Programa - Comunicação Oral - CO12.5 - Experiências formativas, permanência e identidade acadêmica
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
CONTEMPLANDO A PERMANÊNCIA NA PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA
Comunicação Oral
1 UFBA
Contextualização
Nas últimas décadas, houve forte expansão do Sistema Nacional de Pós-Graduação no Brasil (SNPG), que, contudo, não alcançou a necessária superação das desigualdades sociais no acesso e na permanência discente. As pressões e conflitos vivenciados na pós-graduação intensificam problemas de saúde mental e bem-estar entre os estudantes, dificultam seu processo de afiliação e inibem práticas mais acolhedoras às suas experiências. Nesse contexto, embora as conquistas das políticas afirmativas no SNPG sejam inegáveis, a garantia de uma permanência qualificada ainda desafia a reparação histórica almejada, especialmente em espaços acadêmicos marcados pela branquitude e pela heterocisnormatividade. Tal cenário é ainda mais crítico nos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PGSC), pois evidencia contradições fundamentais com os seus princípios e valores. Torna-se relevante conhecer as experiências atuais na PGSC brasileira e colocar em perspectiva aspirações futuras, visando construir, coletivamente, uma formação pós-graduada cada vez mais dialógica, inclusiva e diversa.
Descrição
Convidamos discentes, docentes e coordenadores dos PGSC a contemplarem suas experiências e sonharem horizontes possíveis para a formação pós-graduada em saúde coletiva, tendo em perspectiva a permanência estudantil. Foram empregadas dinâmicas diversas como meditação guiada e escuta profunda, realizadas individualmente ou em grupos, seguidas de registros escritos e compartilhamentos orais. A oficina orientou-se pela metodologia “Trabalho Que Reconecta” (TQR), formulada por Joanna Macy, ecofilósofa e ativista ambiental com atuação nos campos da ecologia profunda, pensamento sistêmico e filosofia budista. Essa metodologia envolve quatro etapas: 1. Apreciar, a partir do cultivo da presença; 2. Honrar as experiências de dor; 3. Ver com novos olhos; 4. Seguir adiante, a partir de ação coerente com o horizonte sonhado. A oficina foi dinamizada por dois profissionais com atuação na PGSC e experiência consolidada nas práticas oferecidas, os quais lideram o “Grupo de pesquisa em práticas contemplativas para o bem-viver, cuidado e sustentabilidade na educação superior – CONTEMPLEDUCA”.
Período de Realização
Oficina realizada no 14ª Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva”, em 29 de novembro de 2025, em Brasília.
Objetivo
Descrever e analisar a oficina “Contemplando a permanência no ecossistema da pós-graduação”, desenvolvida no 14ª Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva”, em 29 de novembro de 2025, em Brasília.
Resultados
Participaram da oficina 12 das 32 pessoas inscritas, dentre as quais: onze mulheres e um homem; quatro coordenadoras, três docentes, quatro estudantes de PGSC e uma pessoa quilombola, discente de outro curso de PG. Oito destes programas são acadêmicos e quatro profissionais; quatro são da região norte, quatro do nordeste, três do sudeste e um não foi informado. Os participantes destacaram como desafios para a permanência estudantil: a existência de um “não-lugar para mim” e o despreparo para exigências acadêmicas; a invisibilização de questões pessoais e emocionais; adoecimento; dificuldade com escrita acadêmica; incompatibilidade entre exigências do trabalho e do PPGSC; excesso de burocratização; escassez de recursos e desigualdades na sua distribuição entre os programas e estudantes (bolsas, apoios, etc.); elevação constante do nível de exigência da CAPES e dos programas, com expectativa de respostas em tempos cada vez mais curtos; escassez de tempo para investir na docência, leituras e formação. Dentre os incentivos à permanência, foram destacados: realização de um sonho; convívio com outros estudantes; experiências positivas de escrita e de orientação; potência transformativa do encontro com a docência, pesquisas e publicações; contribuição para o trabalho; trocas de saberes e acolhimento institucional; satisfação em abrir caminhos para outros; possibilidade de sonhar com mudanças na PG e no mundo e de se envolver em lutas coletivas que rompem com a tradição.
Aprendizado e Análise Crítica
A discussão sobre as experiências formativas e permanência na PGSC despertam interesse, mas tendem a ser secundarizadas nas atividades acadêmicas. As práticas contemplativas e o TQR foram potentes para contemplar as experiências na PGSC. Os desafios e incentivos à permanência apontam para contradições entre as expectativas, processos e condições formativas, assim como para uma forte motivação e compromisso com a formação em saúde coletiva. Como diz bell hooks “o que não podemos imaginar não pode vir a ser”. Portanto, a possibilidade de sonharmos juntos horizontes possíveis para a os PGSC se apresentou como um passo na superação dessas contradições e na construção de uma formação mais inclusiva e diversa em saúde coletiva.
ESCREVER PARA PERMANECER: UMA EXPERIÊNCIA DE COMUNIDADE E DE CUIDADO NA PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA
Comunicação Oral
1 UFBA
2 IUFBA
Contextualização
Apesar da centralidade da escrita científica para o processo de afiliação estudantil na pós-graduação, a elucidação de suas etapas, assim como o treino de habilidades de composição textual, costuma ser ignorada nos espaços formativos. A ausência de ofertas específicas que preencham essa lacuna e que permitam a expressão de experiências relativas ao processo de escrita na pós-graduação participam de uma cultura de silenciamento que, frequentemente, pode resultar em quadros de sofrimento, bloqueio ou mesmo evasão estudantil. A transformação desse cenário se torna ainda mais urgente com o acesso recente de populações historicamente excluídas da pós-graduação brasileira e que enfrentam diferentes desafios relacionados à permanência.
Descrição
O LAB Escritas é uma comunidade de práticas inaugurada em 2023 para acompanhamento dos processos de escrita na pós-graduação e que, desde 2025, integra a grade curricular enquanto componente optativo para os cursos de mestrado e doutorado acadêmicos do Instituto de Saúde Coletiva. Orientado pelos princípios da pedagogia contemplativa e pelo método da auto-organização entre pares, privilegia a escuta atenta das necessidades e experiências de seus participantes, assim como sua autonomia, a qual se expressa na co-construção dos temas a serem trabalhados a cada semestre. O LAB se desenvolve em encontros semanais que preveem diferentes atividades, tais como: apreciação coletiva de produções textuais de seus membros, leitura e discussão de referências sobre o tema da escrita científica e práticas de atenção plena.
Período de Realização
2023 - atual
Objetivo
Problematizar uma experiência em andamento, intitulada LAB Escritas, destinada a contribuir para a mudança desse cenário no contexto do Programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (PPGSC/ISC-UFBA).
Resultados
Os relatos de seus participantes destacam, como resultados dessa experiência: estímulo ao desenvolvimento da autoria e criatividade na produção textual; promoção da escrita confortável; redução de bloqueios de escrita e do sofrimento associado a esta; diminuição da solidão acadêmica; benefícios à saúde mental e emocional; aumento do engajamento e do senso de pertencimento à pós-graduação.
Aprendizado e Análise Crítica
Para além da qualificação técnica dos processos de escrita, o LAB Escritas tem atuado para o acolhimento e o cuidado da comunidade acadêmica, ao cultivar um espaço ao mesmo tempo solidário, diverso e, sobretudo, seguro. Nesse sentido, tem desempenhado um papel relevante na superação de desafios acadêmicos por meio do fortalecimento da coletividade, configurando-se como um espaço que resiste à cultura de isolamento e de competitividade entre pares. Ao reconhecer que a escrita é elemento central à constituição da identidade pós-graduada, reafirma seu compromisso com a promoção da saúde e da equidade no âmbito universitário, acolhendo a pluralidade de experiências estudantis. Recomenda-se a ampliação de iniciativas semelhantes, que favoreçam a criação de ambientes seguros, comunitários e inclusivos na pós-graduação.
ENTRE O PROTOCOLO E O VÍNCULO: VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES DA SAÚDE E DAS CIÊNCIAS SOCIAIS NO PET-SAÚDE EQUIDADE
Comunicação Oral
1 UNEB
2 SMS Salvador-BA
Contextualização
Apesar dos avanços no que tange às políticas sociais e antimanicomiais em saúde, o modelo biomédico ainda é reproduzido no ensino superior e no cotidiano de trabalho no SUS. Essa abordagem, ao defender a suposta "neutralidade" do fazer científico, desconsidera a influência de aspectos sociais, culturais e subjetivos que impactam na saúde do indivíduo. Nesse sentido, o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde e Equidade (PET-Saúde Equidade) buscou valorizar tais dimensões na produção do cuidado às trabalhadoras do SUS, integrando estudantes das Ciências Sociais e das áreas da saúde, como Farmácia, Fisioterapia, Medicina, Nutrição e Psicologia. Essas ações e estudos se desenvolveram de forma interdisciplinar, produzindo um espaço de troca de saberes e reflexões críticas ao cuidado. As ações do GT3 se direcionaram às trabalhadoras e trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), uma conquista política importante da luta antimanicomial brasileira, mas que, na prática, apresenta profissionais sobrecarregadas e adoecidas pelo próprio sistema que buscam transformar, em decorrência de condições institucionais de trabalho e da sobrecarga imposta pela lógica capitalista.
Descrição
O PET-Saúde Equidade desenvolveu reuniões, visitas técnicas, discussões teóricas e oficinas sobre saúde mental, saúde dos trabalhadores e SUS, contemplando os atravessamentos das questões de gênero, raça/racismo e sexualidades, numa perspectiva interseccional. As ações foram construídas de forma interdisciplinar, com estudantes da Saúde e Ciências Humanas, docentes, gestores de saúde e profissionais da RAPS.
Período de Realização
As ações extensionistas foram desenvolvidas ao longo de quase dois anos, entre junho de 2024 e abril de 2026.
Objetivo
Relatar experiências e os desafios da interdisciplinaridade entre estudantes de Saúde e Ciências Sociais de uma universidade pública no contexto de desenvolvimento das ações do PET-Saúde Equidade.
Resultados
A partir das leituras prévias e discussões nas reuniões, a interação entre estudantes de áreas distintas possibilitou a construção coletiva de análises sobre a saúde mental do trabalhador e seus recortes sociais. Esse processo revelou desafios, como a dificuldade de estudantes de Ciências Sociais no entendimento das diretrizes do SUS, leis e portarias da RAPS, e por outro lado, os discentes de saúde apresentaram dificuldades na compreensão de leituras mais densas e conceituais das áreas de sociologia e filosofia. Os estudantes de Ciências Sociais contribuíram para problematizar normas e aparatos científicos, mostrando que compreender a construção social dos processos é fundamental para ampliar o cuidado em saúde mental de forma crítica e contextualizada. Para os estudantes da saúde, a vivência em um contexto no qual tradicionalmente é difundido o discurso de imparcialidade e objetividade, permitiu compreender as dinâmicas sociais e políticas que perpassam as instituições de saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
O intercâmbio entre as Ciências Sociais e a Saúde aprofundou a compreensão dos impactos dos determinantes sociais e das condições de vida no cuidado em saúde, demonstrando que são dimensões indissociáveis. Nessa perspectiva, a experiência evidenciou que as “tecnologias leves”, como vínculo, escuta e confiança, foram essenciais para a interpretação do grupo sobre os fatores biológicos, psicológicos e sociais na determinação da construção de saúde e doença. Essa troca de saberes mobilizou conteúdos vivenciados na graduação, articulou experiências e fortaleceu o trabalho em equipe. Ademais, as ações extensionistas do PET-Saúde Equidade favoreceram a integração entre os estudantes destas áreas, produzindo ações interdisciplinares e interprofissionais respeitosas, integradoras e profundas. Em todas as atividades desenvolvidas, estimulou-se o protagonismo estudantil na produção das oficinas com as trabalhadoras dos serviços de saúde mental, valorizando seus olhares e críticas em torno dos desafios do trabalho em saúde mental. O PET-Saúde Equidade demonstrou como a integração entre diferentes áreas de conhecimento permitiu uma maior qualificação não apenas da formação dos estudantes, mas também ampliação de conhecimento para aprimoramento do SUS.
ENTRE PROJETOS FORMATIVOS E PRÁTICAS EM SAÚDE: O PET-SAÚDE EQUIDADE EM DIÁLOGO COM AS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
Comunicação Oral
1 UFAL
2 Secretaria Municipal de Saúde de Maceió
Contextualização
A formação em saúde no Brasil, embora se sustente nos princípios da Saúde Coletiva, ainda encontra dificuldades para incorporar, de forma concreta, abordagens que articulem as dimensões sociais, culturais e políticas do cuidado. Na prática, mantém-se modelos formativos com forte influência biomédica e limites no reconhecimento da diversidade de saberes e sujeitos. Nesse cenário, iniciativas que aproximam diferentes áreas do conhecimento contribuem para problematizar essas lógicas e ampliar as possibilidades da formação em saúde.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência, de natureza qualitativa, construído a partir da sistematização das atividades desenvolvidas no período de maio de 2024 a março de 2026. A experiência envolveu estudantes dos cursos da Saúde e das Ciências Sociais e Humanas, docentes e profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), no contexto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) inserida em território marcado por vulnerabilidades sociais. As ações incluíram encontros formativos, letramentos críticos, atividades em território e construção coletiva de projetos, orientadas por abordagem etnográfica, compreendida, à luz de Maluf, Silva e Silva (2020), como estratégia potente para compreender os diferentes modos de lidar com os processos de saúde e adoecimento, por meio das práticas, saberes e experiências dos sujeitos, bem como para problematizar as respostas institucionais e governamentais, nem sempre orientadas ao cuidado e à garantia de direitos. As atividades foram desenvolvidas a partir da integração ensino-serviço-comunidade no âmbito do SUS.
Nesta edição, o PET-Saúde voltou-se à valorização de trabalhadoras/es do SUS, orientando-se por uma perspectiva interseccional que considera gênero, identidade de gênero, sexualidade, raça, etnia e deficiência, articulando-se em três eixos: valorização de trabalhadoras/es e futuras/os trabalhadoras/es no SUS; saúde mental e violências relacionadas ao trabalho; e acolhimento e valorização no contexto da maternagem (BRASIL, 2023).
Período de Realização
Maio de 2024 a março de 2026.
Objetivo
Este trabalho tem como objetivo propiciar uma reflexão sobre as contribuições do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde com a pauta da equidade (PET-Saúde: Equidade) para a formação em saúde, a partir da inserção de estudantes das Ciências Sociais e Humanas no grupo tutorial(GT4), vinculado à Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em articulação com a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió-AL.
Resultados
A inserção das Ciências Sociais e Humanas no grupo evidenciou tanto potências quanto desafios na formação em saúde. A convivência entre estudantes com trajetórias diversas ampliou a compreensão da equidade e do cuidado, ao trazer para o centro dimensões historicamente secundarizadas na formação. Ao longo do processo, temas como interseccionalidades, maternagem, saúde mental, trabalho e desigualdades, incluindo reflexões sobre o capitalismo patriarcal, passaram a atravessar as discussões e práticas, tensionando leituras mais restritas do cuidado em saúde.
Aprendizado e Análise Crítica
Como aprendizados, destaca-se que o PET-Saúde Equidade contribuiu para fortalecer a Saúde Coletiva na formação ao aproximar universidade, serviços e território e ao ampliar as possibilidades de atuação profissional. Observou-se, sobretudo, a ampliação do reconhecimento da saúde como campo também possível para estudantes das Ciências Sociais e Humanas, deslocando fronteiras tradicionalmente estabelecidas na formação.
Como análise crítica, a experiência evidencia um descompasso entre os projetos formativos orientados pela Saúde Coletiva e sua materialização nas práticas de ensino. Ao mesmo tempo, indica que iniciativas como o PET-Saúde operam como dispositivos importantes para aproximar as instâncias serviços e universidades, ao favorecer encontros entre diferentes saberes, sujeitos e territórios. A continuidade das ações, neste ano de 2026, com o PET-Saúde: Clima, sinaliza a possibilidade de aprofundar essas articulações, mantendo a perspectiva interdisciplinar, interprofissional e intersetorial, com participação de estudantes, docentes e profissionais de diferentes áreas, fortalecendo a integração ensino-serviço-comunidade e a orientação à equidade no enfrentamento das emergências climáticas e ambientais no SUS.
IMAGINÁRIOS SOCIAIS E CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA NA REDE PROFSAÚDE: INTERCULTURALIDADE, TERRITÓRIOS E FORTALECIMENTO DO SUS
Comunicação Oral
1 FIOCRUZ
Apresentação/Introdução
Este estudo, em desenvolvimento no âmbito de um estágio pós-doutoral, analisa os imaginários sociais que configuram a identidade do Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde), enquanto programa de pós-graduação stricto sensu organizado em rede nacional, no contexto de sua consolidação como política de formação no campo da Atenção Primária à Saúde no Brasil. Parte-se da compreensão de que os imaginários sociais, conforme Cornelius Castoriadis (1975), constituem significações que estruturam a vida social, sustentam instituições e orientam formas de pertencimento. Em diálogo com essa abordagem, Manuel Antônio Baeza (2000; 2003; 2022) os define como matrizes de sentido historicamente configuradas, responsáveis por organizar a realidade social e dar suporte a discursos, relações e dinâmicas entre os atores.
No caso da Rede PROFSAÚDE, esses imaginários se expressam nas formas de organização da rede, na cooperação entre instituições e na construção de sentidos compartilhados entre seus participantes. Nesse contexto, é possível distinguir entre imaginários instituídos, que conferem estabilidade às formas sociais, e imaginários instituintes, que impulsionam mudanças e novas formas de organização. Os primeiros se evidenciam na consolidação do SUS como referência estruturante da formação e na valorização do modelo de formação em rede e da cooperação interinstitucional; os segundos manifestam-se nas iniciativas que promovem maior integração entre diferentes territórios, na incorporação da interculturalidade e no reconhecimento de saberes diversos, aspectos que vêm contribuindo para a construção e o fortalecimento da identidade institucional da Rede no campo da Saúde Coletiva.
Objetivos
O objetivo do estudo é analisar como esses imaginários contribuem para o fortalecimento da Rede PROFSAÚDE, considerando vínculos, cooperação interinstitucional, diversidade territorial e desafios contemporâneos do SUS.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório-interpretativo, em fase inicial, que articula análise documental, entrevistas com atores da rede e grupos focais com discentes e egressos, orientada por categorias como pertencimento, cooperação, interculturalidade e construção identitária em rede.
Resultados e Discussão
Resultados preliminares indicam que o fortalecimento da Rede PROFSAÚDE se sustenta na produção de sentidos compartilhados entre seus participantes, evidenciados em espaços de articulação como encontros nacionais da rede, incluindo o Encontro Nacional da Rede PROFSAÚDE de 2026. Estudos anteriores (FACCHINI et al., 2020; GUILAM et al., 2020; TEIXEIRA et al., 2020; TEIXEIRA, 2021; TEIXEIRA, 2022; TEIXEIRA et al., 2023a; TEIXEIRA et al., 2023b; GOMEZ et al., 2023; NASCIMENTO, 2024; TEIXEIRA et al., 2025) apontam sua consolidação como formação em rede nacional e sua relevância para o SUS, especialmente no que se refere à organização interinstitucional e à inserção na Atenção Primária. Observa-se, ainda, a valorização da cooperação interinstitucional, da circulação de saberes e do reconhecimento mútuo como elementos estruturantes da identidade em rede, com destaque para a centralidade dos territórios e da diversidade regional na produção desses sentidos.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que os imaginários sociais desempenham um papel relevante na sustentação da Rede PROFSAÚDE, ao articular dimensões institucionais e experiências compartilhadas que contribuem para a construção de sua identidade como formação em rede. A produção de sentidos entre os participantes favorece dinâmicas de pertencimento, cooperação e integração entre diferentes territórios, elementos que fortalecem a consolidação da rede no campo da Saúde Coletiva. Nesse contexto, a valorização da diversidade regional, da interculturalidade e da circulação de saberes se apresenta como aspecto central, especialmente diante de desafios contemporâneos como as desigualdades territoriais e a necessidade de fortalecimento do SUS.
Realização: