Programa - Comunicação Oral Curta - COC12.2 - Formação em territórios, comunidades, extensão universitária e integração ensino-serviço
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
APRENDER COM O TERRITÓRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA DISCIPLINA INTERAÇÃO NA BASE REAL NA FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA NA AMAZÔNIA
Comunicação Oral Curta
1 UFOPA
Contextualização
A formação em Saúde Coletiva requer estratégias pedagógicas que integrem ensino, pesquisa e extensão, possibilitando aos estudantes compreender as realidades sociais e os determinantes sociais da saúde nos territórios. Nesse contexto, a disciplina Interação na Base Real, ofertada no Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), propõe a inserção dos estudantes em comunidades da região amazônica, favorecendo a construção de conhecimentos a partir da vivência territorial e da interação com populações em situação de vulnerabilidade social. Essa abordagem busca fortalecer uma formação crítica e comprometida com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e com a promoção da participação social na construção de soluções para os problemas de saúde.
Descrição
A experiência foi desenvolvida na comunidade de Jamaraquá, na Floresta Nacional do Tapajós( FLONA), localizada no município de Belterra, no estado do Pará. Inicialmente, os estudantes realizaram um processo de preparação teórica e metodológica em sala de aula, incluindo revisão de literatura e discussão sobre diagnóstico comunitário e determinantes sociais da saúde. Posteriormente, foram aplicadas metodologias participativas no território, como entrevistas livres e semiestruturadas, observação direta e ferramentas de diagnóstico participativo, entre elas Árvore de Problemas, Diagrama de Venn e Relação Problema-Solução. Essas estratégias possibilitaram identificar demandas prioritárias da comunidade e compreender fatores sociais, econômicos e ambientais relacionados às condições de saúde da população local.
Período de Realização
As atividades foram desenvolvidas ao longo de 4 semestres, no período de 2 anos, com início no ano de 2022 a 2024, no âmbito da disciplina Interação na Base Real, envolvendo estudantes e docente responsável em atividades de diagnóstico comunitário, planejamento e execução de intervenções em saúde.
Objetivo
Relatar a experiência de estudantes na realização de diagnóstico comunitário participativo e na implementação de ações de promoção e prevenção em saúde na comunidade de Jamaraquá, destacando as contribuições dessa vivência para a formação em Saúde Coletiva.
Resultados
A partir do diagnóstico participativo, foram identificados problemas relacionados ao acesso aos serviços de saúde, gravidez na adolescência, uso de álcool e outras drogas e manejo inadequado de resíduos sólidos. Com base nessas demandas, os estudantes organizaram intervenções comunitárias voltadas à promoção da saúde. Entre as ações realizadas destacam-se atividades educativas com crianças sobre manejo adequado de resíduos sólidos e educação ambiental, rodas de conversa com adolescentes e moradores sobre prevenção da gravidez na adolescência e métodos contraceptivos, além de ações de saúde preventiva, como aferição de pressão arterial e verificação de glicemia, acompanhadas de orientações sobre hábitos saudáveis. Também ocorreu a participação dos estudantes em atividades de educação em saúde e apoio assistencial durante ações realizadas a bordo do Navio-Escola Abaré. Como produto da experiência, foi elaborada uma cartilha educativa, sistematizando as metodologias utilizadas, as ações desenvolvidas e as reflexões decorrentes da vivência, com o objetivo de compartilhar o conhecimento produzido e incentivar outras iniciativas de atuação comunitária.
Aprendizado e Análise Crítica
A vivência possibilitou aos estudantes ampliar a compreensão sobre os determinantes sociais da saúde e a importância da participação comunitária na identificação de problemas e na construção coletiva de soluções. O contato direto com a população favoreceu o desenvolvimento de habilidades como escuta qualificada, comunicação em saúde, trabalho interdisciplinar e planejamento participativo, além de fortalecer a compreensão do território como espaço fundamental para a formação em Saúde Coletiva. A experiência evidenciou o potencial das atividades extensionistas e da aprendizagem baseada no território para a formação de profissionais mais sensíveis às desigualdades sociais e comprometidos com a defesa do SUS. Ao mesmo tempo, revelou desafios relacionados às limitações estruturais de acesso aos serviços de saúde em comunidades amazônicas e à necessidade de continuidade das ações desenvolvidas. Nesse sentido, iniciativas como a disciplina Interação na Base Real demonstram a importância de integrar universidade e território, valorizando os saberes comunitários e contribuindo para uma formação em Saúde Coletiva alinhada à promoção da equidade, da participação social e da justiça em saúde.
DA IDEALIZAÇÃO À PRÁTICA: CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM SAÚDE COLETIVA NO AMAZONAS
Comunicação Oral Curta
1 Acadêmico de Enfermagem, Centro Universitário CEUNI- Fametro. Manaus – AM
2 Enfermeira obstetra pelo programa de residência multiprofissional/ Universidade Federal do Amazonas
3 Mestre em ciências/ USP
4 Mestre em enfermagem psiquiátrica pela escola de ribeirão preto - EERP/USP
Contextualização
A extensão universitária configura-se como eixo estruturante na formação em saúde, ao promover a integração entre ensino, pesquisa e intervenção social, sobretudo em contextos marcados por desigualdades no acesso aos serviços. No Brasil, orientado pelos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), torna-se essencial a formação de profissionais críticos, reflexivos e comprometidos com a integralidade do cuidado, sendo as práticas extensionistas fundamentais nesse processo (Santana et al., 2021).
Descrição
Trata-se de um relato de experiência, de natureza descritiva e abordagem qualitativa. A idealização do projeto Fametro Salutis Integra emergiu da identificação de lacunas entre a formação teórica e a prática assistencial, sendo concebido por um acadêmico de enfermagem, com apoio da coordenação de uma instituição privada localizada na zona leste de Manaus, Amazonas. A iniciativa evidenciou a necessidade de inserção dos estudantes em cenários reais de cuidado, favorecendo o desenvolvimento de competências alinhadas às demandas da população.
Período de Realização
Diante do exposto, o projeto teve início em agosto de 2025 e ainda em andamento Até o momento, o projeto realizou aproximadamente 18 ações extensionistas, totalizando mais de 300 atendimentos diretos e a participação de cerca de 130 acadêmicos de enfermagem. Tais resultados evidenciam impacto relevante na ampliação do acesso aos serviços de saúde, além de fortalecer o vínculo entre academia e comunidade.
Objetivo
Nesse contexto, questiona-se de que forma a construção de um projeto de extensão contribui para a formação acadêmica e para a promoção da saúde coletiva. Assim, o estudo objetiva analisar criticamente essa experiência a partir da vivência do acadêmico fundador.
Resultados
A implementação do projeto demandou planejamento estratégico, liderança e articulação interinstitucional. As ações foram organizadas de maneira territorializada, contemplando comunidades, instituições de ensino e ambientes laborais. Entre as atividades desenvolvidas, destacam-se triagem clínica, aferição de sinais vitais, realização de testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis (IST), consultas de enfermagem, coleta citopatológica e ações educativas voltadas à promoção da saúde e prevenção de agravos, em consonância com os princípios da atenção primária.
Aprendizado e Análise Crítica
No que se refere aos aprendizados, a experiência contribuiu significativamente para o desenvolvimento de competências como comunicação, empatia, trabalho em equipe e tomada de decisão, além de favorecer uma postura crítica diante das desigualdades em saúde. A vivência como fundador também possibilitou o aprimoramento de habilidades de gestão e liderança.
Sob uma perspectiva crítica, a extensão universitária ultrapassa a dimensão assistencial, constituindo-se como espaço de produção de conhecimento e transformação social, reafirmando sua relevância na formação em saúde alinhada aos princípios do SUS (Interface, 2023).
DA TRIAGEM À PROMOÇÃO DA SAÚDE: EXPERIÊNCIA DE CUIDADO EM COMUNIDADE RURAL DO INTERIOR DO SUDOESTE DA BAHIA
Comunicação Oral Curta
1 UESB
Contextualização
A Atenção Primária à Saúde (APS) configura-se como o primeiro nível de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo caracterizado por um conjunto de ações de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, com enfoque no cuidado integral e contínuo. Nesse nível, destacam-se práticas como acolhimento, triagem e educação em saúde, fundamentais para a identificação precoce de agravos e redução de riscos à população.
Em contextos rurais, como comunidades assentadas, a APS assume papel ainda mais relevante devido às dificuldades de acesso aos serviços de saúde e à maior exposição a fatores de risco relacionados aos hábitos de vida. Assim, a inserção de estudantes de enfermagem em atividades de campo contribui para a aproximação com a realidade local e para o desenvolvimento de ações voltadas à promoção da saúde dos assentados.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo, vivenciado por uma graduanda do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), bolsista de um projeto de extensão intitulado Feira Agroecológica “Do Campo ao Campus: por um consumo político, saudável e sustentável” que ocorre em Jequié - BA, vinculado ao Centro Interdisciplinar de Pesquisa Agroambiental (CIPAM). A vivência ocorreu durante atividade de campo no assentamento Claudemiro Dias Lima, localizado em um município do interior do sudoeste da Bahia.
A ação foi realizada pela graduanda em conjunto com profissional médico, com foco no atendimento à comunidade local. Inicialmente, a equipe organizou o acolhimento dos usuários na sede do assentamento, sendo realizados 11 atendimentos durante a manhã. A graduanda foi responsável pela triagem, incluindo aferição da pressão arterial, verificação do pulso e registro das queixas principais, encaminhando posteriormente os pacientes para consulta médica.
Devido ao fato de que no presente estudo não é feita identificação de participantes, dispensou-se a submissão em Comitê de Ética em Pesquisa.
Período de Realização
A preparação e a organização das atividades ocorreram no mês de setembro, sendo a ação realizada no dia 20 de outubro de 2025.
Objetivo
Relatar e analisar a experiência de atuação em campo em comunidade rural de uma discente de graduação em Enfermagem, destacando a importância da triagem e das ações de educação em saúde na identificação de demandas e promoção de hábitos saudáveis.
Resultados
Durante os atendimentos, observou-se predominância de queixas relacionadas à hipertensão arterial, dores articulares associadas ao trabalho rural e hábitos de vida inadequados. Identificou-se consumo elevado de gorduras e sódio, além de baixa prática de atividade física entre os moradores. Apesar do contexto de produção agrícola, evidenciou-se a presença de sedentarismo e alimentação desequilibrada.
Diante desse cenário, realizou-se orientações em saúde nos atendimentos, abordando a importância de uma alimentação equilibrada, redução do consumo de alimentos ultraprocessados e incorporação de atividades físicas na rotina dos assentados, com foco na prevenção de agravos e promoção da saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
A vivência possibilitou o desenvolvimento de habilidades práticas essenciais, como a realização de triagem clínica, escuta qualificada e comunicação em saúde. Além disso, foi reforçada a relevância do papel do profissional de enfermagem na prestação do cuidado, especialmente em contextos comunitários, onde a educação em saúde se mostra uma ferramenta eficaz de intervenção direta na vida dos assentados.
Outrossim, a experiência evidenciou que, mesmo em comunidades inseridas em contextos produtivos rurais, fatores como hábitos alimentares inadequados e sedentarismo persistem como determinantes importantes de adoecimento, o que reforça a influência dos modelos de produção e consumo atuais sobre a vida dessas pessoas.
Destaca-se a necessidade de ações contínuas e interdisciplinares, voltadas não apenas para o tratamento, mas principalmente para a prevenção e promoção da saúde. A limitação pontual da ação, realizada em um único momento, reforça a importância da continuidade do cuidado e da ampliação do acesso aos serviços de saúde nessas populações.
EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA PROMOÇÃO DO AUTOCUIDADO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA LIGA ACADÊMICA DE SAÚDE COLETIVA EM SANTARÉM (PA)
Comunicação Oral Curta
1 IESPES
Contextualização
Este relato de experiência aborda ações de educação em saúde desenvolvidas por acadêmicos da Liga Acadêmica de Saúde Coletiva (LASC), com foco na promoção do autocuidado e na prevenção dos cânceres de mama e de próstata.
A experiência foi motivada pela elevada incidência dessas neoplasias no Brasil e pela necessidade de fortalecer estratégias de sensibilização e diagnóstico precoce, considerando que fatores socioculturais ainda dificultam a adesão da população às práticas preventivas, especialmente entre os homens.
Nesse sentido, a atuação da LASC contribui para a articulação entre ensino, serviço e comunidade, promovendo a formação crítica dos estudantes e o fortalecimento das ações de promoção da saúde nos territórios.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido por acadêmicos do 5º, 7º e 8º semestres do curso de Enfermagem, integrantes da Liga Acadêmica de Saúde Coletiva (LASC), a partir de ações de educação em saúde realizadas nos meses de outubro e novembro de 2025 e março de 2026, no município de Santarém, Pará.
As atividades ocorreram em três cenários: Clínica da Fundação Esperança, Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES) e empresa Microlins, contemplando usuários de serviços de saúde, colaboradores da iniciativa privada e comunidade acadêmica.
Quanto à metodologia, utilizaram-se estratégias educativas participativas, com metodologias ativas, incluindo palestras dialogadas, dinâmicas interativas e uso de recursos didáticos.
Na Clínica da Fundação Esperança, realizou-se atividade sobre prevenção do câncer de mama, com demonstração do autoexame em modelo anatômico. No IESPES, durante o evento Novembro Azul, desenvolveu-se a ação “Sensibiliza IESPES”, com abordagem dialógica voltada à saúde do homem e à prevenção do câncer de próstata. Na empresa Microlins, realizou-se ação sobre saúde da mulher, abordando ciclo menstrual, higiene íntima e exame citopatológico, por meio de rodas de conversa e escuta qualificada.
Período de Realização
As ações de educação em saúde foram realizadas nos meses de outubro e novembro de 2025, bem como em março de 2026.
Objetivo
Relatar as experiências de acadêmicos da Liga Acadêmica de Saúde Coletiva (LASC) na implementação de estratégias educativas em saúde voltadas à promoção do autocuidado e à prevenção dos cânceres de mama e de próstata, em Santarém (PA), destacando sua contribuição para a formação acadêmica e para a promoção da saúde.
Resultados
As ações desenvolvidas evidenciaram que a utilização de estratégias participativas em educação em saúde favorece o maior engajamento do público e potencializa a compreensão das informações abordadas. A adoção de metodologias ativas, aliada ao uso de recursos didáticos e materiais interativos, contribuiu significativamente para a aproximação entre acadêmicos e comunidade, promovendo a troca de saberes e a construção coletiva do conhecimento.
Observou-se que a abordagem de temas sensíveis, como os cânceres de mama e de próstata, demanda a incorporação de estratégias que considerem os aspectos socioculturais dos indivíduos, sendo essencial a criação de ambientes acolhedores que favoreçam o diálogo e a participação ativa.
No que se refere à formação acadêmica, a experiência possibilitou o desenvolvimento de competências fundamentais à atuação em saúde coletiva, destacando-se a comunicação efetiva, a empatia, a escuta qualificada e a capacidade de atuação interdisciplinar.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência contribuiu para o desenvolvimento de competências essenciais à saúde coletiva, como comunicação, empatia e escuta qualificada. A vivência favoreceu a atuação interdisciplinar e a articulação entre teoria e prática, fortalecendo a formação crítica dos acadêmicos. Além disso, evidenciou a importância de metodologias ativas e de estratégias sensíveis aos aspectos socioculturais, preparando profissionais mais aptos a responder às demandas do território.
A experiência mostrou-se positiva ao alcançar os objetivos propostos, evidenciando a relevância da educação em saúde na promoção do autocuidado. O uso de metodologias participativas facilitou o engajamento, embora tenham sido identificadas dificuldades relacionadas a barreiras socioculturais, especialmente na adesão do público masculino. A vivência gerou aprendizados significativos e reforçou a importância de ações contextualizadas. Destaca-se seu impacto na formação acadêmica e na comunidade, sugerindo-se a continuidade e ampliação das intervenções com estratégias culturalmente sensíveis.
ENTRELAÇANDO SABERES NA AMAZÔNIA: REFLEXÕES SOBRE SAÚDE COLETIVA, TERRITÓRIO E A PRÁXIS DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE NO ÂMBITO DO PROCANOAS
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
Contextualização
Falar sobre Saúde Coletiva é um campo vasto e multifacetado que transcende radicalmente a concepção reducionista de saúde como mera ausência de doença. É adentrar um universo complexo que articula, de forma crítica e reflexiva, práticas de cuidado, saberes diversos (populares, tradicionais e científicos), movimentos sociais e políticas públicas, todos voltados intrinsecamente para a promoção da vida. Na Amazônia, onde as águas e estradas conduzem aos territórios rurais e ribeirinhos, tais dimensões se complexificam diante de barreiras geográficas, desigualdades estruturais e especificidades culturais das populações do campo, da floresta e das águas, nesse cenário, a necessidade de estratégias que integrem gestão do cuidado, vigilância em saúde e educação popular de forma territorializada e intercultural.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência no âmbito do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva nas Águas, Florestas e Campo (PROCANOAS), com atuação no Distrito de Saúde Rural (DISAR), no município de Manaus (AM).
Período de Realização
No primeiro semestre de 2025, com a implementação do Projeto Vigilância Itinerante, a causa problema, foi da subnotificação, quantificado através da análise dos registros no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no primeiro bimestre de 2024, comparando-os com os relatórios de atendimento das Unidade de Saúde da Família (USF) e os relatos informais com discrepância entre os atendimentos realizados por agravos notificáveis e os efetivamente registrados no sistema.
Objetivo
Tal experiência do Projeto Vigilância Itinerante, no âmbito do PROCANOAS, evidência a força dos princípios da Saúde Coletiva quando aplicados com criatividade e sensibilidade às realidades locais. Foi detectado que os gargalos da vigilância em saúde em contextos rurais amazônicos não refletem falhas individuais dos profissionais, mas são sintomas de um desencontro entre a lógica do sistema de saúde e a lógica do território. Essa experiência baseou-se em abordagem qualitativa, inspirada na pesquisa de campo e na cartografia social, com participação ativa dos profissionais de saúde locais.
Resultados
A intervenção consistiu na realização de encontros presenciais nas comunidades, priorizando escuta qualificada, rodas de conversa, dinâmicas participativas e construção coletiva de estratégias de vigilância, observou-se que a subnotificação não decorre apenas de falhas individuais, mas de entraves estruturais, como limitações tecnológicas, sobrecarga de trabalho, fragilidades na educação permanente e desarticulação entre gestão e território.
Assim ir até o território, revelou-se uma estratégia eficaz para reduzir esse abismo que a escuta das narrativas e diálogo coletivo não são apenas detalhes protocolares, mas a base micropolítica sobre a qual se constrói a mudança prática a notificação compulsória deixa de ser um instrumento burocrático distante e se transforma em ferramenta de empoderamento comunitário e qualificação do cuidado, também revela uma reflexão crítica: o custo da informação é infinitamente menor que o custo do reparo. Investir na produção, registro e interpretação de dados é mais econômico e estratégico do que arcar com as consequências de problemas não prevenidos, sejam eles surtos, agravos ou desigualdades acentuadas no cuidado.
Aprendizado e Análise Crítica
Entre os aprendizados, evidencia-se que a aproximação da equipe de vigilância com os profissionais locais favoreceu a construção de vínculos, ampliou a compreensão da vigilância em saúde como prática de cuidado e ressignificou a notificação compulsória como instrumento de proteção coletiva e cidadania sanitária e que práticas baseadas na escuta, no diálogo horizontal e no reconhecimento dos saberes locais que fortalecem a corresponsabilização das equipes e ampliam a efetividade das ações em saúde onde a educação popular emergiu como eixo estruturante para a transformação dos processos de trabalho, promovendo autonomia e protagonismo dos sujeitos envolvidos.
Como análise crítica, os desafios da vigilância em saúde na Amazônia refletem um descompasso entre a lógica normativa do sistema e a dinâmica dos territórios. Estratégias itinerantes e territorializadas mostram-se potentes para reduzir essas lacunas, embora sua sustentabilidade dependa de investimento contínuo em gestão, infraestrutura e valorização do trabalho em saúde. Os desafios permanecem, desde a infraestrutura precária, rotatividade de profissionais e limitações de recursos financeiros, a semente plantada pela Vigilância Itinerante aponta um caminho o da escuta, do diálogo, da corresponsabilidade e da adaptação contínua. Reafirma-se, assim, que a Vigilância em Saúde é, em essência, um ato de cuidado coletivo e uma ferramenta fundamental para a concretização da equidade no SUS, nos territórios mais remotos do país.
ESTÁGIO RURAL EM ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: DESAFIOS E APRENDIZADOS NA AMAZÔNIA
Comunicação Oral Curta
1 UEA
Contextualização
Estágio rural em saúde coletiva, desenvolvido no componente curricular Internato Rural, uma prática preconizada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para imersão na realidade dos municípios amazônicos, caracterizados por sua diversidade.
Descrição
Relato de experiência do estágio rural em Saúde Coletiva, vivenciado por uma acadêmica de enfermagem do décimo período da graduação em Enfermagem. As atividades envolveram integração nos serviços de saúde e atuação em diferentes unidades básicas, incluindo áreas urbanas, ribeirinhas e comunidades de difícil acesso.
Período de Realização
21 de maio a 27 de junho de 2025.
Objetivo
Refletir sobre o Estágio Rural como estratégia pedagógica na formação em enfermagem.
Resultados
A experiência se deu no município de Tefé, no Amazonas, localizado a aproximadamente 523 km da capital Manaus, com área territorial de 23.692km² e com uma população de 73.669 habitantes, acessado por meio aéreo ou fluvial. O estágio foi realizado sob preceptoria de uma enfermeira residente do município, e sua avaliação e supervisão dividiu-se em dois momentos: inicialmente com a integração em todos os setores de saúde do município, o que foi de fundamental importância para entender como as equipes se articulam e compreender como o Sistema Único de Saúde (SUS) atende a população; e num segundo momento uma fase assistencial com rotatividade em três Unidades Básicas de Saúde (UBS) em diferentes contextos. Além de cobrir o território urbano, o município atende as mais diversas comunidades e populações ribeirinhas, com equipes atuando diariamente nas localidades de mais difícil acesso. O primeiro contato com a assistência foi no distrito do Caiambé, localizado a 57,62 km por via aquática de Tefé, onde foi possível visualizar a execução das boas práticas de saúde e atuar nos programas da Atenção Primária à Saúde (APS). A adaptação à realidade local se mostrou indispensável, aplicada na utilização dos recursos limitados de medicamentos e insumos, na realização de visitas domiciliares em áreas remotas, na ida a comunidades distantes para a realização de educação em saúde, nas consultas de enfermagem, exames citopatológicos, entre outros serviços. O segundo campo de atuação se deu em uma UBS do município que assiste grande parte da população ribeirinha e moradores das casas flutuantes, onde a equipe utiliza exclusivamente o meio fluvial, sofrendo grande impacto dos períodos de cheia e seca, o que evidencia a necessidade de um planejamento que leve em consideração as variações climáticas e os custos oscilantes para o deslocamento até essa população. O último campo de estágio, cenário distinto dos demais, se deu em uma UBS localizada em um bairro de Tefé geograficamente isolado, acessível por via fluvial ou terrestre, a depender da época do ano. Essa realidade evidencia como a atuação do profissional de saúde exige adaptabilidade diante de diferentes contextos, perfis de público e necessidades populacionais, bem como a capacidade de promover atenção à saúde equitativa em ambientes estruturalmente desiguais.
Aprendizado e Análise Crítica
As experiências do estágio rural na Amazônia têm diversas características e modos de serem implantados, mas todos permitem uma vivência intensa. Diante da complexidade das atividades exigidas, como a necessidade de se deslocar para outra cidade e permanecer durante 38 dias na completa imersão ao serviço público de saúde, foi possível vivenciar diversos desafios e aprendizados. Prestar assistência em diferentes locais possibilitou aplicar o conhecimento teórico adquirido ao longo da graduação de forma mais efetiva, além de compreender melhor a atuação do enfermeiro e seu papel fundamental dentro do sistema de saúde, o que impacta positivamente na bagagem profissional. Apesar das dificuldades observadas durante a vivência rural, profissionais e estudantes se tornam aptos a desenvolver um pensamento crítico e olhar holístico diante das diferentes circunstâncias, para buscar soluções inovadoras, promovendo formas de cuidado adaptadas à realidade local. Esse esforço conjunto fortalece a integração entre ensino e prática, amplia a compreensão das particularidades regionais e contribui para tornar o acesso à saúde mais próximo do ideal de universalidade, mesmo em contextos isolados. Fica destacada a importância da inserção do estudante de enfermagem no campo, o que permite o desenvolvimento de competências como a autonomia profissional, compreensão das características de cada território, entre outras. Essa atividade reflete o compromisso da universidade em envolver os discentes na realidade amazônica através da imersão na APS de municípios distantes da capital amazonense. Tal compromisso deve ser pactuado em todas as instituições de ensino superior do Amazonas, visto que a prática assistencial de saúde da capital não reflete a realidade vivenciada pela maior parte da população do Estado, evidenciando o cenário amazônico como distinto de outros locais do Brasil na logística de implementação do SUS.
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA: APRENDIZADO EM TERRITÓRIOS NO LITORAL DO PARANÁ
Comunicação Oral Curta
1 UFPR
Contextualização
A formação em saúde coletiva demanda a incorporação de experiência territoriais que permitam compreender as desigualdades no acesso ao cuidado e a complexidade dos contextos locais. Nesse sentido, a extensão universitária se configura como estratégia potente nesse processo, ao possibilitar a articulação entre ensino, pesquisa e comunidade, aproximando estudantes das realidades concretas do Sistema Único de Saúde e dos princípios da educação popular em saúde. Ao aprender a partir das demandas das comunidades, a experiência em cuidado em saúde muda de uma relação centrada no médico para uma relação centrada na pessoa, que considera suas vivências no ambiente.
Descrição
Este trabalho descreve a experiência de estudantes de medicina da Universidade Federal do Paraná em um projeto de extensão universitária desenvolvido no litoral do Paraná, cujos territórios, geralmente, possuem difícil acesso. As ações incluíram a realização de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais e de consultas clínicas, testagem de sorologias para doenças, como Hepatite B, Hepatite C, Sífilis e HIV, e acompanhamento pós-operatório de pacientes, com foco na vigilância de infecções do sítio cirúrgico, por meio de estratégias presenciais e de telessaúde. O projeto contou com articulação junto às unidades básicas de saúde locais e as gestões municipais em saúde, buscando favorecer a continuidade do cuidado.
Período de Realização
O projeto se desenvolveu de Maio a Novembro de 2025.
Objetivo
O objetivo foi refletir sobre a relevância da extensão universitária para a formação em saúde coletiva, a partir da atuação em territórios remotos, com ênfase na construção do cuidado e nos desafios do acesso e da continuidade assistencial.
Resultados
A experiência evidenciou a centralidade do território na organização do cuidado e os limites de estratégias como o telemonitoramento, haja vista as barreiras de acesso à comunicação. Além disso, a articulação com a atenção primária mostrou-se essencial para o acompanhamento longitudinal dos pacientes e para orientação das ações de saúde realizadas com a comunidade. Paralelamente, a relação com a gestão local em saúde possibilitou pensar em estratégias a longo prazo para o acesso ao cuidado em determinadas regiões.
Na formação acadêmica dos estudantes, a vivência favoreceu o desenvolvimento de uma prática mais situada, relacional e sensível às condições de vida da população atendida, em que o paciente ocupou um papel de centralidade da prática clínica.
Aprendizado e Análise Crítica
A extensão universitária, ao inserir os estudantes em territórios concretos e remotos, amplia as possibilidades de formação em saúde coletiva ao promover o diálogo entre diferentes saberes e a problematização das práticas de cuidado. A experiência aproxima-se dos princípios da educação popular em saúde ao valorizar o território, a realidade vivida e a construção compartilhada do cuidado. Além disso, evidencia os limites estruturais do sistema de saúde, apontando para a necessidade de políticas que garantam equidade no acesso e sustentem a continuidade do cuidado em áreas remotas.
INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO-COMUNIDADE NA FORMAÇÃO EM SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Comunicação Oral Curta
1 UFRR
Contextualização
A formação em saúde no Brasil enfrenta o desafio de responder às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que se refere à integralidade, equidade e reconhecimento da diversidade sociocultural dos territórios. Na Região Norte, essas demandas são intensificadas por fatores como desigualdades sociais, dificuldades de acesso e diversidade populacional.
Na capital de Roraima, Boa Vista, esses desafios se expressam de maneira singular. O município concentra grande parte da rede de serviços de saúde do estado, funcionando como principal porta de entrada para usuários provenientes do interior e de áreas indígenas. Além disso, Boa Vista tem sido impactada pelo intenso fluxo migratório, especialmente de venezuelanos, o que amplia a demanda por serviços públicos e exige respostas mais inclusivas, equitativas e culturalmente sensíveis.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Boa Vista apresenta crescimento populacional acelerado nos últimos anos, associado a processos migratórios e urbanização. Já o Ministério da Saúde aponta desafios relacionados à sobrecarga da Atenção Primária à Saúde, necessidade de ampliação do acesso e fortalecimento de práticas de promoção da saúde.
Nesse cenário, a Educação Popular em Saúde se destaca como estratégia fundamental para construção de práticas formativas críticas, dialógicas e territorializadas. Este relato insere-se nesse contexto, descrevendo a experiência de acompanhamento de acadêmicos da área da saúde em atividades integradas de ensino, serviço e comunidade na cidade de Boa Vista.
Descrição
A experiência consistiu no acompanhamento sistemático de acadêmicos da área da saúde em atividades práticas desenvolvidas em Unidades Básicas de Saúde e em territórios da cidade de Boa Vista.
As ações contemplaram:
Territorialização e diagnóstico situacional em áreas urbanas com diferentes perfis socioeconômicos
Desenvolvimento de ações educativas em saúde com foco em demandas locais (doenças infecciosas, condições crônicas e promoção da saúde)
Atuação junto a comunidades em situação de vulnerabilidade, incluindo população migrante
Realização de atividades coletivas, rodas de conversa e práticas educativas baseadas na escuta ativa
Integração com equipes da Atenção Primária e articulação com atores comunitários
Destaca-se que as atividades exigiram adaptação constante das estratégias, especialmente diante de barreiras linguísticas, culturais e sociais presentes em alguns territórios da capital.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida ao longo de aproximadamente 12 meses, entre março de 2025 a março de 2026, com encontros semanais e atividades contínuas nos serviços de saúde e na comunidade.
Objetivo
Relatar a experiência observacional de acompanhamento de acadêmicos da área da saúde em atividades integradas de ensino, serviço e comunidade na cidade de Boa Vista, destacando os desafios e potencialidades na formação de profissionais orientados às necessidades do SUS, com ênfase na diversidade, interculturalidade e equidade.
Resultados
A experiência possibilitou:
Maior compreensão dos acadêmicos sobre o funcionamento da Atenção Primária em contextos urbanos da Região Norte
Desenvolvimento de competências relacionadas à comunicação e cuidado em contextos interculturais
Fortalecimento do vínculo com comunidades em situação de vulnerabilidade social
Ampliação da visão crítica sobre determinantes sociais da saúde no contexto urbano
Reconhecimento da importância da Educação Popular em Saúde como ferramenta de cuidado. Observou-se que os acadêmicos passaram a compreender a complexidade do território urbano de Boa Vista, marcado por desigualdades sociais, diversidade cultural e demandas crescentes sobre os serviços de saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência em Boa Vista evidenciou que a formação em saúde requer superar o modelo biomédico, incorporando práticas orientadas pela integralidade e equidade, em diálogo com Sérgio Arouca, ao compreender o SUS como um projeto ampliado. A vivência reforçou a centralidade do território e do trabalho vivo em ato, conforme Emerson Elias Merhy, evidenciando que o cuidado se constrói nas relações.
A valorização da escuta e do diálogo aproxima-se da perspectiva de Paulo Freire, reconhecendo os usuários como protagonistas. Sob a ótica dos determinantes sociais, a experiência dialoga com Cecília Minayo, ao destacar a necessidade de abordagem crítica e contextualizada.
Persistem desafios como a dificuldade de romper com o modelo biomédico, sobrecarga dos serviços, limitações da Atenção Primária e preparo para atuação intercultural. O contexto evidencia tensões entre formação tradicional e necessidades do SUS, reforçando a importância da integração ensino-serviço-comunidade, da Educação Popular em Saúde e da valorização do território para formação crítica e comprometida com a equidade.
MONITORIA ACADÊMICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: EXPERIÊNCIA EM TERRITÓRIO AMAZÔNICO
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
Contextualização
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui eixo estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS) e cenário privilegiado para a formação em saúde, ao possibilitar a integração entre teoria, prática e realidade social dos territórios, especialmente em contextos amazônicos marcados por diversidade sociocultural e desafios de acesso. Nesse contexto, a monitoria acadêmica destaca-se como estratégia de apoio ao processo de ensino-aprendizagem, favorecendo a inserção qualificada dos estudantes nos serviços de saúde.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido na Unidade de Saúde da Família Leonor de Freire, localizada no bairro Compensa, zona Oeste de Manaus, no qual a atuação consistiu no acompanhamento de estudantes nas atividades práticas, incluindo organização dos grupos, apoio ao planejamento das ações e mediação entre discentes e equipe de saúde. Nesse contexto, foram desenvolvidas ações voltadas à comunidade, como planejamento de atividades na unidade, abordagem sobre sífilis congênita, saúde da população negra, campanha do Novembro Azul voltada à saúde do homem e rodas de conversa com idosos.
Período de Realização
A experiência foi vivenciada no período de 16 de setembro a 02 de dezembro de 2025.
Objetivo
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de monitoria na disciplina de Atenção Primária à Saúde da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus, Amazonas.
Resultados
As atividades desenvolvidas possibilitaram a inserção dos estudantes em diferentes contextos de cuidado, promovendo maior aproximação com as necessidades do território, caracterizado por desigualdades sociais e limitações de acesso aos serviços. Observou-se também participação ativa da comunidade, contribuindo para o fortalecimento das ações de educação em saúde. Notou-se maior engajamento dos estudantes ao longo do processo, além do desenvolvimento de habilidades relacionadas à comunicação, trabalho em equipe, organização e responsabilidade. A vivência na APS favoreceu a compreensão ampliada do cuidado em saúde, com ênfase na promoção da saúde e prevenção de agravos, especialmente diante de condições prevalentes no território, como hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus. Ademais, evidenciou-se a necessidade da população por informações em saúde, reforçando o papel das ações educativas na promoção da autonomia e do cuidado.
Aprendizado e Análise Crítica
No campo dos aprendizados, destaca-se que a monitoria se configura como ferramenta formativa relevante, ao ultrapassar o papel de apoio operacional. A experiência possibilitou a aproximação com o papel do profissional de saúde, favorecendo o desenvolvimento de competências como autonomia, liderança e tomada de decisão. Além disso, contribuiu para a construção progressiva da identidade profissional, ao promover a transição de uma postura exclusivamente discente para uma atuação mais ativa no processo de cuidado e ensino no contexto da APS e do SUS, em consonância com os princípios da integração ensino-serviço-comunidade.
Nesse cenário, a experiência evidenciou a potência das metodologias ativas e da inserção precoce nos serviços de saúde, ao mesmo tempo em que revelou desafios relacionados à organização das atividades, ao planejamento das ações educativas e ao engajamento da população nas estratégias propostas. Destaca-se ainda a importância de uma abordagem ampliada do cuidado, considerando a população para além da condição de pacientes, como sujeitos inseridos em contextos sociais que influenciam diretamente o processo saúde-doença. Tais aspectos reforçam a importância da valorização institucional da monitoria como estratégia de qualificação da formação em saúde.
Conclui-se que a monitoria na APS contribui significativamente para o processo formativo, promovendo a integração entre universidade, serviço e comunidade, além de favorecer a formação de profissionais mais críticos, reflexivos e comprometidos com os princípios do SUS.
PARA ALÉM DA DISPENSAÇÃO: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DO RESIDENTE FARMACÊUTICO EM CONTEXTOS URBANOS E FLUVIAIS NA AMAZÔNIA
Comunicação Oral Curta
1 UFOPA
Contextualização
A formação em saúde coletiva no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) tem se consolidado por meio de estratégias que articulam ensino e serviço, especialmente nas residências multiprofissionais. Inseridos em territórios diversos, esses programas possibilitam a construção de saberes a partir da vivência nos serviços, considerando especificidades sociais, culturais e geográficas.
Na região amazônica, a atenção primária é atravessada por desafios relacionados ao acesso, à organização dos serviços e às condições de vida das populações, especialmente ribeirinhas e indígenas. Nesse cenário, o território se configura como elemento central no processo formativo, exigindo práticas sensíveis às desigualdades e singularidades locais.
No caso da farmácia, a formação ainda enfrenta o desafio de superar uma visão centrada na dispensação, demandando a ampliação do papel clínico e da atuação no cuidado integral.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência vivenciado durante o primeiro ano da residência multiprofissional em Estratégia Saúde da Família, em 2025, com atuação em uma unidade básica de saúde urbana e em uma unidade básica de saúde fluvial.
As atividades incluíram dispensação e orientação sobre medicamentos, acompanhamento de usuários em grupos de Hiperdia e saúde mental, visitas domiciliares e atuação no laboratório de análises clínicas, envolvendo diferentes etapas do processo diagnóstico.
A inserção na unidade fluvial demandou adaptação das práticas às condições do território, considerando o deslocamento por via fluvial, o tempo limitado de permanência da equipe e a complexidade das demandas.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida ao longo de 2025, durante o primeiro ano da residência, com atuação contínua na unidade urbana e permanência mensal de aproximadamente 10 dias na unidade fluvial.
Objetivo
Refletir sobre o processo formativo do residente farmacêutico na atenção primária, a partir da inserção em diferentes territórios amazônicos, destacando desafios, aprendizados e implicações para o cuidado no SUS.
Resultados
A vivência nos serviços evidenciou que a atuação do farmacêutico ainda é frequentemente limitada à logística do medicamento, o que repercute na sua inserção no cuidado clínico e na dinâmica do trabalho multiprofissional. Essa limitação reflete tanto aspectos da organização do serviço quanto concepções ainda restritas sobre o papel desse profissional.
Por outro lado, a participação em atividades como grupos de acompanhamento de condições crônicas, saúde mental e visitas domiciliares possibilitou maior aproximação com os usuários e com o território, favorecendo a construção de vínculo, a compreensão das necessidades de saúde e a adesão ao tratamento.
No contexto da unidade fluvial, destacaram-se desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, especialmente no laboratório de análises clínicas, à limitação de recursos e ao tempo de resposta dos exames, aspectos que impactam diretamente a continuidade do cuidado.
Além disso, situações de vulnerabilidade social observadas no território, incluindo possíveis casos de negligência contra pessoa idosa, evidenciaram fragilidades na articulação da rede de proteção e na condução interprofissional de casos complexos.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência contribuiu para a compreensão do território como elemento estruturante do processo formativo, evidenciando que o cuidado em saúde demanda a articulação entre saberes técnicos e o reconhecimento das condições de vida dos usuários.
Destaca-se o desenvolvimento de competências relacionadas ao trabalho em equipe, à comunicação e à tomada de decisão em contextos complexos, bem como a necessidade de posicionamento ético diante de situações de vulnerabilidade. A vivência também reforçou a importância da educação permanente como estratégia para qualificar as práticas em saúde e ampliar a atuação clínica do farmacêutico na atenção primária.
Observa-se que a formação em saúde coletiva, quando ancorada na prática em serviço, constitui um espaço potente de construção de saberes e de ressignificação do papel profissional. No entanto, persistem desafios relacionados à organização do trabalho e à integração das equipes, que dificultam a efetivação de práticas alinhadas aos princípios do SUS.
A permanência de uma visão reducionista da atuação farmacêutica evidencia a necessidade de reorientação dos processos formativos, com vistas ao fortalecimento de sua inserção no cuidado clínico e no trabalho multiprofissional.
Além disso, os desafios estruturais observados, especialmente em contextos fluviais, apontam para a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades dos territórios amazônicos, garantindo melhores condições para a formação e a assistência.
Nesse sentido, a residência multiprofissional se reafirma como um espaço privilegiado para a formação crítica e comprometida com o SUS, ao possibilitar a vivência de diferentes realidades e a construção de práticas de cuidado mais sensíveis às necessidades da população.
RECOLHENDO OS EFEITOS DE UM PROJETO DE EXTENSÃO - JORNADA UNIVERSITÁRIA DA SAÚDE (JUS) - NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Comunicação Oral Curta
1 USP
Apresentação/Introdução
A Jornada Universitária da Saúde (JUS), um projeto de extensão da USP, atua em pequenos municípios do interior paulista á 15 anos. Utiliza uma abordagem intersetorial e interprofissional voltada para a produção de ações de promoção e educação em saúde para diversos grupos populacionais. Atua com profissionais da saúde e educação do município parceiro, trabalha com todos os ciclos de vida das crianças/adolescentes e até idosos em espaços públicos e nas residências dos munícipes, almejando a articulação junto a rede de proteção social..
A experiência da JUS propicia uma formação que não se restringe a aspectos técnicos, mas abrange dimensões sociais e políticas, fortalecendo a compreensão da relação entre contextos de vida, o processo saúde-doença, e a integração de diferentes saberes. Ao inserir estudantes de 16 cursos da área da saúde para elaboração e aplicação de cenários práticos, práticas estas centradas na promoção e educação em saúde, o projeto acaba promovendo o encontro entre o conhecimento técnico-científico e as realidades vivenciadas nos territórios, propiciando também a oportunidade de o discente experienciar e experimentar modos de produzir saúde que vão além das práticas assistenciais. Dessa forma, ocorre a troca de saberes entre universidade e sociedade o que acarreta não só a democratização do conhecimento acadêmico, mas, igualmente, uma produção científica, tecnológica e cultural enraizada na realidade.
A JUS visa romper com uma lógica assistencialista de extensão que fomenta uma transmissão vertical do conhecimento, ou um serviço assistencial, desconhecendo a cultura e o saber popular; e busca, em seu lugar, uma lógica de compromisso ético-político com as necessidades da população, propiciando assim uma real transformação social quando as ações do projeto dialogam (em uma perspectiva horizontal) com a população, promovendo uma interação mútua em que a universidade impacta o território, ao mesmo tempo que é transformada por ele.
Objetivos
Propõe-se, portanto, realizar pesquisa , que visa coletar relatos sobre experiências marcantes, desafios enfrentados, vivências, aprendizados e transformações decorrentes de sua atuação na extensão universitária que podem ter impacto na formação acadêmica, profissional e pessoal dos discentes, principalmente com ênfase na análise no desenvolvimento de competências para o trabalho interprofissional e intersetorial, no reconhecimento dos determinantes sociais da saúde e na consolidação de uma prática humanizada, crítica no âmbito do SUS e articulação de diferentes saberes.
Metodologia
Para isso, adota-se uma abordagem qualitativa fundamentada na metodologia da história oral temática, que, por meio da valorização da escuta das narrativas individuais e coletivas, permite a construção de um acervo de memórias que expressa não apenas os fatos, mas também os sentidos atribuídos às vivências pelos próprios sujeitos (MEIHY & HOLANDA, 2007), utilizando entrevistas semiestruturadas como principal instrumento de coleta dessas experiências ao longo da história da JUS. As entrevistas, que ainda estão sendo avaliadas pelo comitê de ética e pesquisa da devida instituição, exploraram quatro eixos principais, sendo aquele que será dado foco neste trabalho é o eixo “Contribuições para o processo de aprendizagem de temas centrais à formação em saúde”.
Resultados e Discussão
As entrevistas serão submetidas a uma análise que permita a categorização temática das respostas e a identificação de possíveis impactos na formação dos participantes.
Conclusões/Considerações Finais
Diante do exposto, a pesquisa em curso pode apontar para a relevância da JUS (e de projetos de extensão universitária semelhantes) como espaço privilegiado de formação interprofissional e intersetorial. Ao articular ensino, serviço e comunidade por meio de uma prática dialógica e territorializada, o projeto demonstra potencial para consolidar competências essenciais à atuação crítica e humanizada no âmbito do SUS. A metodologia da história oral temática, ao privilegiar a escuta das narrativas dos sujeitos, revela-se ferramenta adequada para apreender os sentidos atribuídos às vivências de extensão, permitindo identificar de que modo tais experiências incidem na formação acadêmica, profissional e pessoal dos discentes.
Realização: