Programa - Outras Linguagens - OL3 - Territórios Urbanos, Memória e Resistência na Cidade
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
CARTOGRAFIAS DOCUMENTAIS DO ABANDONO E DA RESISTÊNCIA URBANA
Outras Linguagens
1 FSP - USP
Processo de escolha do tema e de produção da obra
A obra originou-se das vivências de "Andanças" realizadas entre setembro/2025 e fevereiro/2026 no centro de São Paulo. A escolha do tema pautou-se na urgência de documentar a Quadra 48, território que abriga as últimas pensões da antiga Cracolândia e que se tornou alvo de desapropriação pelo projeto do novo Centro Administrativo (PPP Campos Elíseos). O vídeo foi produzido a partir de caminhadas documentais, utilizando o audiovisual como ferramenta de cartografia dos saberes produzidos em movimento para registrar a materialidade da cidade e a voz de seus moradores. A produção buscou captar o contraste entre o patrimônio histórico e a produção ativa da precariedade.
Objetivos
O vídeo documental objetiva visibilizar as situações de ameaça social e vulnerabilização na região da Luz, analisando como o abandono estrutural e a violência estatal impactam nas vivências no território. Busca-se, por meio da linguagem artística, denunciar a inversão de prioridades do Estado — que investe em vigilância digital (SMART SAMPA e Muralha Paulista) em detrimento do cuidado — e registrar as estratégias de resistência e cuidado em liberdade produzidas no território.
Ano e local da produção
setembro/2025 e fevereiro/2026, São Paulo, território da Luz/Quadra 48.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
Sob a ótica da Saúde Coletiva, o vídeo revela que o adoecimento na Luz é indissociável da produção social do espaço e da ecologia política dos riscos. A obra retrata as pensões como espaços de sobrevivência que resistem à gentrificação, configurando o que Biehl descreve como "zonas de abandono" produzidas para concentrar vulnerabilidades. A análise crítica contida no documentário articula o conceito de panoptismo de Foucault à implementação de algoritmos de reconhecimento facial, demonstrando um controle disciplinar que marginaliza corpos racializados. Em contraposição, o vídeo registra "fissuras urbanas" e "zonas de aceitação", onde o fazer artístico e coletivos como Mulheres da Luz e Teatro de Contêiner Mungunzá reinventam a vida e o direito à cidade.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
Vídeo documental com duração de até 15 minutos:
https://drive.google.com/drive/folders/11OLNlSW2vgILT3F3c747Pm3_ZdWsGl52?usp=sharing
Breve biografia do/a autor/a
Grupo interdisciplinar composto por estudantes e docente do curso de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), vinculados ao Departamento de Saúde Ambiental, dedicados à pesquisa-ação e cartografias sociais sobre justiça socioambiental e direitos humanos em territórios vulnerabilizados.
MERIDIANO - UM ENSAIO INTIMISTA SOBRE MEMÓRIA E PERTENCIMENTO NA CIDADE DE PORTO ALEGRE/RS
Outras Linguagens
1 UFRGS
Processo de escolha do tema e de produção da obra
O curta-metragem foi produzido como componente do processo avaliativo da disciplina ‘Antropologia e Imagem’, ofertada na Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Nasce do desejo de realizar uma reflexão e exploração intimista das relações entre corpo, espaço, memória e pertencimento. Afastando-se de um roteiro visual engessado, o processo metodológico e criativo do filme adotou um caminho inverso: a obra nasceu primeiro da escuta. A ‘espinha dorsal’ da narrativa foi erguida a partir de cinco questões suleadoras, em formato de texto, elaboradas por Ricardo e direcionadas a Zuriyê, que traduz sua própria experiência e relação com a cidade em respostas subjetivas, também em formato de texto. A partir destas respostas, Ricardo propõe a Zuriyê a experimentação de colocar sua própria voz narrando-as, deixando então de ser apenas um “informante” e tornando-se um coautor e detentor de sua própria representação. O texto escrito organiza o pensamento, mas é a voz - com suas pausas, respirações, hesitações e entonações - que devolve o corpo e o afeto à palavra. É ela quem dita o ritmo da cidade, transformando a câmera em uma ouvinte que caminha por Porto Alegre tentando capturar o que a palavra desenha através de suas ressonâncias.
A captação de imagens para Meridiano assumiu a forma de uma cartografia afetiva e efêmera, realizada em um único dia pelas ruas de Porto Alegre. Com a narração e as respostas de Zuriyê ecoando na mente, a câmera não buscou ilustrações literais, mas correspondências subjetivas. Ao vagar pelo espaço urbano, o olhar permitiu-se ser guiado menos por um roteiro geográfico e mais pela ressonância emocional do texto.
Nesse processo, a própria materialidade de Porto Alegre foi lida como um roteiro aberto. No entanto, a cidade não é apenas um cenário passivo ou poético; ela impõe sua materialidade de forma abrupta. O fato de a equipe ter sido atravessada pela violência urbana durante a produção das imagens materializa brutalmente as tensões inerentes à pesquisa antropológica. Esse "imprevisto" apaga a fronteira segura entre quem filma e o que é filmado. O filme, assim, carrega em sua gênese não apenas a representação da cidade, mas a cicatriz do contato direto com ela.
Objetivos
O objetivo de Meridiano é cartografar, de forma sensível e visual, a experiência de pertencimento, trânsito e vulnerabilidade de uma pessoa no espaço urbano de Porto Alegre. Situado na intersecção entre a Saúde Coletiva e a Antropologia Visual, o curta busca subverter a lógica tradicional de pesquisa ao descentralizar o olhar da pessoa pesquisadora, utilizando a escuta, a autoria compartilhada e a deriva pela cidade para materializar como o território é subjetivamente sentido, negociado, habitado e corporificado.
Ano e local da produção
Porto Alegre, novembro de 2025.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
Considerando o contexto macrossocial que vivemos atualmente, em cenários de guerras, rupturas e desesperança sistêmica, nos implicamos em dizibilizar esses aspectos em globalidades locais, uma vez que, ao relacionar o direito à cidade com afetos subjetivos - ao mesmo tempo plurais - e marcadores sociais de quem produz, apresentamos a proposta de (re)pensar e denunciar Porto Alegre em perspectiva interseccional e decolonial, à medida que buscamos pontos de encontro, movimentos de respiro e potência comunitária. Mesmo a equipe sendo composta por três pessoas, Meridiano é construído sobretudo através da memória, e toda memória é coletiva (Halbwacks, 2004).
As memórias narradas transcendem eventos históricos e situados, trata-se de significações, pertencimento e estratégias coletivas para gingar com/no território urbano. Também, sabe-se que a memória é um dos constituintes fundamentais e fundadores da identidade. Então, quais expressões destas são possíveis em territórios onde as violências circundam a vida de sujeitos e comunidades?
Dessa forma, Meridiano busca suscitar diálogos que abordam aspectos culturais através das vivências de um corpo racializado e dissidente de gênero que se propõem a olhar com cuidado para a relação com a cidade e território que se vive - remontando memórias, tensionando a linguagem e elaborando como esses atravessamentos potencializam e fragilizam a produção de saúde.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
Apresentação de Vídeo em MP4, requer conexão com a Internet, saída de vídeo e som.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=e4SkaKum848
Breve biografia do/a autor/a
Ricardo Lubisco é um homem cisgênero, branco, Produtor Audiovisual, Sanitarista e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva na UFRGS.
Victor Souza é um homem cisgênero, branco, Técnico em Audiovisual, Historiador da Arte formado pela UFRGS e crítico de cinema, membro da ACCIRS e de diversos cineclubes locais.
Zuriyê Medeiros, filho de Elizete e Carlos, é não-binário transmasculino, bissexual, pardo/negro. Terapeuta Ocupacional especializado em Saúde da Família e Comunidade, atualmente mestrando no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e trabalhador da RAPS no SUS.
XAMANINHO: O GRAFFITI COMO FORMA DE (RE)EXISTÊNCIA E AFIRMAÇÃO DE UMA CIDADE VIVA EM CONTEXTOS DE ANTI-DEMOCRACIA
Outras Linguagens
1 FURB
Processo de escolha do tema e de produção da obra
A obra que será analisada foi produzida ao longo de 5 anos na cidade de Blumenau. A proposta que está sendo aqui apresentada é a realização de uma análise crítica de determinadas inscrições de graffiti realizadas na cidade de Blumenau que tiveram início no período da pandemia (2020) e se estendem até os dias atuais. Por meio das obras em questão é possível problematizar o lugar que é atribuído à arte e à diferença na cidade de Blumenau, pois, na medida em que o graffiti cresce na cidade, as políticas de apagamento e discursos de ódio passam a proliferar, discursos esses atravessados pela xenofobia e intolerância. Pretende-se, também, afirmar a arte enquanto dispositivo de promoção de saúde e de pesquisa em Psicologia. A escolha da obra se deu, pois acredita-se que ela engaja com a proposta do congresso nas questão de produção de tecnologia social, de território e promoção de saúde a partir dos movimentos sócio-culturias. A obra possibilita, ainda, pensar a produção cultural na cidade de Blumenau em tempos de pandemia e problematizar as políticas de extermínio das práticas políticas hegemônicas.
Objetivos
Tensionar o direito à cidade em Blumenau a partir da experiência do graffiti;
Afirmar o graffiti enquanto dispositivo de promoção de saúde em sua intersetorialidade com arte e cultura;
Problematizar a cultura do graffiti enquanto território de formação ética-estética-política.
Ano e local da produção
2000 a 2026 na cidade de Blumenau/SC.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
O graffiti, sendo um movimento social e cultural amplo e diverso, pode ser analisado a partir de diferentes óticas que nos conduzem a distintas compreensões e reflexões sobre os seus efeitos na cidade e nas suas instituições. A dimensão do graffiti que interessa à problemática desse trabalho, são os enlaçamentos coletivos que ampliam os modos de ser e pertencer ao espaço urbano, que por sua vez são condições pilares para a construção de uma cidade que cuida e afirma o afeto enquanto valor. A cidade de Blumenau, localizada no Vale do Itajaí em Santa Catarina, possui uma média de 385.558 habitantes segundo estimativa realizada pelo IBGE em 2025, e assim como diversas outras cidades do sul e sudeste, vêm assumindo nos últimos anos posturas políticas de perseguição à cultura do graffiti, com ações de apagamento, higienização, propagação de ódio nas mídias e sanções desproporcionais. Uma análise crítica permite afirmar que tais políticas não afetam apenas os grafiteiros e grafiteiras em sua individualidade, mas prejudicam principalmente a dimensão social e coletiva que o constitui, pois a lógica do apagamento produz o assujeitamento a uma cidade triste, reduzida em potencial ético-estético-político, além de impor uma cidade menos plural e verticalizada. Do mesmo modo, a presença do graffiti na cidade extrapola o ganho de um ou outro indivíduo, pois seus signos, se lidos pelo sensível, inscrevem pistas e códigos de compreensão da lógica social que compõem os espaços da cidade, espaços que adoecem e curam, excluem e abraçam, oprimem e acolhem, em um processo dialético cujas forças de insurreição se ampliam quando impulsionadas pela arte, pelo pertencimento e pela ação coletiva. A experiência com o graffiti que se pretende problematizar nesse trabalho, movimenta práticas em educação, saúde e pesquisa acadêmica na cidade de Blumenau, ao mesmo tempo em que é criminalizada, denunciada e apagada por diferentes iniciativas do poder público e privado, sendo, por esse motivo, importante tema de debate sobre democracia e afirmação no campo das ciências sociais, sendo a educação, a saúde e a cultura setores cuja articulação se faz urgente.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
A apresentação será realizada por meio de uma exposição de fotografias que dão visibilidade à reflexão crítica e aos tensionamentos que o graffiti vem produzindo na cidade de Blumenau/SC. As fotografias que compõe a apresentação foram tiradas ao longo dos últimos anos e retratam obras de um grafiteiro em diferentes plataformas urbanas. As fotografias serão projetadas em powerpoint, portanto os suportes necessários são projetor e computador. As mesmas fotografias que serão projetadas na apresentação, serão levadas impressas para que fiquem disponíveis e expostas a outras pessoas do congresso, caso haja viabilidade no local.
Breve biografia do/a autor/a
Renan De Vita é professor de Psicologia Educacional e Psicólogo Social. Desenvolve pesquisas em que a formação ética, estética e política são os principais norteadores e o graffiti a principal linguagem. Desenvolveu as pesquisas de mestrado e doutorado com adolescentes em contextos sociais e de cumprimento de medidas socioeducativas. Atualmente está inserido em projetos de extensão em CAPS e presídios, desenvolvendo atividades em interlocução com Saúde Mental e Arte. No universo do graffiti é conhecido como Xamaninho, cuja obra estampa a interculturalidade de elementos ancestrais e da ética de conduta das pessoas que vivem a cidade. Na sua vida o graffiti não é hobbye, profissão ou adereço, mas uma forma de resistir diante do absurdo de nossos tempos.
RECORTAR PARA RECONTAR OUTRAS NARRATIVAS DE PESQUISAS: O QUE AS PALAVRAS NÃO DIZEM SOBRE FORMAS DE EXISTÊNCIA DE VIVENTES DA RUA
Outras Linguagens
1 FSP - USP
Processo de escolha do tema e de produção da obra
Para relatar cenas e narrativas de pesquisa com viventes de rua, as colagens criadas buscaram trazer outras formas de expressar o que se compreende sobre os modos de se estar em campos de pesquisa. A partir do compartilhamento de percepções e vivências do processo de pesquisar, foi possível produzir outros sentidos e olhares para as redes vivas das relações nas ruas e de entendimento outro da “saúde.” As fotos utilizadas fazem parte de diferentes encontros e partilhas com coletivos que, junto do processo de colagem, trazem perspectivas ampliadas do que não é totalmente possível de ser escrito diante das reflexões das experiências.
Objetivos
Partindo do movimento cartográfico de nossas pesquisas com os viventes de rua buscamos, entre fotos e falas, construir linhas de adensamento e formas constitutivas que dão substância às cenas invisíveis e indizíveis do território no centro da cidade de São Paulo chamado Cracolândia.
Ano e local da produção
2025 - São Paulo, SP
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
Há aproximadamente 10 anos temos nos envolvido e implicado com os viventes de rua da região central de São Paulo - SP. Ancorados ao nosso campo de pesquisa pelo “método cartográfico” (ROLNIK, KASTRUP, KASTRUP & PASSOS), buscamos através dos encontros na/com/pela(s) rua(s) adentrar e dar visibilidades a esses viventes e seus modos de produzir suas existências neste território-mundo, pois cabem muitos mundos. Diante disso, podemos dizer que foram diversos encontros e ainda serão tantos outros, pois nossa pesquisa ainda caminha até meados de 2026. Assim, diante dessa “poética das relações” (GLISSANT,) buscamos dar nuances a certas opacidades indizíveis e intraduzíveis.
Desde nosso primeiro pouso no Território Cracolândia pudemos observar transformações na dinâmica da paisagem psicossocial. Nossa aproximação com os viv(entes) da rua, se deu inicialmente com a pesquisa Rede de Avaliação Compartilhada (RAC) que acompanhou a formação das Redes Vivas de Cuidado dos usuários dos serviços de saúde na região sudeste de São Paulo. Desde então, foram diversos lugares e calçadas da vida, dentre eles, estivemos com Equipes de Consultório na Rua, na Praça Chão de Giz (situada entre as avenidas Duque de Caxias e São João - São Paulo/SP), no Movimento da População de Rua, no Comitê de Saúde para População de Rua, Associação Teto, Trampo e Tratamento (TTT), Coletivo Tem Sentimento; Bar da Nice, e apresentações do Pagode na Lata. Através desta inserção vivaz imergimos e desse mergulho emergimos trazendo diários de campo, fotos, falas, narrativas, dissertações e teses, todas produções com o povo da rua.
Nesse sentido, o espaço de partilha do sensível e a problematização dos afetos e afecções advindas do campo de pesquisa, que foi constituído nos encontros com pesquisadores da FSP-USP, nos possibilita construir novas e diferentes ideias sobre saúde, cuidado e pesquisar. Nossos relatos buscam dar forma ao que compreendendo nas cenas, bem como as possibilidades de narrativas por nós construídas, em que buscamos desvelar nossas experienciações, inquietações e quanto aos devires em campo. Compartilhamos percepções sobre as vivências através de mídias, desenhos e poemas, produzindo diversos sentidos e olhares para as redes vivas e paisagens psicossociais que constituem a “grande saúde” (NIETZCHE,). Diante disso, a expressividade do que é vivido está para além do que é possível de se dizer em palavras, a formulação de modos de existir cruzam com as experiências subjetivas, constituindo outros sentidos, mundos e campos de possibilidades de produção, expressões e sentires dos desejos. As obras buscam dialogar com as potências de materializar o imaginário e com os mistérios das realidades, a partir de uma perspectiva crítica do que potencializa o que já existe e criativamente produz modos outros de se estar na vida, nos territórios e nas ruas.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
São necessários equipamentos que possam projetar as imagens (https://drive.google.com/drive/folders/1OkoL206XroBYzKJwa2ElOS4FKpGQr4Jk?usp=sharing), sem a necessidade de áudio, mas com a possibilidade de controle de iluminação do espaço para uma melhor visibilidade dos detalhes. Espera-se que as obras dialoguem com outras produções para que seja possível um debate posterior.
Breve biografia do/a autor/a
Sanitarista de formação, mestrando em Saúde Pública na FSP - USP, repensa outros mundos possíveis a partir da fotografia e da colagem.
ENTRE TERRITÓRIO E DIREITOS
Outras Linguagens
1 Fiocruz
Processo de escolha do tema e de produção da obra
A proposta emerge da experiência de concepção e realização da exposição “Abril Indígena Yanomami e Ye’kwana: Território, Emergência Humanitária e Ação dos Centros de Referência em Direitos Humanos”, desenvolvida pela Fiocruz Brasília no contexto do 2º Abril Indígena Fiocruz. A escolha do tema foi orientada pela necessidade de ampliar as formas de comunicação sobre a emergência humanitária vivenciada por esses povos, deslocando a centralidade do discurso técnico para linguagens sensíveis, visuais e narrativas capazes de mobilizar afetos, produzir reconhecimento e tensionar invisibilidades históricas.
O processo de produção constituiu-se como prática inter e transdisciplinar, envolvendo articulação com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, curadoria de imagens e tradução de conteúdos técnicos em linguagem acessível. Realizada na Escola de Governo da Fiocruz, em abril de 2026, a exposição se configura como linguagem híbrida, combinando fotografias, textos curatoriais e recursos audiovisuais, estruturados em percurso narrativo que articula território, modos de vida e respostas institucionais à crise.
Objetivos
OBJETIVO GERAL
Promover divulgação científica acessível sobre o povo Yanomami e Ye’kwana, o contexto da emergência humanitária e o papel dos Centros de Referência em Direitos Humanos, por meio de exposição temática.
Ano e local da produção
A atividade deverá ser realizada impreterivelmente em abril de 2026.
Análise crítica da obra relacionada à Saúde Coletiva e ao tema do Congresso
Do ponto de vista da Saúde Coletiva, a obra tensiona os limites entre ciência e arte ao afirmar a comunicação como prática de cuidado. Ao mobilizar imagens e narrativas, contribui para a construção de uma ecologia de saberes, na qual diferentes racionalidades — técnicas, culturais e simbólicas — se entrelaçam na produção do cuidado e na defesa dos direitos humanos. Ao evidenciar a emergência vivenciada pelos povos Yanomami e Ye’kwana, a exposição convoca o público a um posicionamento ético-político, revelando que as iniquidades em saúde estão intrinsecamente relacionadas a processos históricos de violação de direitos e desigualdades estruturais.A utilização de linguagens sensíveis amplia o alcance da comunicação científica ao mobilizar afetos e produzir identificação, aproximando diferentes públicos de temas complexos e contribuindo para o reconhecimento social dessas populações. Nesse sentido, a experiência dialoga com o campo ampliado da Saúde Coletiva ao reconhecer que o cuidado envolve dimensões simbólicas, culturais e relacionais.
Formatos e suportes necessários referentes à apresentação
A exposição estrutura-se a partir de suportes físicos e digitais. No plano físico, utiliza painéis modulares com fotografias em alta resolução e textos acessíveis, organizados em percurso imersivo com iluminação direcionada. No plano digital, incorpora projeções audiovisuais, ampliando a experiência narrativa. Como suporte de mediação, inclui textos curatoriais e possibilidade de mediação presencial. Para o Congresso, propõe-se apresentação em formato audiovisual, com projeção de imagens e relato performativo da experiência.
Breve biografia do/a autor/a
Cecília Andrade de Melo e Silva é colaboradora da Fiocruz Brasília, com atuação em saúde coletiva, direitos humanos e gestão de políticas públicas. Possui experiência em articulação interinstitucional, coordenação de projetos e comunicação pública da ciência, com ênfase em populações vulnerabilizadas. Sua atuação no projeto de fortalecimento das políticas para povos indígenas fundamenta a concepção da exposição, articulando ciência, arte e direitos humanos como práticas voltadas à promoção da equidade em saúde.
Realização: