Programa - Comunicação Oral Curta - COC2.2 - Alimentação, territórios e produção de conhecimentos: experiências, políticas e práticas sociais
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
“MAPEIA SER’TÃO”: UMA EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO TERRITORIALIZADO
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal da Bahia
2 Rede Pintadas
Contextualização
A produção de conhecimento sobre sistemas agroalimentares no semiárido brasileiro envolve desafios epistemológicos, metodológicos e institucionais, especialmente quando orientada por abordagens participativas e territorializadas. Nesse contexto, a extensão universitária se apresenta como estratégia para articular ensino, pesquisa e demandas sociais, fortalecendo a construção coletiva de conhecimentos voltados à soberania e segurança alimentar e nutricional. O território da Bacia do Jacuípe, no semiárido baiano, apresenta dinâmicas produtivas, culturais e ambientais marcadas por desigualdades estruturais e pelos impactos das mudanças climáticas, evidenciando a necessidade de iniciativas que pautadas na produção de conhecimento que seja orientada aos interesses daqueles que vivem a realidade estudada.
Descrição
Este trabalho apresenta a sistematização da experiência do projeto de extensão “Mapeia Ser'Tão: formação em mapeamento social com foco em sistemas agroalimentares na Bacia do Jacuípe”. O projeto articula ensino, pesquisa e extensão e promove a participação de comunidades, universidades e organizações locais. Para tanto, propôs a formação de mapeadores locais e a produção participativa de informações sobre cadeias produtivas, modos de produção, distribuição, acesso e consumo de alimentos no território.
Período de Realização
Iniciado em janeiro de 2025, o projeto está em andamento. Após a primeira fase, que contemplou a formação de pessoas do território para a atuação como mapeadores; e a segunda, dedicada à realização do mapeamento em si, o que envolveu reuniões comunitárias, aplicação de questionários semiestruturados e elaboração de mapas sociais, o projeto encontra-se em sua terceira fase, que contempla a sistematização e divulgação dos conhecimentos produzidos.
Objetivo
Neste trabalho, nosso foco recairá sobre as discussões metodológicas decorrentes da experiência. Para sistematizar tais aprendizados, tomamos como base a metodologia de Oscar Jara, organizada em cinco passos: o ponto de partida, as perguntas iniciais, a recuperação do processo vivido, as reflexões de fundo e os pontos de chegada.
Resultados
A sistematização da experiência é organizada em quatro eixos analíticos que perpassam todo o processo de construção do projeto “Mapeia Ser’tão”: 1) Eixo Epistemológico; 2) Eixo Metodológico; 3) Eixo Comunicacional e 4) Eixo Político-Institucional.
No eixo epistemológico, emergiram tensões entre saberes científicos e saberes locais e, de modo igualmente relevante, entre o vocabulário acadêmico e o cotidiano. Nesse eixo ressaltamos a necessidade de se investigar os sentidos e significados que as palavras exprimem. Em nossa experiência, destacamos a importância da escuta ativa e da construção compartilhada dos instrumentos de produção de informações como instâncias de problematização dos sentidos atribuídos à pesquisa, à universidade, à cultura alimentar e às mudanças climáticas, por exemplo.
No eixo metodológico, identificaram-se desafios na formação dos mapeadores, na apropriação das ferramentas participativas e na limitação de recursos humanos e tecnológicos. Aqui, somos convidados a refletir como a adoção de metodologias participativas exige um fazer e refazer cotidiano que, se bem não deve deixar escapar os pilares teórico-metodológicos que norteiam a ação em campo, tampouco pode se apegar a manuais ou receituários que apresentam um certo “padrão-ouro” a ser reproduzido.
No eixo comunicacional exploramos as dificuldades associadas ao acompanhamento remoto das atividades realizadas pelos mapeadores, assim como as estratégias criadas para que o diálogo pudesse ocorrer de maneira satisfatória. Embora o uso de tecnologias digitais tenha possibilitado a continuidade do projeto, também lidamos com limites relacionados à comunicação, ao engajamento e à construção de vínculos.
No eixo político-institucional, observou-se o descompasso entre o tempo da pesquisa acadêmica e as expectativas comunitárias, além dos limites e as potencialidades da universidade como mediadora entre demandas territoriais e formulação de políticas públicas. A experiência tensiona as fronteiras entre pesquisa e extensão, indicando a necessidade de maior flexibilidade institucional e de políticas de apoio à pesquisa territorializada.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência do projeto “Mapeia Ser-tão” reforça a ideia de que a produção de conhecimento em territórios rurais exige abordagens participativas e sensíveis às dinâmicas socioterritoriais. Mas pretende trazer essa afirmação não como um pressuposto confirmado ou como um conhecimento perene. Pelo contrário, ao trazer o relato do vivido em campo, dos desafios enfrentados e das contradições que impulsionam um novo olhar sobre a realidade, busca contribuir para o debate sobre como produzir conhecimento em diálogo com os territórios, valorizando a cultura alimentar, a sociobiodiversidade e os saberes locais como dimensões centrais da soberania e segurança alimentar e nutricional.
SIGNIFICADO DOS ALIMENTOS PARA A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA EM TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS
Comunicação Oral Curta
1 UFBA
2 UNEB
3 UNEB-UFBA
Apresentação/Introdução
Os territórios quilombolas são espaços marcados por resistência, com uma forma comum de vida e modos próprios de organização. Os quilombos constituíram o principal símbolo de resistência ao sistema escravista e, na atualidade, permanece como expressão de resistência frente ao modelo de desenvolvimento capitalista. Os territórios quilombolas, contrapõem-se diretamente aos interesses do mercado imobiliário de grandes empresas, assim como a projetos de exploração, como o agronegócio, a mineração e os latifúndios (Souza, 2015; CONAQ, 2018). O uso do território é marcado por relações de solidariedade e reciprocidade, com respeito à diversidade e à sazonalidade das atividades. Para as comunidades quilombolas, o ecossistema e todos os seus elementos representam a base de sua sobrevivência. Sem eles, qualquer perspectiva de desenvolvimento fica ameaçada, já que é desse meio que se origina o alimento que garante sua subsistência.
Objetivos
Refletir sobre os significados dos alimentos para a construção identitária das comunidades quilombolas e como o processo de racialização desses territórios marginaliza essa relação.
Metodologia
Pesquisa e extensão realizada com comunidades quilombolas de pescadoras(es) artesanais e marisqueiras do Recôncavo Baiano, dos municípios de São Francisco do Conde, Santo Amaro e Maragogipe. Foram realizadas oficinas e rodas de conversa com representantes de 11 comunidades, entre 2022 e 2025. Um dos temas priorizados foi a Segurança Alimentar e Nutricional e práticas alimentares nos territórios. O contato com as comunidades se deu a partir da interlocução de lideranças do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras e do apoio da Diretoria de Vigilância e Atenção à Saúde do Trabalhador. O TED Condições de Trabalho, Saúde e Segurança Alimentar e Nutricional de Pescadores/as Artesanais e Quilombolas da Baía de Todos os Santos foi financiado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura.
Resultados e Discussão
Nessas comunidades fica fortemente caracterizado o princípio comunitário para realização das atividades de produção e beneficiamento dos produtos, seja a partir da pesca, mariscagem. Os produtos advindos dessas atividades laborais são comercializados e também integram os hábitos alimentares desses grupos. No entanto, devido ao processo de racialização que orienta como essas pessoas e o território são vistos hegemonicamente, baseados numa classificação de raça com menos valia, esses alimentos passam por uma desvalorização, principalmente entre os profissionais de saúde. Foram vários os testemunhos de como mariscos, azeite de dendê e farinha de mandioca foram considerados alimentos perigosos, venenos para a saúde, implicando em orientações de exclusão das dietas, com fins de cuidados em saúde, levando a angústia, sentimento de inadequação e insegurança. Para essas comunidades, a relação com o território e seus produtos se constituem como elementos integrantes da construção de quem são enquanto sujeitos. Desvalorizar e marginalizar os alimentos que essas pessoas produzem simbolicamente significa a desvalorização de si e do seu trabalho, já tão pouco visibilizado. A pesca artesanal e a mariscagem, bem como o extrativismo responsável desenvolvidos pelas comunidades sofrem pela concorrência desleal da pesca e agricultura com fins industriais. Da mesma forma, os alimentos oriundos dessas atividades também são desvalorizados, impondo dificuldades de escoamento da produção e inserção nos programas alimentares governamentais. O cultivo e a comercialização de mariscos, pescados e produtos oriundos da agricultura familiar são fundamentais para a culinária local e desempenham papel central na dinamização da economia das comunidades. Compreender a importância desses alimentos fortalece também o processo de resistência histórico, político, socioeconômico, cultural, ambiental e epistêmico, contrariando as teorias da dominação colonial e capitalista global (Américo, Dias, 2019).
Conclusões/Considerações Finais
É possível compreender como a presença de questões interseccionais tem forte influência nos modos de viver das comunidades, principalmente com a marginalização dos seus saberes tradicionais que revela a persistência de estruturas coloniais. Mas também a revelação da força ancestral que mobiliza as comunidades a permanecerem nos territórios e lutar por eles, para que sejam preservados. Assim, constatamos que conhecer e fortalecer as cadeias produtivas das comunidades significa também tensionar as narrativas coloniais que historicamente invisibilizam essas comunidades, contribuindo para a construção de alternativas que promovam justiça social e ambiental.
CULTURA ALIMENTAR DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DA BOCAINA: UM OLHAR INTERGERACIONAL
Comunicação Oral Curta
1 UFBA
Apresentação/Introdução
Em certos grupos sociais, como comunidades quilombolas, a comida carrega significados simbólicos e culturais. Os remanescentes quilombolas possuem o costume de plantar e criar para o próprio consumo, estabelecendo uma relação sólida com a alimentação, mas não estão isentos das influências da transição alimentar que ocorre no Brasil, nem das consequências nos âmbitos da saúde e cultura. O campo da alimentação e nutrição, assim com as outras áreas da saúde, segue em sua base epistemológica um viés eurocêntrico que compreende o saber universal e legítimo aquele estabelecido pelo modelo europeu e norte americano, com isso, questões sobre a cultura alimentar quilombola, vinculada à população negra, são pouco trabalhadas no ambiente acadêmico. Temos avançado com grupos que buscam estudar e dar visibilidade ao tema, como o Culinafro, na UFRJ-Macaé, porém ainda se faz necessário ampliar o debate para as diversas regiões do país. Dessa forma, registrar a cultura alimentar quilombola é fundamental para combater o racismo, fortalecer identidades e promover o autoconhecimento, além de contribuir para o debate em torno do Direito Humano à Alimentação Adequada, da Segurança Alimentar e Nutricional e da Soberania Alimentar desses povos. Ademais, o reconhecimento, a valorização e o resgate de práticas alimentares quilombolas servem como uma estratégia de promoção à saúde, ao mesmo tempo que mantém vivos traços identitários únicos.
Objetivos
Conhecer a cultura alimentar da comunidade quilombola da Bocaina e avaliar, por meio da autopercepção dos sujeitos, os aspectos intergeracionais e as possíveis mudanças no padrão alimentar da comunidade.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utiliza a entrevista como principal forma de coleta de dados. Este estudo foi realizado na Comunidade Quilombola da Bocaina, localizada no município de Piatã-Ba. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas. Inicialmente, levantaram-se informações sobre o perfil demográfico dos participantes; em seguida, aplicou-se um roteiro próprio, elaborado pelas pesquisadoras e alinhado aos objetivos do estudo. As respostas foram gravadas, posteriormente transcritas e analisadas, permitindo uma identificação geral dos pontos abordados.
Resultados e Discussão
Participaram do estudo 14 moradores da comunidade, distribuídos em três grupos, de acordo com as faixas etárias: 3 entrevistados no grupo A (jovens), 4 no grupo B (adultos) e 7 no grupo C (idosos). Houve consenso em relacionar a alimentação com a saúde. Dentre os pratos considerados tradicionais na comunidade, os três grupos citaram feijão com arroz, farinha de mandioca, godó de banana, cortado de palma, cortado de mamão verde, maniçoba, bambó da banana e derivados do milho, como bolo de milho, mingau e pamonha. Quanto às mudanças nas formas de produzir os alimentos, destacaram a atual utilização de agrotóxicos, a substituição das sementes crioulas por sementes compradas e o impacto das mudanças climáticas nas plantações. Além disso, em relação ao acesso e ao preparo dos alimentos, ressaltaram o aumento da disponibilidade para a compra e a atual praticidade proporcionada por alguns equipamentos, como liquidificadores, batedeiras, fogões a gás e fornos elétricos no preparo das refeições. Nesse último aspecto, percebeu-se uma dualidade na percepção entre as gerações: enquanto os grupos B e C viam essas mudanças de forma negativa, por considerarem que prejudicam a cultura local e alteram e reduzem o sabor das preparações, o grupo A as percebe de maneira positiva, destacando a maior praticidade.
Conclusões/Considerações Finais
A influência do clima, a desvalorização dos costumes locais e a falta de estratégias para manejar essas questões colocam em risco hábitos tradicionais que fazem parte da cultura alimentar da comunidade Quilombola da Bocaina. Os resultados ressaltam a importância de estratégias que promovam a segurança alimentar e nutricional a partir do respeito às práticas locais, incentivando a preservação da identidade cultural.
DISCURSOS INSTITUCIONAIS SOBRE ALERGIA ALIMENTAR: ARTICULAÇÕES ENTRE POLÍTICAS PÚBLICAS E REDES SOCIAIS DIGITAIS
Comunicação Oral Curta
1 Fiocruz
Apresentação/Introdução
A alergia alimentar constitui uma condição de saúde que ultrapassa a dimensão biomédica, envolvendo aspectos sociais, culturais e comunicacionais que moldam a experiência do adoecimento. Caracterizada por respostas imunológicas adversas a alimentos (Anvisa, 2024; Oliveira et al., 2018), essa condição impõe vigilância constante e reorganiza práticas cotidianas, relações sociais e formas de participação na vida coletiva. No contexto brasileiro, observa-se uma fragilidade histórica na comunicação institucional sobre o tema, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o que contribui para a produção de insegurança, desinformação e desigualdades no acesso ao cuidado.
Este estudo integra uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento que investiga as dinâmicas comunicacionais em torno da alergia alimentar, com ênfase nas redes sociais digitais, particularmente o Instagram, como espaços de produção, circulação e disputa de sentidos sobre saúde e cuidado. Nessas plataformas, informações, experiências e orientações circulam em formatos marcados por lógicas de visibilidade e engajamento (Lemos, 2021), reconfigurando modos de aprender, compartilhar e manejar a condição. Nesse contexto, os discursos institucionais, ao se inserirem nesses ambientes, não apenas difundem informações, mas passam a operar tensionados por essas mesmas lógicas, ainda que continuem sendo um pilar estruturante das políticas públicas e das práticas sanitárias no país (Araújo; Cardoso, 2007). Assim, sua análise permite compreender como a alergia alimentar é enquadrada e comunicada na interface entre comunicação pública e ecossistemas digitais.
Objetivos
O presente estudo tem como objetivo analisar os discursos institucionais sobre alergia alimentar, buscando compreender como essa condição é representada e comunicada no âmbito das políticas públicas de saúde. Pretende-se investigar as ênfases, ausências e formas de enquadramento presentes nesses discursos, considerando suas articulações com outros espaços de produção de sentido, como as redes sociais digitais.
Metodologia
A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, ancorada no campo da Comunicação e Saúde, com base na análise de documentos institucionais e materiais comunicacionais produzidos por órgãos públicos. O corpus inclui documentos normativos e orientadores, como o Guia Alimentar para a População Brasileira (Brasil, 2014) e o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (Brasil, 2019), além de conteúdos publicados em plataformas digitais institucionais, com destaque para postagens no Instagram. A análise é orientada por referenciais da saúde coletiva (Almeida-Filho, 2020; Samaja, 2000), da comunicação e saúde (Araújo; Cardoso, 2007) e incorpora contribuições da lente ciberpublicitária (Azevedo, 2012), permitindo observar como a alergia alimentar é enquadrada nos discursos oficiais e quais dimensões são privilegiadas ou negligenciadas nessa comunicação.
Resultados e Discussão
A análise evidencia que a alergia alimentar se configura como um tema de presença instável e, por vezes, periférica nos discursos institucionais, aparecendo de forma pontual e nem sempre articulada a uma abordagem mais ampla do cuidado. Nos documentos normativos, tende a ser incorporada de maneira indireta, diluída em recomendações gerais sobre alimentação e nutrição, enquanto, nos ambientes digitais, observa-se uma adaptação às dinâmicas de visibilidade e engajamento próprias das plataformas. Nesse contexto, os conteúdos institucionais publicados em redes sociais, como o Instagram, revelam tensionamentos entre a linguagem das plataformas e a complexidade inerente ao tema, produzindo formas específicas de enquadramento da alergia alimentar. Ao mesmo tempo, a circulação de informações nesses ambientes aponta para uma coexistência entre discursos institucionais e outras vozes, indicando um cenário comunicacional mais plural, porém também marcado por disputas, lacunas e assimetrias.
Conclusões/Considerações Finais
Os achados sugerem que os discursos institucionais sobre alergia alimentar operam em um campo em transformação, atravessado tanto por tradições da saúde pública quanto por novas dinâmicas comunicacionais digitais. Mais do que indicar ausências ou insuficiências de forma linear, a análise permite problematizar como diferentes formatos, plataformas e racionalidades comunicacionais influenciam a construção do tema na esfera pública. Nesse sentido, compreender a articulação entre documentos normativos e práticas comunicacionais em redes sociais mostra-se fundamental para refletir sobre os desafios contemporâneos da comunicação em saúde. O estudo aponta para a importância de abordagens que considerem a complexidade desses processos, contribuindo para o fortalecimento de estratégias comunicacionais mais sensíveis às múltiplas dimensões do cuidado em alergia alimentar.
ENTRE O RECONHECIMENTO E O “NÃO LUGAR”: REFLEXÕES SOBRE A VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL EM POPULAÇÕES RIBEIRINHAS NA AMAZÔNIA
Comunicação Oral Curta
1 Instituto Leônidas e Maria Deane - ILMD/Fiocruz Amazônia
Apresentação/Introdução
As populações ribeirinhas da Amazônia constituem sujeitos socioterritoriais cujos modos de vida se estruturam na relação com os rios, o território e dinâmicas próprias de organização social, produtiva e simbólica. No campo da Saúde Coletiva, o território é compreendido como espaço vivido, atravessado por relações de poder, desigualdades históricas e processos de produção da vida. Apesar do reconhecimento formal nas políticas públicas, ribeirinhos permanecem frequentemente situados em um “não lugar”, sendo enquadrados em categorias genéricas que invisibilizam suas especificidades e modos de vida. Essa condição expressa não apenas lacunas institucionais, mas também a persistência de racionalidades que operam pela homogeneização dos sujeitos e territórios. Na Amazônia, tal cenário se intensifica diante da dispersão territorial, dificuldades logísticas e fragilidades na organização da Atenção Primária à Saúde, evidenciando limites estruturais na garantia do direito à saúde. Nesse contexto, a Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN), enquanto estratégia do SUS, configura-se como campo privilegiado para problematizar a produção de informações em saúde e seus tensionamentos frente à diversidade sociocultural.
Objetivos
Problematizar a Vigilância Alimentar e Nutricional em populações ribeirinhas da Amazônia, tomando a noção de “não lugar” (Fernandes e Moser, 2021), em articulação com a perspectiva da colonialidade alimentar, a fim de tensionar os limites das políticas públicas na incorporação das especificidades socioterritoriais.
Metodologia
Trata-se de um ensaio teórico-reflexivo construído a partir do diálogo com produções da Saúde Coletiva que discutem o território amazônico, a organização do SUS e as iniquidades em saúde. Como eixo central de problematização, adota-se a análise de Fernandes e Moser (2021), que fundamenta a compreensão do “não lugar” das populações ribeirinhas nas políticas públicas. O ensaio articula, ainda, abordagens críticas da alimentação e nutrição em interlocução com a noção de colonialidade, buscando refletir sobre como instrumentos técnico-institucionais podem reproduzir invisibilidades e limitar o reconhecimento das especificidades socioterritoriais. Essas reflexões derivam do processo de construção da dissertação de mestrado vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA).
Resultados e Discussão
Os sistemas alimentares ribeirinhos configuram práticas socioculturais complexas, vinculadas aos ciclos dos rios, à sazonalidade e ao manejo de recursos naturais, expressando formas próprias de organização da vida, do cuidado e da alimentação. Essas dinâmicas articulam saberes locais, práticas de subsistência e relações comunitárias que não se reduzem à dimensão biológica da nutrição. Contudo, transformações associadas à urbanização, à intensificação de atividades econômicas sobre os territórios e à expansão do sistema alimentar industrial têm promovido mudanças nos padrões alimentares, configurando um cenário de transição nutricional marcado pela coexistência de insegurança alimentar e doenças crônicas. Esse processo não ocorre de forma neutra, mas é atravessado por relações de poder que hierarquizam práticas e deslegitimam saberes, impondo padrões externos de consumo, como o predomínio de alimentos ultraprocessados em detrimento de práticas alimentares tradicionais. À luz da colonialidade alimentar e epistêmica, tais dinâmicas contribuem para a desestruturação de sistemas alimentares locais e para a desvalorização de saberes territoriais. Tal processo dialoga com a análise de Fernandes, ao evidenciar que essas populações são historicamente negligenciadas, produzindo invisibilidade institucional e frágil reconhecimento de direitos. Nesse sentido, a VAN, ao operar por meio de instrumentos padronizados e de uma racionalidade técnico-normativa, apresenta limites importantes para captar essa diversidade. Em contextos ribeirinhos, marcados pela sazonalidade e organização social própria, esses limites se expressam na baixa cobertura, fragilidade dos registros e produção de invisibilidade estatística, reforçando o “não lugar” dessas populações nas políticas públicas. A dispersão territorial e as barreiras logísticas agravam esse cenário, restringindo a capacidade da vigilância de produzir informações sensíveis às realidades locais e de orientar intervenções territorializadas.
Conclusões/Considerações Finais
A Vigilância Alimentar e Nutricional, embora estratégica para o SUS, opera sob lógicas que tensionam o reconhecimento das especificidades socioterritoriais das populações ribeirinhas na Amazônia. Defende-se a incorporação de abordagens interculturais, a valorização dos saberes locais e a reorientação dos instrumentos de vigilância às dinâmicas territoriais. Tais mudanças são fundamentais para qualificar a produção de informações, fortalecer o cuidado em saúde e enfrentar as iniquidades que marcam historicamente esses territórios, promovendo uma VAN decolonial, que articule equidade e diversidade amazônica.
ENTRE A PRESCRIÇÃO NUTRICIONAL, A DOENÇA E A COZINHA: DESIGUALDADE SOCIAL, CRONICIDADE E PRÁTICAS ALIMENTARES NO SEMIÁRIDO DO RIO GRANDE DO NORTE
Comunicação Oral Curta
1 UFRN
2 SEEC/RN
3 UFSC
Apresentação/Introdução
As práticas alimentares não estão reduzidas à condição biológica das pessoas, sendo resultado de dinâmicas sociopolíticas e culturais a partir das quais se desenvolvem. Logo, entender as condições sociais de possibilidade para a produção de uma soberania e segurança alimentar e nutricional (SAN) perpassa compreender tanto experiências singulares como condicionantes contextuais. A alimentação é um dos elementos estruturantes principais da identidade, da socialidade e da vida digna. Embora não se possa reduzir a escolha alimentar à disposição financeira, a vulnerabilidade econômica no cenário brasileiro impõe barreiras materiais severas, exigindo compreender os contextos estruturais que limitam e contextualizam a agência frente ao sistema alimentar hegemônico no sistema capitalista. Esse cenário se particulariza ao se considerar experiências sociais do adoecimento crônico, tão marcantes na história da saúde pública que tem ocupado grandemente o Sistema Único de Saúde (SUS) no país (CANESQUI, 2015), bem como contemporaneamente (OPAS, 2024).
Considera-se a doença como processo, construída em contextos socioculturais e vivenciada sob mediação da cultura, com dimensões subjetivas e abertura para interpretações distintas de diferentes sujeitos, especialistas e sistemas terapêuticos (LANGDON, 1995).
Objetivos
O presente trabalho objetiva analisar antropologicamente as intersecções entre as práticas alimentares, a desigualdade social e a experiência do adoecimento crônico entre sujeitos no interior semiárido do estado do Rio Grande do Norte.
Metodologia
Esta apresentação é resultado de uma pesquisa em desenvolvimento mais abrangente sobre a constituição de economia terapêutica no semiárido potiguar sobre as doenças de longa duração e as respostas do SUS. A pesquisa recebeu aprovação do Comitê de Ética, com parecer nº 57297422.1.0000.5568, no âmbito da Resolução nº 510/2016 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). Trata-se de uma pesquisa etnográfica realizada com auxílio de entrevistas semiestruturadas, observação participante em Unidades Básicas de Saúde do SUS e da análise de documentos de setores públicos e estatais sobre o tema. Este trabalho parte da experiência de 30 interlocutores e se expande para considerar meandros institucionais e sociais em uma dimensão macrossociológica, implicando-se em pensar os efeitos de políticas públicas e de dinâmicas políticas locais. O material empírico foi organizado e analisado em diários de campo pelos membros da equipe e, posteriormente, organizado de maneira temática e cruzada com as entrevistas, os documentos e as políticas públicas à luz da própria etnografia desenvolvida.
Resultados e Discussão
O perfil dos interlocutores revelou marcadores sociais de diferença expressivos: a maioria é composta por mulheres, imersas na feminização do cuidado e no trabalho reprodutivo doméstico, com predomínio da precarização laboral, dependência de programas de transferência de renda e rendimentos em torno de um salário-mínimo, abarcando vivências urbanas e rurais. A análise demonstra como as condições materiais tensionam as prescrições biomédicas institucionais, evidenciando a não adesão aos planejamentos dietéticos normativos devido ao alto custo dos alimentos indicados (SANTOS et al., 2021). Além disso, fica evidente o intenso sofrimento social decorrente da sobreposição entre a ruptura biográfica característica da doença crônica (BURY, 2011; VIEIRA, 2025) e a desigualdade que a extrapola e a agrava. Observou-se, ainda, o impacto da vida digital na reconfiguração dos saberes populares, com narrativas de restrição alimentar vindas de discursos de influenciadores digitais, disseminando novas moralidades alimentares que interferem na autonomia dos sujeitos. Contudo, diante das restrições do sistema capitalista e biomédico, as camadas populares mobilizam saberes tradicionais como táticas de sobrevivência. Embora a medicina oficial seja frequentemente o sistema de referência na busca por cuidado em saúde, historicamente, a existência de diferentes sistemas terapêuticos tem sido estratégica para as classes populares diante da falta de infraestrutura e de políticas públicas de saúde, oferecendo uma alternativa à visão de mundo imposta pelas classes dominantes (LOYOLA, 1984). O uso de chás e fitoterápicos ilustra um pluralismo médico e opera como mecanismo de resistência contra hegemônica que fortalece a identidade cultural e a soberania alimentar (CORADO; LIMA; FONTENELLE, 2022).
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que a vulnerabilidade de classe atua como dimensão estrutural que restringe o acesso aos alimentos e a informações idôneas, impactando a SAN. Em contrapartida, evidencia-se a agência dos sujeitos por meio do resgate de saberes populares, que emergem não apenas como itinerários de cura complementares, mas como instrumentos fundamentais de autonomia e afirmação cultural frente à cronicidade.
COZINHAS SOLIDÁRIAS, AGROECOLOGIA E ENFRENTAMENTO À FOME: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE OFICINA DE ALINHAMENTO PEDAGÓGICO E PRODUÇÃO COLETIVA
Comunicação Oral Curta
1 EPSJV-Fiocruz
2 Fórum de Cozinhas Solidárias do Rio de Janeiro
3 EPSJV -Fiocruz
4 EPSJV- Fiocruz
Contextualização
A fome no Brasil configura-se como fenômeno estrutural, historicamente produzido por desigualdades na distribuição de terra, renda e acesso a políticas públicas, e não pela escassez de alimentos. Nesse contexto, as cozinhas solidárias emergem como respostas territoriais articuladas à organização popular, à agroecologia e à luta pela soberania alimentar, constituindo espaços de cuidado, mobilização social e produção de conhecimento.
Descrição
Este relato de experiência sistematiza e analisa criticamente a Oficina de Alinhamento Pedagógico e de Pesquisa realizada em fevereiro de 2026, no âmbito do projeto “Formação de Agentes Populares de Alimentação para Cozinhas Solidárias nas Perspectivas da Agroecologia e da Soberania Alimentar”, desenvolvido em parceria com o Fórum Estadual de Cozinhas Solidárias do Rio de Janeiro. A atividade integrou o processo de construção de um curso de formação e de uma pesquisa com inserção direta nos territórios das cozinhas solidárias, representados pelos(as) participantes.
Período de Realização
A oficina foi concebida como espaço de alinhamento pedagógico e investigativo, estruturada em dois momentos de debate. Pela manhã, abordou-se a relação entre estrutura produtiva de alimentos, insegurança alimentar e políticas públicas de enfrentamento à fome, com ênfase nas experiências de agricultura urbana e agroecologia. No período da tarde, discutiram-se a economia solidária e a vigilância popular em saúde no âmbito das cozinhas solidárias. As discussões foram orientadas pela perspectiva do diálogo horizontal e pela valorização de saberes provenientes da experiência dos territórios, reunindo atores de instituições públicas, movimentos sociais e coletivos populares.
Objetivo
Construir coletivamente diretrizes para a formação de agentes populares de alimentação e para o desenvolvimento da pesquisa, articulando saberes acadêmicos e populares no campo da segurança e soberania alimentar.
Resultados
A oficina evidenciou a permanência do modelo agroexportador e suas contradições, expressas na coexistência entre elevada produção de commodities e a persistência da fome. Ao mesmo tempo, destacou-se o papel das cozinhas solidárias como tecnologias sociais que extrapolam a distribuição de alimentos, configurando-se como espaços de organização comunitária, cuidado e incidência política.
As discussões contribuíram para a definição de eixos estruturantes do projeto, subsidiando a constituição de grupos de trabalho responsáveis pela formulação da pesquisa, pela construção do currículo do curso e pela produção de materiais pedagógicos. Evidenciou-se, ainda, o protagonismo das mulheres, especialmente negras e periféricas, na sustentação dessas iniciativas, revelando interseccionalidades entre fome, raça, gênero e território.
Aprendizado e Análise Crítica
Destaca-se a compreensão da fome como “projeto estrutural”, produzido por processos históricos de exclusão e por decisões políticas que aprofundam desigualdades. A oficina reafirmou a potência da produção coletiva do conhecimento, baseada na articulação entre saberes acadêmicos e populares, em diálogo com referenciais da educação popular e da saúde coletiva. A noção de “solidariedade ativa” e a perspectiva da vigilância popular em saúde emergiram como caminhos para fortalecer a autonomia dos territórios e ampliar a capacidade de análise e intervenção sobre a realidade.
Embora fundamentais no enfrentamento da fome, as cozinhas solidárias operam em meio a contradições, como a precarização das condições de trabalho, limitações estruturais e barreiras de acesso às políticas públicas, além do risco de serem capturadas como respostas substitutivas à ausência do Estado. Por outro lado, sua potência reside na capacidade de articular alimentação, cuidado e organização política, configurando-se como espaços contra-hegemônicos de construção de alternativas e de tensionamento das políticas públicas.
Conclusão: A oficina constituiu dispositivo estratégico para a consolidação do projeto formativo e investigativo, ao subsidiar a definição de diretrizes pedagógicas e metodológicas orientadas pela escuta ativa, pelo diálogo horizontal e pela valorização dos saberes territoriais. Reafirma-se a importância de processos participativos na articulação entre produção de conhecimento, ação política e transformação social no enfrentamento à fome.
COZINHA SOLIDÁRIA: UM ESPAÇO DE MULHERES NEGRAS EM FORMAÇÃO SOBRE SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
Comunicação Oral Curta
1 UnB
Apresentação/Introdução
As Cozinhas Solidárias no Brasil são iniciativas derivadas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e têm como objetivo não apenas o combate à fome, mas promover outros direitos e necessidades das comunidades que assistem. A maioria das cozinheiras nesses espaços são mulheres negras, que tiveram seu primeiro contato com a formação política nos movimentos sociais que originaram as cozinhas. Entretanto, a alimentação foi colocada como pauta secundária às demandas de luta, fazendo emergir a necessidade de processos formativos na temática da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN) junto às trabalhadoras das cozinhas.
Objetivos
Este relato de pesquisa tem como objetivo refletir sobre o processo de politização dos atos de comer e cozinhar a partir das mulheres que atuam e frequentam a Cozinha Solidária do MTST no Sol Nascente, Distrito Federal.
Metodologia
A metodologia foi fundamentada na Pesquisa Participativa Baseada na Comunidade (PPBC), priorizando a compreensão dos contextos sociais e políticos das participantes, o processo das parcerias entre lideranças comunitárias e outras instituições, e por fim a integração entre o conhecimento acadêmico e o comunitário. Formou-se um grupo de 10 mulheres, sendo duas cozinheiras e uma coordenadora da Cozinha Solidária, duas brigadistas militantes do MTST, cinco mulheres militantes e residentes no território. Realizou-se três encontros, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, com as participantes, sendo que no último encontro ainda participaram quatro pesquisadoras acadêmicas que haviam feito suas investigações junto à cozinha e/ou ao território. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília.
Resultados e Discussão
A trajetória de luta pela moradia junto ao MTST foi de suma importância para construir a consciência política das participantes. Quando perguntadas como chegaram no território e conquistaram seus lotes e suas casas elas responderam.
"Pela luta do movimento" (Coz 1)
"(em 2017) eu ainda achava que o movimento era coisa de vagabundo [...] graças a Deus eu acabei com a merda que eu fiz" (Coz 1)
As falas de uma das cozinheiras demonstram dois aspectos, o reconhecimento de que a conquista do direito se deu pela luta, e o processo de formação e conscientização política a partir do envolvimento com o movimento social. Exemplificando a práxis do movimento, ou seja a interdependência e a coerência entre teoria e prática. Dessa forma, há tanto a mudança de pensamento como da prática cotidiana que reverbera no território.
"Às vezes nem até lá (na Cozinha Solidária) as pessoas queriam ir, tem gente que tem um...né" (Coz 1)
A partir da fala, é possível compreender que o posicionamento político, expresso por meio das paredes grafitadas, da bandeira vermelha hasteada e do discurso das cozinheiras, eram marcas que aproximavam, mas que também afastaram àqueles que não compactuam com os valores expressados ali. Dessa forma, a Cozinha pode ser lida como um espaço político.
Já a formação do cozinhar como ato político, ocorreu posteriormente à aproximação da universidade,
"Quando a universidade chegou na cozinha [...] a gente tava lá sozinha, e a gente não sabia lidar com o povo [...] depois que a gente começou a saber, a entender qual era a nossa luta” (Coz 1)
"É o que eu falo, ninguém nasce sabendo, então foi depois do curso do MultiplicaSSAN que, realmente não tem quem faz [eu usar tempero pronto], eu não como e critico quem usa [tempero pronto]" (Coz 2)
Nas falas é possível notar que as cozinheiras entenderam ‘suas lutas’ no espaço da cozinha após a formação promovida pelo projeto de extensão MultiplicaSSAN, da Universidade de Brasília. Projeto com abordagem freireana e voltado às temáticas de Direitos Humanos e SSAN. Demonstrando que o entendimento da luta corroborou com adoção de práticas alimentares promotoras de saúde e na mudança de posicionamento das cozinheiras frente à importância do seu trabalho.
Conclusões/Considerações Finais
O presente trabalho buscou refletir sobre a importância dos processos de formação, baseados na educação popular, junto às cozinheiras de cozinhas solidárias. Boa parte das iniciativas de cozinhas foram criadas a partir de movimentos ligados à lutas por moradia e outros direitos, fazendo da alimentação uma pauta secundária às lutas centrais. Assim, o espaço da cozinha foi rapidamente transformado em um espaço político, mas o trabalho exercido pelas cozinheiras ainda demanda formação e construção de conhecimentos.
Dessa forma, para além do entendimento das lutas dos movimentos sociais aos quais as cozinheiras se vinculam, se faz necessário a construção de conhecimento das pautas que envolvem a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional para que enquanto cozinheiras elas se impliquem com a luta pela garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada.
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