e todo o envolvimento logístico desde a aquisição, armazenamento e a distribuição. O município conta com uma lista de 242 medicamentos que podem ser solicitados e disponibilizados à população mediante necessidade. Neste âmbito, um dos principais pontos de tensão correspondeu aos demonstrativos que indicam a ausência do ente estadual nos subsídios para aquisição de medicamentos. Juntos, município e federação arcam mensalmente com valores que passam de 16 mil reais e reforçam que a participação estadual acarretaria valores que superariam as cifras de 20 mil reais, mas os gastos reais totais bancados pelo ente municipal superam 200 mil reais e somente assim as necessidades populacionais são, de fato, atendidas. Outro ponto de tensionamento refere-se ao hiato entre a aquisição da medicação e seu abastecimento à rede municipal, que depende do translado realizado por empresas terceirizadas que, em muitos momentos, não realizam conforme o pactuado. O que gerou inquietações entre os conselheiros e usuários presentes, questionando as posições adotadas pela gestão municipal frente às práticas deliberadas tomadas pela empresa fornecedora.
Aprendizado e Análise Crítica
O cenário Amazônico é marcado por peculiaridades nos modos de acesso aos serviços, pelas influências sazonais que regem estes processos e nos modos de produção do cuidado. Em um contexto marcado por dinamismos a Amazônia torna-se plural. Suas populações ocupam as beiras dos rios, dos igarapés, dos ramais, a terra firme, a várzea, as cidades. A adscrição também apresenta-se fluida em um território que não traduz-se apenas em ótica geográfica bruta, mas que permeia as relações entre pessoas e seus locais de pertencimento. E é na continuidade do pensamento de Milton Santos que a tensão central deste relato se concentra, onde o fator econômico torna-se determinante para que se tenha a continuidade do cuidado no âmbito da assistência farmacêutica. Para Santos (2002), os recursos só apresentam significação a partir de sua qualificação geográfica, isto é, a partir dos significados que as populações dão a ele. Sem este lugar de significação e valor, os recursos tornam-se meras abstrações. A ausência do ente estadual na disponibilização de recursos para aquisição de medicamentos aponta grande fragilidade na garantia do cuidado integral à saúde das populações do município, inferindo diretamente na qualidade de vida dos munícipes. Por outro lado, as disparidades entre os baixos valores de aquisição dos medicamentos frente aos altos custos para efetivar sua distribuição foram apontados como um dos principais entraves que produzem faltas na assistência. A partir disto gera-se um cenário dicotômico entre a significação dos recursos vide município e federação, no formato capital e material (medicamento), como significado de manutenção do cuidado para com a população, agindo conforme as necessidades apresentadas em seus contextos. E a significação dos recursos como mais valia pela empresa fornecedora dos medicamentos, que baliza a distribuição, ou não, a depender dos custos, visando suas próprias vantagens.
MAIS MÉDICOS ESPECIALISTAS E A QUALIFICAÇÃO DO ACESSO À ATENÇÃO ESPECIALIZADA NO SUS
Comunicação Oral Curta
1 Ministério da Saúde
2 Fiocruz
Contextualização
A atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS) permanece como um desafio para a efetivação da integralidade do cuidado, diante das desigualdades na distribuição de profissionais, concentração de serviços e longos tempos de espera para consultas, exames e procedimentos. Esse cenário evidencia a fragmentação entre os níveis de atenção e limita a resolutividade da rede. Nesse contexto, o Programa Mais Médicos Especialistas surge como estratégia para ampliar o acesso, reduzir iniquidades e induzir mudanças na organização dos processos assistenciais, articulando provimento, formação e gestão do cuidado no SUS.
Descrição
A experiência refere-se à implementação e acompanhamento do Programa no âmbito federal, com foco na articulação interfederativa e no apoio à organização da atenção especializada nos territórios. As ações envolveram o provimento de médicos especialistas em regiões prioritárias, considerando vazios assistenciais e necessidades de saúde, o estímulo à organização de linhas de cuidado e a qualificação da regulação do acesso. Incluíram ainda o uso de dados para definição de prioridades e monitoramento, bem como a promoção de espaços de diálogo com gestores e equipes técnicas. Destacam-se iniciativas de integração ensino-serviço, com formação em serviço, supervisão e educação permanente, contribuindo para a qualificação dos processos de trabalho.
Período de Realização
2024 a 2025.
Objetivo
Analisar como a implementação do Projeto Mais Médicos Especialistas contribui para a ampliação do acesso à atenção especializada, a redução das desigualdades regionais e a reorganização dos processos de trabalho no SUS.
Resultados
Observou-se ampliação do acesso à atenção especializada em territórios prioritários, com potencial redução de vazios assistenciais e fortalecimento da articulação entre os níveis de atenção. Destaca-se o uso da informação para subsidiar a tomada de decisão e a indução à organização de fluxos assistenciais mais integrados. Houve fortalecimento do debate sobre responsabilidades compartilhadas entre os entes federativos e maior integração entre formação e prática, com impactos na qualificação da atenção e na capacidade de resposta dos serviços. Verificou-se ainda redução de gastos municipais, especialmente com deslocamento de usuários e realização de exames fora do território. Destaca-se a implementação das Ofertas de Cuidado Integrado (OCI) como estratégia de integração entre Atenção Primária e Atenção Especializada, contribuindo para a coordenação do cuidado e maior resolutividade das redes.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidencia que a ampliação do acesso à atenção especializada no SUS não se restringe ao provimento de profissionais, exigindo reorganização dos processos de trabalho, fortalecimento da gestão do cuidado e integração entre os níveis de atenção. O Projeto apresenta potencial indutor ao articular formação, serviço e gestão, promovendo maior integração entre atenção primária e especializada. Entretanto, sua efetividade depende da consolidação de estratégias interfederativas, da qualificação da regulação do acesso e da institucionalização da educação permanente, de modo a sustentar mudanças nos territórios, enfrentar iniquidades e garantir a integralidade do cuidado no SUS.
CARRETAS DA MULHER PERNAMBUCANA COMO ESTRATÉGIA ITINERANTE DE AMPLIAÇÃO DO ACESSO E ENFRENTAMENTO DAS INIQUIDADES NO SUS
Comunicação Oral Curta
1 ICEPES
Contextualização
A ampliação do acesso a serviços especializados no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em territórios com vazios assistenciais, permanece como um desafio estruturante para a consolidação da equidade, refletindo a insuficiência histórica da oferta desses serviços. No campo da saúde da mulher, barreiras geográficas, socioeconômicas, organizacionais e relacionadas aos determinantes sociais da saúde impactam diretamente o acesso ao rastreamento e ao diagnóstico precoce de agravos, como o câncer de mama e do colo do útero. Nesse contexto, estratégias itinerantes emergem como dispositivos potentes de reorganização do cuidado, articulando tecnologia, mobilidade e integração com a Rede de Atenção à Saúde.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo-analítico, que aborda o processo de implantação das Carretas da Mulher Pernambucana no estado de Pernambuco, no contexto do enfrentamento das iniquidades no acesso à saúde da mulher. A iniciativa compreende quatro Unidades Móveis de Saúde com atuação itinerante em territórios urbanos, rurais e de difícil acesso, definidos estrategicamente a partir de planejamento orientado por demandas reprimidas e critérios de vulnerabilidade social, configurando-se como estratégia de reorganização do acesso e da territorialização do cuidado em contextos de desigualdade territorial.
O projeto está sob gestão de uma Organização Social de Saúde, responsável pela operacionalização das unidades, gestão de recursos humanos e logística, constituindo um arranjo que possibilita maior flexibilidade e capacidade de resposta frente às complexidades do território.
A oferta assistencial inclui consultas especializadas, exames diagnósticos e procedimentos, articulando-se com a rede de atenção por meio da regulação estadual e de estratégias de continuidade do cuidado.
Período de Realização
O projeto foi implantado em dezembro de 2024, com início da produção assistencial em maio de 2025, mantendo-se em funcionamento contínuo até o momento atual.
Objetivo
Descrever a implementação e o funcionamento das Carretas da Mulher Pernambucana, considerando sua contribuição para a ampliação do acesso, organização do cuidado e enfrentamento das iniquidades no SUS.
Resultados
No período de maio de 2025 a março de 2026, foram realizados 87.015 atendimentos em mais de 144 municípios, evidenciando a magnitude da demanda reprimida. Destacam-se 46.823 mamografias, 17.702 consultas ginecológicas, 17.166 ultrassonografias mamárias, 1.513 colposcopias e 1.313 biópsias, contribuindo para a redução de filas e ampliação do acesso.
As Carretas, enquanto dispositivos móveis de atenção à saúde, ampliam o acesso à atenção especializada em contextos de desigualdade e iniquidades territoriais, promovendo aproximação entre serviços e usuárias e reduzindo barreiras historicamente associadas ao cuidado em saúde da mulher. Observa-se, ainda, a indução de fluxos assistenciais antes inacessíveis ou descontinuados. A articulação com a rede de atenção fortalece a coordenação e a produção do cuidado, amplia a resolutividade e favorece a integração entre níveis assistenciais. O projeto configura-se, assim, como estratégia de reordenamento do acesso e qualificação do cuidado, ampliando a capacidade do SUS de responder às necessidades de populações historicamente subatendidas.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidencia que estratégias itinerantes, quando orientadas por critérios de vulnerabilidade e articuladas à rede de atenção, podem atuar como indutoras de equidade no acesso. Para além da ampliação da oferta, destaca-se a necessidade de modelos organizacionais sensíveis às especificidades territoriais e às iniquidades em saúde. Reforça-se o cuidado centrado nas usuárias, com ênfase no acolhimento, escuta qualificada e construção de vínculos, como elemento fundamental para a efetividade das ações.
A implantação das Carretas em um estado de grande extensão territorial implica desafios operacionais, especialmente no que se refere à logística de deslocamento contínuo de estruturas e equipes. Esse cenário demanda planejamento estratégico capaz de assegurar continuidade, eficiência e cobertura adequada. O engajamento das equipes, a qualificação técnica e o apoio institucional dos municípios atuam como facilitadores, assim como o papel estratégico da Organização Social de Saúde na condução do projeto.
A experiência aponta que a integração de saberes e a adaptabilidade às realidades locais são centrais para o êxito da iniciativa. Entretanto, a estratégia de unidades móveis na ampliação do acesso evidencia fragilidades na oferta estruturada de serviços especializados no SUS, indicando a necessidade de fortalecimento da rede fixa. Nesse sentido, o modelo evidencia tensões entre estratégias de ampliação do acesso e a consolidação de uma rede territorializada e contínua de cuidado. O projeto demonstra potencial no enfrentamento das iniquidades, mas sua efetividade depende do aprimoramento da integração em rede e do planejamento territorial, evitando a fragmentação do cuidado.
GESTÃO DO CUIDADO EM TERRITÓRIOS RURAIS AMAZÔNICOS: DESAFIOS PARA A INTEGRALIDADE NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 UEA
Contextualização
Nos territórios rurais amazônicos, a organização das ações de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta desafios complexos, determinados por fatores socioambientais, econômicos e geográficos. As limitações estruturais dos serviços, associadas às condições de vida das populações, impactam diretamente o processo saúde-doença, comprometendo o acesso, o acompanhamento e a continuidade do cuidado.
A integralidade do SUS, princípio que busca assegurar atenção completa e contínua, é tensionada nesse contexto. Barreiras como distância, tempo de deslocamento, transporte precário e custos elevados dificultam não apenas o acesso, mas também o seguimento regular dos usuários, evidenciando lacunas na efetivação do cuidado.
A ausência de políticas públicas adequadas para enfrentar essas barreiras reforça desigualdades na atenção à saúde, invisibilizando populações vulneráveis e evidencia o descompasso entre diretrizes nacionais e a realidade local. Assim, a integralidade do cuidado permanece um desafio central, exigindo estratégias que articulem as especificidades territoriais e promovam equidade no acesso e na qualidade dos serviços de saúde.
Descrição
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência crítico-reflexivo, baseado na sistematização de vivências acadêmicas desenvolvidas no Estágio Rural Supervisionado em Saúde Coletiva (ERSC) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Realizadas com equipe multiprofissional, no âmbito da atenção primária à saúde em territórios rurais. A análise foi construída a partir de experiências em atendimentos e visitas domiciliares, realizadas com acompanhamento de Agentes Comunitários de Saúde (ACS).
Período de Realização
O estágio teve início em 19 de março de 2025, com duração de 45 dias e carga horária de 35 horas semanais, distribuídas entre atividades na cidade polo e em comunidades rurais do Baixo Amazonas.
Objetivo
Analisar criticamente, a partir de vivências em estágio rural, a gestão do cuidado no SUS em territórios rurais amazônicos.
Resultados
As vivências no estágio rural evidenciaram descontinuidades na organização do cuidado, especialmente no que se refere ao acompanhamento de usuários em áreas mais afastadas. Foram identificadas situações em que demandas de saúde relevantes não eram previamente conhecidas pelas equipes, além de fragilidades no seguimento de casos que exigiam monitoramento contínuo, indicando limitações na vigilância e no cuidado longitudinal no âmbito da atenção primária.
Observou-se, ainda, que a dinâmica de funcionamento dos serviços nem sempre favorece a integração das informações e a coordenação das ações em saúde, o que compromete a continuidade da atenção e fragiliza a integralidade do cuidado. A predominância de registros físicos e a dificuldade de circulação das informações entre os pontos de atenção configuram entraves adicionais para a consolidação de um cuidado articulado.
Verificou-se também que a organização do processo de trabalho das equipes, aliada às especificidades do território, pode restringir a realização de ações sistemáticas de acompanhamento, especialmente em áreas de difícil acesso, impactando o vínculo entre profissionais e usuários e a capacidade de resposta às necessidades locais. Essas situações tornam-se mais evidentes entre usuários em maior vulnerabilidade, que tendem a permanecer à margem do acompanhamento contínuo.
As especificidades do território, especialmente relacionadas ao deslocamento fluvial, mostraram-se determinantes na produção do cuidado, extrapolando a dimensão assistencial. As variações sazonais dos rios constituem um fator que interfere e altera os percursos em períodos de cheia, as vegetações flutuantes impactam o tempo de deslocamento das equipes e dos usuários, tensionando a forma como o cuidado é organizado, acessado e sustentado nos territórios rurais amazônicos.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência possibilitou compreender que fatores estruturais e institucionais nem sempre dialogam com as especificidades dos territórios rurais amazônicos, comprometendo a efetividade das ações de promoção do cuidado e a construção de estratégias capazes de alcançar de forma equitativa populações em maior situação de vulnerabilidade. A gestão do cuidado, enquanto dimensão central da organização dos serviços, revela-se tensionada por fragilidades na estrutura da Estratégia Saúde da Família (ESF), sobretudo pela insuficiência de profissionais. Essas fragilidades, articuladas à complexidade multifatorial do território, condicionam a organização das práticas e influenciam diretamente a efetividade das ações de promoção da saúde. As vivências analisadas evidenciam que a consolidação de práticas contínuas, equitativas e resolutivas no SUS depende de um maior alinhamento entre as equipes, aliado à incorporação de um olhar sensível às realidades locais. Essa perspectiva é fundamental para a formulação de ações e políticas públicas mais aderentes às necessidades da população, contribuindo para a ampliação do acesso qualificado e para a redução das desigualdades em saúde.
PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO DA OBTENÇÃO DE SELO PRATA DE BOAS PRÁTICAS RUMO À ELIMINAÇÃO DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV NO RIO GRANDE DO SUL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Comunicação Oral Curta
1 SES/RS
Contextualização
A transmissão vertical (TV) do HIV permanece como um relevante problema de saúde pública, exigindo a organização integrada dos serviços de saúde, a qualificação da atenção materno infantil e o fortalecimento dos sistemas de vigilância. O Brasil assumiu compromissos nacionais e internacionais voltados à eliminação da TV do HIV, cabendo aos estados papel central na implementação dessas estratégias.
Descrição
Nesse contexto, o Rio Grande do Sul (RS) estruturou um conjunto de ações estaduais para a eliminação da TV do HIV, considerando que o estado apresenta elevadas taxas de detecção de HIV e aids na população geral e, consequentemente, um número expressivo de gestantes vivendo com HIV. Entre 2014 e 2024, observou-se uma redução de 80,0% no número de casos de aids em crianças menores de 5 anos, correspondendo a 40 casos a menos no período. No mesmo intervalo, a taxa de detecção diminuiu 78,1%, passando de 7,3 para 1,6 casos por 100 mil crianças menores de 5 anos. Trata-se de um relato de experiência, baseado na análise documental, sistematização de dados epidemiológicos e assistenciais, revisão de normativas, protocolos e fluxos de cuidado, além da articulação entre áreas técnicas, coordenações regionais e serviços de saúde. O processo compreendeu informações referentes aos anos recentes, com consolidação do relatório em 2025.
Período de Realização
O período de desenvolvimento do trabalho concentrou-se na coleta, análise e validação de informações referentes aos anos recentes, com culminância em 2025, quando o estado se preparou para submeter-se ao processo de validação. Ao longo desse percurso, foram revisados fluxos de cuidado, protocolos clínicos, estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV em gestantes e crianças expostas, bem como ações voltadas à redução de vulnerabilidades sociais e à ampliação do acesso aos serviços de saúde.
Objetivo
Relatar a experiência do Estado do Rio Grande do Sul no processo de elaboração do Relatório de Validação para a Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical do HIV, destacando a organização da rede de atenção à saúde, os resultados alcançados e os principais aprendizados.
Resultados
A experiência evidenciou avanços na organização da rede de atenção, com elevada cobertura da Atenção Primária à Saúde, ampliação do acesso ao pré-natal, fortalecimento do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno de gestantes vivendo com HIV, disponibilidade de profilaxia nas maternidades e qualificação do seguimento das crianças expostas. Observou-se aprimoramento dos sistemas de vigilância e monitoramento, bem como maior integração entre os diferentes níveis de atenção e entre vigilância e assistência. Como resultado de todo este trabalho, o RS foi premiado no final do ano de 2025 com o selo prata de boas práticas rumo à eliminação da TV do HIV.
Aprendizado e Análise Crítica
O processo de validação para a eliminação da transmissão vertical do HIV no Rio Grande do Sul demonstrou que a consolidação de resultados depende de planejamento contínuo, trabalho em rede, educação permanente das equipes e enfrentamento das desigualdades regionais e sociais. Apesar dos avanços, a experiência reforça que a eliminação da transmissão vertical é um processo permanente, que exige sustentabilidade das ações e monitoramento contínuo no âmbito do Sistema Único de Saúde.
REFLEXÕES SOBRE A GESTÃO DO CUIDADO EM CENÁRIO AMAZÔNICO DIANTE DOS IMPACTOS CLIMÁTICOS
Comunicação Oral Curta
1 FIOCRUZ- Amazônia
2 Einstein Hospital Israelita
3 UFAM
Contextualização
A gestão do cuidado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) envolve a articulação de práticas, saberes e tecnologias voltadas à integralidade da atenção, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidades socioambientais. Nos territórios amazônicos, as dinâmicas impostas pelas mudanças climáticas, como períodos de cheia e seca intensos, impõem desafios adicionais à organização dos serviços de saúde e ao acesso das populações. Esta experiência se dedica a compartilhar uma das etapas do projeto.
Descrição
trata-se de um estudo descritivo, qualitativo, tipo relato de experiência de pesquisa de campo. A pesquisa tratou de diferentes etapas, iniciando-se pelo treinamento e alinhamento da equipe, em termos de conceitos, objetivos, métodos, instrumento de pesquisa e atribuições dos pesquisadores de campo. Após essa etapa deu-se o início da fase de coleta de dados, a qual ocorreu em três momentos. A primeira ocorreu no mês de agosto de 2025, no estado de Tocantins, incluindo dois municípios da região de saúde participante, sendo o município sede e um segundo município de menor porte. Cabe ressaltar que o estado de Tocantins pertence à Amazônia legal e está alinhado com a estratégia Planificação da Atenção à Saúde (PAS). A fim de capturar elementos particulares, percepções e significados sobre os processos de gestão, cuidado, desafios impostos pelas mudanças climáticas e contribuições da estratégia de Planificação da Atenção à Saúde para integralidade do cuidado e articulação entre Atenção Primária à Saúde (APS) e a Atenção Ambulatorial Especializada (AAE), realizou-se entrevista semiestruturada e/ou grupo focal, previamente agendadas com gestores estaduais e municipais, informantes-chave do COSEMS, da planificação, da Comissão Intergestores Regionais (CIR) e do Conselho Municipal, além de profissionais da APS e usuários. As entrevistas foram gravadas e todos os participantes da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A segunda e terceira etapa, foram conduzidas pela metodologia de Photovoice, que consiste em técnica de pesquisa qualitativa participativa que treina os indivíduos e/ou comunidades a registrar, refletir e comunicar as próprias realidades e experiências através da fotografia e narrativas. Para essas etapas os profissionais de uma Unidade Básica de Saúde Rural, foram treinados para utilização de câmera fotográfica e coleta de imagens, utilizando o seguinte prompt “o cotidiano da APS durante os períodos de seca e cheia”. Os profissionais foram orientados a registrar entre 5 a 10 fotos e realizar o descritivo do momento vivenciado.
Período de Realização
A coleta de dados destas etapas ocorreu respectivamente nos meses de novembro de 2025 e março de 2026, por meio de grupo focal e estímulo visual de imagens produzidas no período da seca e da cheia.
Objetivo
Apresentar e refletir sobre a experiência de pesquisa de campo em territórios líquidos amazônicos, analisando a gestão do cuidado, considerando os impactos das mudanças climáticas.
Resultados
A experiência foi significativa, pois proporcionou um novo olhar para o território amazônico, dado que a pesquisa favoreceu abertura para o conhecimento que impulsiona mudanças. A imersão no território, mas especificamente no estado de Tocantins, revelou inúmeros desafios relacionados ao acesso e a integralidade do cuidado, assim como, evidenciou potencialidades na construção de soluções para gerir o cuidado frente às especificidades loco-regionais e às necessidades de adaptações contínuas frente as transformações que ocorrem no território, tanto da população como dos serviços de saúde. Agora, mais do que nunca, isso se intensifica diante das mudanças climáticas que impactam o acesso ao cuidado. Percebe-se que a gestão do cuidado não pode se manter neutra, é preciso estar atenta às diferenças territoriais, culturais, sociais e econômicas. Nesse sentido, entende-se que é necessário a flexibilidade organizacional, planejamento contínuo, reorganização de agendas e a criação de mecanismos de articulação de forma intersetorial, a fim de ajustar recursos e incorporar estratégias, a exemplo da Planificação da Atenção à saúde, especialmente nesses períodos de estiagem intensa e de chuvas prolongadas, visando garantia do acesso adequado e humanizado aos usuários do sistema de saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
Por fim, a experiência e percepções compartilhadas nessa etapa da pesquisa possibilitaram compreender que para que se processem mudanças é necessário conhecer em maior profundidade o território, as suas potencialidades, fragilidades, condicionantes e desafios. Embora seja um fenômeno global, as mudanças climáticas constituem um crescente campo de pesquisa e de atenção à saúde, pois além de afetar a saúde pública, contribuem para a sobrecarga dos serviços de saúde. Logo, é imperativo fortalecer a resiliência dos serviços e sistemas de saúde, por meio da definição de estratégias, intervenções e investimentos voltados à adaptação climática e as diferenças territoriais.
A CONSTRUÇÃO DE UM GUIA ORIENTADOR E A INTEGRALIDADE DO CUIDADO MATERNO INFANTIL NO TERRITÓRIO AMAZÔNICO
Comunicação Oral Curta
1 ILMD - Fiocruz Amazônia
Contextualização
O cuidado voltado para o binômio mãe e bebê é um ponto importante e essencial para a qualidade da assistência prestada nos diversos territórios. Na região de saúde do Baixo Amazonas e mais especificamente em Parintins, não é diferente. A região enfrenta desafios únicos devido as suas peculiaridades, sejam elas barreiras geográficas, culturais e de acesso aos serviços de saúde. A organização, os fluxos dos serviços de saúde, bem como acesso a rede, são cruciais para garantir a integralidade do cuidado, especialmente em regiões remotas.
Descrição
Trata-se de uma pesquisa-intervenção com enfoque na produção social, envolvendo atores locais, refletindo a realidade e sugerindo melhor integração nos fluxos do SUS. Essa abordagem permitiu não apenas a coleta de dados, mas também construção coletiva para melhoria e a transformação das práticas de cuidado. Colaboraram e participaram a) Secretaria Municipal de Parintins (Coordenação da Atenção Básica, Coordenação das Ações de Saúde da Zona Rural; Gerência da Saúde da Mulher e da Criança); b) SESAI através do DSEI Parintins (Gerencia da Saúde da Mulher Indígena); c) Hospital Padre Colombo (Gerência de Enfermagem); d) Hospital Jofre Cohen (Gerencia de Enfermagem e Gerencia de Neonatologia); e) Ambulatório Municipal de Especialidades (Gestor do Cuidado e Ponto de Apoio) e Fiocruz Amazônia (Mestrado Profissional em Saúde da Família). Essa participação foi essencial para garantir que o guia refletisse a vivência dos profissionais, as práticas existentes na oferta do cuidado e as necessidades reais do território. Foi realizada uma oficina no município de Parintins intitulada: Oficina pensando no cuidado mãe e bebê: cuidado materno infantil na perspectiva do território líquido na região de saúde do Baixo Amazonas. A oficina foi dividida em alguns momentos: leitura de textos referentes a dois temas – território líquido e planificação da atenção à saúde. Diante da Leitura os participantes interagiram na dinâmica de responder o que entendiam sobre os assuntos abordados. O processo de validação envolveu a construção coletiva, participação na oficina e pós oficina, com leituras, correções, ajustes e validações. Houve a revisão crítica por parte dos profissionais de saúde, garantindo que o guia refletisse a realidade, fosse prático e aplicável no contexto local. A metodologia adotada permitiu uma aproximação da realidade local, compartilhamento de vivências, uma construção coletiva e uma ótica direta nos fluxos assistenciais, promovendo a integração entre os diferentes níveis de atenção e fortalecendo a rede de saúde.
Período de Realização
O guia surgiu não apenas como produto técnico tecnológico, mas também como uma proposta de educação permanente e resposta prática a esses desafios, promovendo a integração entre os serviços de saúde e fortalecendo a rede de atenção materno infantil. Oficina Realizada em Julho de 2024. Fruto de uma dissertação de mestrado.
Objetivo
Dialogar refletir e construir fluxos/protocolos voltados para a realidade e peculiaridades do território na região de saúde do Baixo Amazonas.
Resultados
A construção do guia representa um avanço significativo na organização dos serviços de saúde no Baixo Amazonas, promovendo a integralidade do cuidado e fortalecendo a rede de atenção materno infantil. É uma contribuição para a qualificação do cuidado às gestantes, promovendo a integração entre os diferentes níveis de atenção e fortalecendo a rede de saúde. É o fortalecimento da educação permanente em saúde e uma maior qualificação profissional o que reflete diretamente da qualidade do cuidado ofertado.
Aprendizado e Análise Crítica
O guia reflete a realidade desse território, mas para um cuidado e integral e de qualidade, deve incluir a implementação de novas estratégias, como a telemedicina e a capacitação contínua dos profissionais de saúde, para que cada vez mais as mulheres gestantes tenham seus direitos assegurados, tenham um pré-natal de qualidade, um parto humanizado e um puerpério bem orientado e que garanta acolhimento e bem estar a mãe e bebê, seja esse cuidado nas grandes capitais, ou aqui em meio as florestas e as águas.
Realização: