Programa - Comunicação Oral - CO7.1 - Envelhecimento na interface entre saúde, ambiente e pluralidade nos territórios brasileiros
17 DE SETEMBRO | QUINTA-FEIRA
13:10 - 14:40
13:10 - 14:40
ALÉM DA FRAGILIDADE: O RASTREIO DE SARCOPENIA COMO ESTRATÉGIA DE CUIDADO E AUTONOMIA NO INTERIOR AMAZÔNICO
Comunicação Oral
1 ISB/UFAM
Contextualização
A sarcopenia é uma condição geriátrica caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular, impactando diretamente a qualidade de vida e a independência funcional da pessoa idosa. No contexto do interior amazônico, onde o acesso a serviços especializados pode ser limitado, o papel das ligas acadêmicas torna-se fundamental para a detecção precoce de agravos à saúde. Esta experiência surge da necessidade de unir o aprendizado da graduação em Fisioterapia à promoção do envelhecimento ativo em territórios onde a geografia impõe desafios extras à mobilidade.
Descrição
A atividade consistiu na aplicação do protocolo SARC-F em 14 pessoas idosas voluntárias. O instrumento investigou domínios como força e resistência física, equilíbrio, propriocepção e incidência de quedas nos últimos 12 meses. Cada item foi pontuado de 0 (nenhuma dificuldade) a 2 (muita dificuldade ou incapaz), gerando escore total de 0 a 10 pontos; valores >4 indicaram rastreio positivo para sarcopenia.
Período de Realização
O relato descreve as ações extensionistas da Liga de Estudos e Intervenção de Fisioterapia em Gerontologia (LEIFIG), da Universidade Federal do Amazonas, realizadas no segundo semestre de 2025 no município de Coari.
Objetivo
Descrever a experiência de rastreio de risco de sarcopenia em pessoas idosas do interior do Amazonas, utilizando o SARC-F como ferramenta de triagem e educação em saúde em uma liga acadêmica.
Resultados
A imersão na comunidade revelou dados significativos sobre a funcionalidade local: o grupo de 14 voluntários que foram avaliados, com idades iguais ou superiores a 60 anos, foi majoritariamente composto pelo sexo feminino (71%; n=10). A soma dos escores resultou em 38 pontos, com média de 2,7 pontos por participante. Com isso, 14,3% (n=2) apresentaram escore >4, sendo classificados com provável sarcopenia; 42,9% (n=6) relataram alguma ou muita dificuldade para levantar ou carregar 4,5 kg, 35,7% (n=5) referiram dificuldade para caminhar dentro de um quarto e 28,6% (n=4) apresentaram dificuldade para levantar-se de uma cadeira ou cama. A subida de 10 degraus de escada foi o domínio mais comprometido com 50,0% (n=7) relatando alguma dificuldade. Quanto às quedas cerca de 35,7% (n=5) informaram uma ou mais quedas no último ano.
Aprendizado e Análise Crítica
A análise dos resultados reforça um comprometimento funcional importante no grupo analisado, onde a aplicação do SARC-F, no contexto da LEIFIG, permitiu identificar indícios claros de sarcopenia que demandam intervenção imediata. O desenvolvimento desta atividade extensionista revelou-se uma estratégia eficaz e dinâmica para o rastreamento de riscos, promovendo orientações para exercícios, educação em saúde e as bases para um acompanhamento multiprofissional focado na redução de quedas e hospitalizações. A principal reflexão crítica reside na urgência de estratégias de prevenção voltadas à saúde gerontológica no interior amazônico, onde o papel da universidade é intervir para interromper a perda de independência, garantindo que a ciência suporte o direito inalienável a um envelhecimento digno. O aprendizado central foi compreender que o cuidado no território deve ser amparado pelo binômio ciência e afeto, honrando aqueles que guardam os saberes e a identidade da nossa região. Nesse sentido, expressamos profundo reconhecimento à Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES por viabilizarem o acesso e os recursos necessários para incentivar este olhar cuidadoso e respeitoso por aqueles que possuem o direito a um envelhecer amparado pela dignidade e pelo conhecimento compartilhado.
DIREITOS HUMANOS, SAÚDE E ENVELHECIMENTO EM COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIROS NO RECÔNCAVO BAIANO.
Comunicação Oral
1 UFRB
Apresentação/Introdução
INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é um fenômeno que acontece a nível mundial. A demanda por novas formas de organizações sociais tem crescido devido ao envelhecimento global. É preciso repensar o envelhecimento como um fenômeno essencialmente social e não reduzi-lo a aspectos meramente cronológicos e biomédicos (Oliveira et al, 2023).
Escorsim (2021) destaca que o processo de envelhecer vai além da condição do ciclo biológico condicionado ao tempo, devendo ser compreendido como um fenômeno humano e social, caracterizado por questões sociais e múltiplos significados culturais construídos na sociedade.
O Programa Nacional de Direitos Humanos (2010) destaca a necessidade de garantir os direitos das pessoas idosas, considerando seus contextos sociais. Nesse sentido, a promoção da equidade em saúde se apresenta como um desafio, reforçado pela Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), que reconhece o racismo e os determinantes sociais como barreiras no acesso aos serviços e à garantia de direitos (Corrêa, 2023).
Objetivos
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Analisar como pessoas idosas de Comunidades Tradicionais de Terreiros no Recôncavo Baiano, percebem e vivenciam os direitos humanos e o direito à saúde.
Objetivos Específicos
Conhecer as percepções e experiências das pessoas idosas de Comunidades Tradicionais de Terreiros de Candomblé acerca dos direitos humanos e do acesso à saúde no Recôncavo Baiano;
Identificar os efeitos das ações de diálogo e da educação em direitos humanos e saúde realizadas com pessoas idosas dessas comunidades, observando impactos na autonomia, autocuidado e participação social;
Metodologia
METODOLOGIA
A metodologia da História Oral foi adotada para o desenvolvimento desta pesquisa. Segundo Santos e Silva (2022), a utilização de narrativas orais possibilita uma aproximação com informações oriundas de indivíduos ou grupos, permitindo a escuta sensível e o acesso aos modos de produção e circulação de saberes e práticas, bem como às trajetórias de vida e aos aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais.
De acordo com Meihy e Holanda (2023), a História Oral fundamenta-se na relação entre entrevistador e entrevistado, possibilitando a compreensão de narrativas e a análise de processos sociais contemporâneos.
A operacionalização da História Oral ocorreu em três etapas. A primeira, denominada pré-entrevista, consistiu no contato prévio com os participantes, com o objetivo de informar sobre data, horário e local das entrevistas. A segunda etapa correspondeu à entrevista propriamente dita, iniciada com acolhimento, apresentação dos objetivos da pesquisa e desenvolvimento do diálogo mediado pelo pesquisador, finalizando com a avaliação do encontro. Por fim, a etapa de pós-entrevista envolveu a análise do material produzido, a validação do conteúdo junto aos participantes e a obtenção de autorização para sua utilização e publicação.
Resultados e Discussão
RESULTADOS
A presente pesquisa contribuiu para a promoção dos direitos humanos e da cidadania de pessoas idosas pertencentes a Comunidades Tradicionais de Terreiros de Candomblé, bem como para a consolidação do acesso à saúde, ao mapear as principais necessidades e os desafios enfrentados por essa população, os quais podem limitar o pleno exercício da cidadania.
Além disso, buscou-se evidenciar as barreiras estruturais no acesso aos serviços de saúde, que impactam diretamente o processo de envelhecimento saudável dessas pessoas. Nesse contexto, destaca-se também o reconhecimento, por meio da troca de saberes e práticas tradicionais, das estratégias de cuidado e cura construídas no âmbito dessas comunidades.
Os resultados apontam que, apesar dos avanços nas políticas públicas voltadas à população idosa, ainda persistem obstáculos significativos no acesso aos serviços de saúde, principalmente para as pessoas idosas que vivem em terreiros de candomblé marcados por desigualdades estruturais, racismo institucional e limitações socioeconômicas. Por outro lado, evidencia-se a potência dos terreiros enquanto espaços de cuidado, acolhimento e produção de saberes, que contribuem de forma significativa para o bem-estar e o fortalecimento dos vínculos sociais.
Conclusões/Considerações Finais
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo possibilitou compreender o envelhecimento como um fenômeno complexo, atravessado por dimensões sociais, culturais, econômicas e políticas. Ao valorizar as narrativas das pessoas idosas, evidenciou-se que o envelhecer, nessas comunidades, está profundamente relacionado às experiências coletivas, aos saberes ancestrais e às práticas culturais que sustentam identidades e modos de vida.
Conclui-se que a promoção de um envelhecimento saudável e digno requer não apenas a ampliação do acesso aos serviços de saúde, mas também o reconhecimento das especificidades culturais e religiosas dessas comunidades, bem como o fortalecimento de políticas públicas intersetoriais que garantam equidade, respeito à diversidade e valorização dos saberes tradicionais.
SOLITUDE E SOLIDÃO: ENVELHECIMENTO E CUIDADO EM SAÚDE NA COMUNIDADE RURAL DO NOVO REMANSO, ITACOATIARA, AMAZONAS
Comunicação Oral
1 UFAM
2 ILMD
Contextualização
O envelhecer, longe de se restringir a um processo meramente biológico, representa uma experiência social, atravessada por relações, territórios e modos de vida. O envelhecimento pode ser compreendido como uma construção que perpassa o curso da vida, marcada por desigualdades, pertencimentos e formas de inserção social. Nesse sentido, experiências como a solitude e a solidão não são simplesmente estados individuais, mas expressões de modos distintos de estar no mundo e de se relacionar com o outro e consigo mesmo. No contexto rural amazônico, essas experiências ganham contornos singulares. As relações sociais, transformações nas dinâmicas familiares e práticas comunitárias de cuidado coexistem com desafios estruturais, como o acesso limitado aos serviços de saúde. Este ensaio propõe uma reflexão sobre o envelhecer em uma comunidade rural da Amazônia, a partir da vivência durante a coleta de dados de estudo sobre o uso dos serviços de saúde por pessoas idosas.
Descrição
Esta experiência foi descrita a partir da vivência nas visitas domiciliares realizadas ao longo do estudo, que incluiu 301 moradores idosos residentes na Vila do Novo Remanso, Itacoatiara, Amazonas. Para coleta de dados sobre uso dos serviços de saúde aplicaram-se questionários estruturados, por meio de entrevista. No espaço do encontro entre pesquisadores e moradores, deu-se a interação, a comunicação dialógica e a relação de confiança que construíram a subjetividade do discurso, que superou as respostas fechadas aos itens do instrumento estruturado. Isso propiciou reflexões e interpretações sobre o envelhecer na comunidade, a solitude, a solidão e as barreiras enfrentadas no uso dos serviços de saúde.
Período de Realização
O trabalho de campo ocorreu no segundo semestre de 2023.
Objetivo
A partir do trabalho de campo, narrar a construção crítica do conhecimento, por parte das pesquisadoras, sobre o envelhecer e o cuidado em saúde.
Resultados
As respostas ao questionário revelaram que uma parcela expressiva das pessoas idosas da comunidade não residia com os demais familiares. A interação com os moradores permitiu às pesquisadoras apreenderem que residir em área rural representa, para eles, calmaria e tranquilidade quando comparado à cidade, mesmo diante do desafio de estarem distantes de filhos e netos. A observação da realidade, a disponibilidade de presença e escuta das pesquisadoras e a subjetividade dos discursos dos moradores permitiram a compreensão que a solitude pode ajudar a promover a autoestima e a dignidade, ao mesmo tempo que deve ser olhada com atenção, em se tratando de pessoas idosas residentes em áreas rurais, diante das necessidades e especificidades impostas pela vida diária, mostrando que existem diferentes formas de retratar o mundo social. Nesse contexto, para além dos riscos individuais, como em caso de acidentes domésticos ou situações de urgência, as limitações e barreiras enfrentadas no uso dos serviços de saúde tornam-se mais desafiadores, em especial para aqueles com comorbidades e dificuldades de locomoção, ou que residem em domicílios mais distantes.
Aprendizado e Análise Crítica
A partir da experiência vivenciada, observou-se que as pessoas idosas possuíam autonomia e conhecimento acerca de suas vidas e condições de saúde. Apesar dos aspectos positivos da solitude, quando não se desenvolvem redes de apoio ou de convivência comunitária, a obtenção de cuidados específicos, seja para promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos, seja para o tratamento e a reabilitação fica prejudicada. As populações rurais enfrentam barreiras complexas que dificultam ou até impedem o uso dos serviços de saúde por pessoas idosas. As longas distâncias tornam os deslocamentos exaustivos e onerosos dentro da rede de atenção. Ainda, a digitalização dos serviços impõe entraves devido ao baixo letramento digital. Para pessoas idosas que residem só, essas barreiras são ainda mais desafiadoras. A vizinhança torna-se a principal rede de apoio e a família por vezes negligencia suas necessidades básicas para uma vida digna. Ressalta-se também a importância do vínculo com os serviços de saúde, em especial com os agentes comunitários. Foi possível perceber que a solitude é um fenômeno complexo, que passa pela escolha voluntária e tranquilidade e pelos desafios impostos pela inadequação social e política que impossibilitam sua completa independência funcional, incluindo limitações no uso dos serviços de saúde. Envelhecer em ambiente rural pode transformar-se em solidão quando há abandono, falta de recursos comunitários, e fragilidade das políticas públicas de saúde. Faz-se necessário que as políticas públicas contribuam para a superação das diversas barreiras de acessibilidade existentes em áreas rurais, bem como para fomentar o fortalecimento do convívio e das redes de apoio social. Uma rede de cuidado que respeite as especificidades dos territórios rurais deve garantir que a tranquilidade do campo não se transforme em abandono e desassistência, permitindo às pessoas idosas longevidade com autonomia e qualidade de vida.
IDADISMO CLIMÁTICO: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA
Comunicação Oral
1 UEFS
Apresentação/Introdução
INTRODUÇÃO: O idadismo envolve preconceito, estereótipo e discriminação de idade e tem relevância para a compreensão das atitudes humanas em relação às mudanças climáticas. O impacto das alterações ambientais nas pessoas idosas ameaça a sobrevivência e vida dos mais velhos e discursos preconceituosos operam na sociedade. O idadismo ignora as necessidades fisiológicas específicas das pessoas idosas, resultando em maior mortalidade, isolamento social e desvalorização de sua autonomia em emergência ambiental.
Objetivos
Objetivos: Analisar a produção científica sobre o idadismo climático ao longo dos anos.
Metodologia
Metodologia: análise bibliométrica na base de dados Scopus, com as palavras-chaves “climate change”, “extreme events”, “environmental disasters”, “ageism”, “elderly”, buscadas nos títulos, resumos e palavras-chaves, combinadas com AND e OR, sem delimitação de idioma e tempo. Antes, foi realizado busca preliminar na base de dados para identificar os termos utilizados sobre o tema. O Bibliometrix/R-project foi usado para extrair as informações bibliométricas que serão apresentados em gráficos e figuras.
Resultados e Discussão
Resultados e discussão: A busca nas bases de dados recuperou um total de 2967 produções acerca do tema, sendo 2346 artigos científicos, 22 livros e 157 capítulos de livros. O período de publicação variou entre os anos de 1973 e 2026, com um aumento exponencial do número de publicações a partir de 2011 e um crescimento ainda mais acentuado entre 2023 a 2025. Os três periódicos que mais publicam sobre o tema foram: International Journal of Environmental Research (124), Science of the total environment (63) e Environmental Research (62). O estudo mais citado foi Costelo A, 2009, Lancet, com 2338 citações. As palavras-chaves mais repetidas foram humano(s) com 3617 menções, aged (1698) e female (1413). Os três autores mais relevantes são Wang Y (50), Zhang Y (50) e Liu Y (38). A maioria dos autores que publicam sobre o tema são afiliados à London School of Hygiene and Tropical Medicine (67), University of California (64) e Seoul National University (52). Estados Unidos, China e Reino Unido são os países que mais publicam sobre o tema e o Brasil ocupa o 15º lugar. O relatório "Managing the health effects of climate change", de Costelo, foi fundamental para a ciência por posicionar a mudança climática como a principal ameaça à saúde global do século XXI e por levantar uma pauta urgente de saúde pública e sobrevivência humana, destacando riscos elevados para pessoas idosas, como a exposição ao calor extremo e à capacidade de adaptação reduzida. Pessoas idosas são vulneráveis aos impactos climáticos e estão mais expostas à vulnerabilidade térmica, problemas cardiorrespiratórios e interrupção de cuidados de saúde, redução da termorregulação, o que aumenta a mortalidade em extremos de temperatura e eventos climáticos. A partir deste relatório as publicações na área cresceram e, em 2023, sendo o ano oficialmente mais quente da história, registrada pela Organização Meteorológica Mundial, os estudos na área atingiram um crescimento acima da curva. Além disso, a Organização Mundial de Saúde, em 2022, intensificou o combate ao idadismo global e em 2023 decretou emergência climática, gerando manifestos e documentos direcionados a eventos como a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, que alertou sobre o impacto do clima na longevidade. Estados Unidos e China publicam mais, pois são as maiores potências científicas do mundo, enfrentam um envelhecimento populacional acelerado e possuem a maior exposição a riscos climáticos extremos. Além disso, Estados Unidos possui uma longa tradição em estudos de gerontologia e biomédica com financiamento de pesquisas específicas sobre a vulnerabilidade de americanos idosos a ondas de calor e furacões. E a china está em um processo de envelhecimento sem precedentes, devendo tornar-se uma sociedade "super-envelhecida" até 2030, o que gera uma urgência acadêmica para entender como proteger centenas de milhões de pessoas idosas de eventos extremos. No Brasil, a Lei nº 14.904 de 2024 estabelece diretrizes para a elaboração de planos de adaptação à mudança do clima em níveis federal, estadual e municipal. Na área da saúde, o Ministério da Saúde lançou o Plano Adapta SUS (2024-2035) que visa preparar unidades de saúde e hospitais para responder a ondas de calor extremo e foca no treinamento de profissionais para identificar desidratação e agravos cardiovasculares em pessoas idosas e na melhoria da infraestrutura física das unidades para suportar altas temperaturas.
Conclusões/Considerações Finais
Conclusões: este estudo evidencia o crescente interesse da ciência acerca do idadismo e as emergências climáticas. A produção científica brasileira necessita avançar em estudos na área para proteger pessoas idosas de eventos extremos e desconstruir o preconceito de que apenas os jovens são ativos na causa ambiental, ao passo em que necessita de maior investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
IMPACTOS DO DESASTRE PARA A PESSOA IDOSA: PERCEPÇÕES DE GESTORES E PROFISSIONAIS DE SAÚDE DE BRUMADINHO/MG
Comunicação Oral
1 Fiocruz Minas - IRR
2 Fiocruz Minas - IRR / Escola de Enfermagem - UFMG
Apresentação/Introdução
A ocorrência de desastres tem aumentado em todo mundo, configurando um importante problema de saúde pública. O evento ocorrido em Brumadinho/MG no ano de 2019 configurou o maior acidente de trabalho ampliado ocorrido no Brasil. Para além dos impactos imediatos, demarcou alterações no território, nos modos de vida e rotina das comunidades afetadas, com repercussões nas condições de saúde da população. No contexto de tais eventos, as pessoas idosas constituem em um dos grupos etários mais vulneráveis. Múltiplos fatores concorrem para sua capacidade de antecipar, confrontar, reparar e recuperar-se dos efeitos de um desastre, além das fragilidades decorrentes do próprio processo de envelhecimento (percepção de risco, atenção, agilidade e mobilidade), somam-se doenças, condições de habitação, estado nutricional, disponibilidade de suporte familiar e social, dentre outros. A despeito das necessidades manifestas durante e após um desastre, esse grupo etário pode permanecer invisibilizado no tocante ao planejamento e gestão de emergências.
Objetivos
Considerando o aumento expressivo no número de desastres e, ao mesmo tempo, o aumento significativo de pessoas idosas em todo o mundo, o estudo tem como objetivo analisar os principais impactos para a pessoa idosa após o desastre do rompimento da barragem em Brumadinho/MG na perspectiva de gestores e profissionais de saúde.
Metodologia
O estudo integra o projeto maior intitulado “O desastre de Brumadinho e os impactos nos serviços de saúde: a perspectiva de gestores e profissionais”. Trata-se de uma pesquisa exploratória com abordagem metodológica qualitativa, realizada com gestores e profissionais de saúde no município de Brumadinho/MG sendo considerados, preferencialmente, aqueles que atuavam no serviço antes do rompimento da barragem. Como técnica de coleta de dados foram realizadas 26 entrevistas individuais guiadas por roteiro semiestruturado. Os dados foram tratados a partir da técnica de análise de conteúdo na modalidade temática e a interpretação mediada pelo referencial teórico-metodológico da antropologia hermenêutica.
Resultados e Discussão
Os resultados apontaram uma multiplicidade de perdas para os idosos, quais sejam: óbitos (de familiares, amigos); alterações físicas no território (destruição de propriedades, terra improdutiva em razão da contaminação, etc); incertezas sobre viver no território (risco contínuo de contaminação por metais pesados); saída de moradores (bolhas de isolamento no território) e entrada de pessoas desconhecidas no território (perda da identidade do lugar). Os impactos físicos e relacionais no território contribuíram para um não pertencimento e estranhamento da pessoa idosa frente a essa nova condição após o evento, tendo como principal desfecho o isolamento social com implicações diretas no seu bem-estar e condições de saúde. Os dados assinalaram alguns fatores que concorrem para fragilidades nos suportes para o enfrentamento pós-evento para este grupo, quais sejam: ausência de programas institucionalizados específicos que considere a heterogeneidade presente no processo de envelhecimento, incluindo ações intersetoriais; velamento do idoso nos estudos sobre desastres que compromete o entendimento sobre a afetação do evento para este perfil etário; limitações nas redes de apoio; necessidade de inclusão protagonista do idoso no tocante ao planejamento de ações no território após o evento. Por sua vez, torna-se imperativo o fortalecimento de redes de apoio na comunidade, bem como o desenvolvimento de diretrizes e práticas que atendam às necessidades das pessoas idosas aumentando a sua visibilidade em contextos disruptivos. No âmbito da saúde, as ações técnicas são cruciais, mas devem estar integradas e articuladas a estratégias que considere as dimensões materiais, simbólicas e interpessoais para além do modelo biomédico.
Conclusões/Considerações Finais
Depreende-se da análise aspectos que contribuem para orientar políticas de mitigação de riscos, preparação e resposta para o enfrentamento de outras situações futuras, sobretudo nas fases de recuperação e transição que concentram o desenvolvimento e a implementação de políticas e metodologias de médio e longo prazo para o período pós-emergência. Para as pessoas idosas, representa uma oportunidade para abordar as desigualdades sistêmicas mais amplas que prejudicam sua saúde e capacidade de recuperação após eventos críticos.
A PESSOA INDÍGENA IDOSA NO CONTEXTO HOSPITALAR: DESAFIOS DO CUIDADO E DA ATUAÇÃO MULTIPROFISSIONAL EM MANAUS.
Comunicação Oral
1 Universidade Federal do Amazonas- UFAM
2 Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas- SES/AM
Contextualização
O presente relato de experiência emerge da atuação de equipe multiprofissional em saúde em um Hospital de Urgência e Emergência localizado na Zona Leste da cidade de Manaus, capital do Amazonas, problematizando o cuidado à população indígena idosa no contexto hospitalar.
Descrição
A reflexão parte da compreensão de que o atendimento em saúde a esse público envolve não apenas demandas clínicas, mas também dimensões sociais, culturais, territoriais e comunicacionais que incidem diretamente sobre o processo saúde-doença, especialmente em realidades marcadas por desigualdades estruturais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Assim, a atuação da equipe multiprofissional envolveu o acolhimento, a escuta qualificada, a mediação institucional e a articulação com a rede de serviços, considerando as especificidades socioculturais dos usuários e suas formas próprias de compreender o adoecimento e o cuidado.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida no período de 2019 a 2025, no âmbito dos atendimentos a casos sociais de pessoas idosas indígenas oriundas de diferentes municípios do Amazonas, frequentemente encaminhadas à unidade hospitalar em situações de agravamento do quadro clínico. Esse percurso, marcado por longas distâncias geográficas, limitações na oferta de serviços especializados nos territórios de origem e fragilidades na rede de atenção, impacta diretamente as condições de chegada, permanência e continuidade do cuidado.
Objetivo
Como objetivo, buscou-se analisar os desafios e as possibilidades do cuidado em saúde à pessoa idosa indígena no ambiente hospitalar, a partir da experiência da equipe multiprofissional em um serviço de média e alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando os limites institucionais e as potencialidades do trabalho em saúde em realidades de diversidade étnico-cultural.
Resultados
No cotidiano institucional, evidenciaram-se como principais resultados: a presença de barreiras de comunicação que dificultam a compreensão das orientações em saúde e a construção de vínculo entre profissionais, usuários e familiares; a insuficiente incorporação de práticas interculturais no cuidado, com prevalência de abordagens padronizadas que nem sempre consideram as especificidades culturais; as dificuldades nos fluxos de atendimento, sobretudo no que se refere ao acesso, à regulação, à permanência hospitalar e à articulação com a rede após a alta; e a recorrente chegada de usuários em estado avançado de adoecimento, associada às condições de acesso nos territórios de origem. Observou-se, ainda, a centralidade da equipe multiprofissional na mediação dessas situações, atuando na garantia de direitos e na construção de estratégias de cuidado mais resolutivas.
Aprendizado e Análise Crítica
A análise crítica fundamenta-se na compreensão das desigualdades socioambientais e das vulnerabilidades que marcam a vida das populações indígenas, evidenciando que os limites observados no cuidado não se restringem à dimensão institucional, mas refletem condicionantes estruturais relacionados ao acesso, à organização dos serviços e à histórica invisibilização das especificidades culturais no âmbito do SUS. Nesse sentido, a predominância de uma lógica biomédica no ambiente hospitalar mostra-se insuficiente para responder às complexidades envolvidas no cuidado a esse público, exigindo a incorporação de abordagens que considerem a interculturalidade, a integralidade e o reconhecimento da diversidade.
Como aprendizados, destaca-se a necessidade de fortalecimento de práticas de cuidado culturalmente sensíveis, da qualificação das equipes para a comunicação intercultural e da construção de estratégias institucionais que considerem as singularidades territoriais e socioculturais das populações indígenas. Ademais, a experiência evidencia a importância do trabalho multiprofissional como espaço de articulação entre saberes, práticas e políticas, contribuindo para a ampliação da integralidade do cuidado e para a redução de iniquidades.
O relato evidencia, portanto, que o cuidado à pessoa indígena idosa no ambiente hospitalar demanda a superação de abordagens homogêneas e a construção de práticas comprometidas com a equidade, a diversidade e a efetivação do direito à saúde no SUS.
Realização:
Apoio: