Programa - Comunicação Oral Curta - COC10.1 - Aspectos teóricos, pesquisa e conhecimentos no debate sobre Emergências Climáticas e Racismo Ambiental em territórios Tradicionais
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
A EXPLORAÇÃO INDUSTRIAL DOS MARETÓRIOS E AS INTERFERÊNCIAS NO TRABALHO DA PESCA ARTESANAL: UM ENSAIO TEÓRICO-REFLEXIVO
Comunicação Oral Curta
1 Mestranda do PPGSAT -UFBA
2 Docente da UFBA
Apresentação/Introdução
A exploração histórica do trabalho pelo capital consolidou-se através de alianças com grandes exportadoras e investimentos estatais que utilizam a mão de obra barata e o uso predatório da natureza. Nesse cenário, o desenvolvimento sustentável muitas vezes configura-se como uma falácia do modo de produção capitalista, onde estratégias de greenwashing e políticas de ESG servem como máscara para ocultar a ausência de responsabilização pelos impactos sociais e o envenenamento de territórios. No Sul Global, as injustiças ambientais repercutem severamente sobre grupos marginalizados em estuários e manguezais, evidenciando um modelo de desenvolvimento que agrava desigualdades raciais e sociais através da exploração dos "maretórios" (territórios de águas e mangues essenciais para a vida tradicional).
Objetivos
Este trabalho visa evidenciar a exploração do maretório por grandes indústrias e expor as suas interferências diretas no trabalho da pesca artesanal. Busca-se discutir se o direito ao ambiente dos trabalhadores tradicionais pode prevalecer sobre os interesses econômicos hegemônicos.
Metodologia
Trata-se de um ensaio teórico-reflexivo fundamentado no acervo de pesquisas do Projeto Entre Mares (CNPq). A análise ancora-se em literaturas que discutem as interseções entre saúde, ambiente e trabalho, além de conceitos da sociologia e geografia sobre injustiça ambiental e o modo de produção capitalista.
Resultados e Discussão
A atuação industrial, exemplificada pela indústria do petróleo na Baía de Todos os Santos, prioriza interesses econômicos em detrimento de grupos majoritários de mulheres negras, marisqueiras e quilombolas. As discussões revelam os seguintes impactos:
- Degradação ambiental e insegurança alimentar: A poluição por efluentes e vazamentos compromete a biodiversidade, tornando a pesca menos lucrativa e ameaçando a subsistência e a segurança alimentar das comunidades.
- Supressão de áreas e precarização: O avanço industrial exclui pescadores de zonas tradicionais, obrigando-os a jornadas de trabalho mais longas e perigosas em regiões distantes, aumentando os riscos e os custos da atividade.
- Racismo ambiental e epistemicídio: As marisqueiras, como guardiãs de saberes tradicionais, sofrem com a invisibilização e a redução de direitos, onde o gênero e a raça são determinantes para a precarização do labor. A exploração resulta em um processo de apagamento de profissões e adoecimento dos trabalhadores, configurando um cenário de injustiça ambiental severa.
Conclusões/Considerações Finais
As repercussões da exploração industrial no ecossistema e na saúde das catadoras de marisco são graves e nítidas. É imperativo reconhecer a luta contra a injustiça racial como elemento central no debate sobre justiça socioambiental para enfrentar a vulnerabilização dessas populações. A resistência coletiva e a politização do território, através de ações dialogadas entre comunidades, universidades e serviços de saúde, surgem como caminhos para combater a desterritorialização e manter o saber-fazer tradicional. A defesa do maretório e do trabalho deve ser tratada como eixo indissociável da vida, contrapondo-se à inserção ilimitada de corporações que promovem danos ambientais, humanos e epistemicídios em nome do desenvolvimento.
ÁGUA, TERRITÓRIO E RACISMO AMBIENTAL: OS IMPACTOS DE UMA BARRAGEM EM COMUNIDADE QUILOMBOLA DO PIAUÍ
Comunicação Oral Curta
1 UFPI
2 FIOCRUZ/PI
3 FIOCRUZ/ RJ
Contextualização
As comunidades quilombolas são símbolos de resistência e de consolidação de populações africanas que, no contexto da escravização, foram forçadas à diáspora (Alves et al., 2024). Nesses territórios, além da memória de resistência, há situações que sinalizam a necessidade de atenção à segurança hídrica e à justiça ambiental, em decorrência de casos de racismo ambiental direcionados a essas comunidades. Perda de território ou de acesso a fontes de água, como no caso da construção de barragens que obstruem o acesso livre a corpos d’água, é um desafio comum nessas comunidades (Cardoso, 2025). Tal fato foi observado por mim em uma vivência no território quilombola Potes, no município de São João da Varjota, no Piauí. Para os quilombolas, o território não é apenas um espaço físico; é um lugar de vida, ancestralidade e reprodução social (Nascimento, 2021).
Descrição
As vivências foram construídas por visitas na comunidade quilombola Potes, localizada no município de São João da Varjota, Piauí. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA, 2024), a comunidade possui em média 63 famílias. O território tem por origem o nome Potes devido a fabricação artesanal de utensílios em argila, como panelas, jarros e potes, produzidos na comunidade por mais de cem anos, configurando-se como uma identidade cultural para o quilombo.
Período de Realização
A experiência ocorreu em outubro de 2025, com visitas domiciliares realizadas com a utilização de questionário semiestruturado baseado em diagnóstico socioambiental de saúde, no contexto de atividades de pesquisa sob o parecer ético de número: 78510124.5.0000.5214/2024.
Objetivo
Relatar os impactos de uma barragem no acesso à água e modos de vida quilombola no Piauí, sob a perspectiva do racismo ambiental.
Resultados
Durante as visitas, foi possível compreender a importância do Riacho do Frade no modo de vida da comunidade, bem como os efeitos que a construção de uma barragem nas proximidades acarretou ao quilombo. O riacho desempenhava múltiplas funções no cotidiano dos quilombolas, sendo fonte de acesso à água e ligado à atividade econômica, mas também como espaço de trocas e convivência comunitária. Observou-se que a limitação do acesso hídrico contribuiu para a insegurança hídrica, impactando na dinâmica social e no comprometimento de práticas historicamente estabelecidas no território. Como modo de enfrentar a problemática, foram citadas fontes alternativas de acesso à água, como poços artesanais e abastecimento por carros-pipa, que, por vezes, não possuem acesso contínuo e de qualidade. Ressaltam-se, ainda, as narrativas ligadas à necessidade de migração do território como possibilidade de melhoria nas condições de vida. Tal criação evidencia intervenções territoriais que desconsidera o modo de vida, principalmente de comunidades quilombolas, antecipando o debate acerca das iniquidades socioambientais e racismo ambiental.
Aprendizado e Análise Crítica
O racismo ambiental, refletido na negativa de concessão do direito à água à comunidade quilombola Potes, reforça a resistência contínua dessas comunidades. Percebo nessa resistência contínua uma força que mantém a espiral em movimento, assim como, nas lutas antigas, persiste nas lutas do agora (Gomes, 2024). A busca pela água, a coleta da argila para fazer os potes, essas dificuldades são potencializadas pelo represamento da água. Quando observo os desdobramentos do represamento do Riacho do Frade, não penso apenas em como essa ação afetará a fonte de água da comunidade e sua saúde física, mas também em como, emocionalmente e mentalmente, essas pessoas são afetadas (Batista; Rocha, 2019). A preocupação com ter ou não ter água, a manutenção de uma atividade que, mais do que cultural, é sinal de identidade para a comunidade: a fabricação e a venda de potes. A memória, o território e a ancestralidade caracterizam sua cultura e sua manutenção é símbolo de um movimento contracolonial de embate contra uma estrutura hegemonicamente branca e racista que nega os direitos da comunidade Potes (Bispo, 2023). A vivência possibilitou compreender a água como um determinante social de saúde imprescindível, demonstrando como as intervenções territoriais e ambientais impactam os modos de vida e coexistência com o ambiente das populações quilombolas. Em contrapartida, destacou-se a resistência da comunidade frente às iniquidades e aos processos de vulnerabilização, expressa por práticas culturais marcadas pela coletividade e permanência no território. Além de tensionar as perspectivas que reduzem as populações quilombolas a contextos restritamente de vulnerabilidades.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL E SAÚDE COLETIVA NO TAPAJÓS: UMA REFLEXÃO ACADÊMICA SOBRE ASSIMETRIAS TERRITORIAIS E A EXPANSÃO AGROEXPORTADORA
Comunicação Oral Curta
1 UFOPA
2 0
Contextualização
A consolidação da Amazônia como fronteira estratégica do capital global no século XXI, impulsionada pela logística de commodities, impõe modelos de desenvolvimento que invisibilizam sistematicamente impactos socioambientais e sanitários sobre os territórios tradicionais. Este cenário configura o racismo ambiental (HERCULANO, 2008), definido como a imposição desproporcional de riscos e danos ecológicos a grupos vulnerabilizados em prol de fluxos econômicos externos. Diante dessa realidade, este relato sistematiza reflexões críticas sobre a coexistência de racionalidades opostas: o fomento à sociobioeconomia versus o avanço de projetos que, embora promovam o desenvolvimento regional, aprofundam assimetrias territoriais e agravam vulnerabilidades na saúde.
Como materialização desse conflito e sua relação com as emergências climáticas, dada a pressão sobre ecossistemas vitais, destaca-se o Decreto nº 12.600/2025, que qualificou a hidrovia do rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. A medida, embora justificada pela ampliação da navegabilidade, negligenciou a consulta prévia, livre e informada (Convenção 169 da OIT) e os potenciais agravos à integridade dos territórios. A mobilização de povos indígenas e ribeirinhos em Santarém (PA), que culminou na revogação do decreto em 2026, evidenciou a resistência contra a expropriação técnica e a desestruturação de modos de vida tradicionais. Por meio de metodologias ativas, a experiência docente problematizou como a fragmentação institucional produz implicações críticas, ainda pouco visibilizadas, para a saúde coletiva e a justiça ambiental na Amazônia.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência de uma atividade de aprendizagem ativa realizada na disciplina "Políticas Públicas de Desenvolvimento Regional" do curso de graduação da UFOPA. A prática ocorreu em março de 2026 e utilizou metodologias ativas para problematizar a fragmentação institucional e suas implicações para a saúde coletiva e justiça ambiental.
Período de Realização
A prática ocorreu em março de 2026 e utilizou metodologias ativas para problematizar a fragmentação institucional e suas implicações para a saúde coletiva e justiça ambiental.
Objetivo
Analisar a percepção dos estudantes sobre suas trajetórias na educação básica, considerando os determinantes sociais e econômicos que impactam o processo de aprendizagem e a saúde mental no ensino superior.
Resultados
- Identificação da coexistência de agendas conflitantes no território: infraestrutura logística agroexportadora versus manejo sustentável e sociobioeconomia.
- Constatação de que o desenvolvimento regional é tratado como uma "caixa-preta", onde há desconexão entre as dimensões econômica, social e ambiental.
- Reconhecimento de que a revogação do Decreto nº 12.600/2025 interrompeu obras que tendiam a internalizar riscos socioambientais e agravos à saúde das populações locais.
Aprendizado e Análise Crítica
A sala de aula foi transformada em um espaço de monitoramento e observatório das políticas públicas. Para os alunos, a aprendizagem ocorreu ao perceberem que o "desenvolvimento" não é um conceito neutro, mas um campo de disputa constante. Eles aprenderam a ler as "entrelinhas" de instrumentos normativos, como os decretos, compreendendo que a ausência de participação social muitas vezes atua como uma técnica de gestão que facilita a implementação de projetos de alto impacto territorial.
A análise crítica da experiência revela que:
Hegemonia Econômica sobre a Vida: Existe uma priorização sistemática da logística de exportação em detrimento da segurança vital das comunidades tradicionais. Nesse modelo, a saúde é secundarizada frente aos fluxos de capital.
Invisibilidade do Adoecimento: O modelo de desenvolvimento hegemônico produz riqueza para exportação enquanto, pari passu, gera um adoecimento local sistematicamente silenciado e ignorado pelos relatórios oficiais de progresso.
Falha de Integração Institucional: Há uma desconexão profunda entre o planejamento econômico e as políticas de saúde coletiva. Sem essa articulação, as estratégias de "desenvolvimento" acabam produzindo novas vulnerabilidades e aprofundando injustiças ambientais.
Em suma, a ausência de integração entre as políticas de desenvolvimento e de saúde evidencia a urgência de agendas públicas convergentes que consigam conciliar a economia com a justiça socioambiental e a promoção da saúde na Amazônia.
EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS E UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS MATERNO-INFANTIL: UMA ABORDAGEM DE SISTEMAS COMPLEXOS EM DOIS MUNICÍPIOS PERNAMBUCANOS
Comunicação Oral Curta
1 Fiocruz Pernambuco
2 Universidade de Brasília
Apresentação/Introdução
No Brasil, o aumento de eventos climáticos extremos evidencia a vulnerabilidade existente em diversas regiões, com 1.594 municípios em situação de vulnerabilidade climática e um aumento significativo de 250% nas catástrofes climáticas em comparação a década de 1990. Os desafios no atendimento e no acesso aos serviços materno-infantil de saúde se complexifica frente às barreiras geográficas, socioeconômicas, culturais e políticas que sobrepõem efeitos e caracterizam especificidades aos territórios. Sendo necessárias diferentes percepções de experiências para observação e análise aprofundada dos fenômenos, suas implicações e resiliências desenvolvidas pelos sistemas de saúde locais, mediante choques externos causados pelas inundações e ondas de calor.
Objetivos
identificar como as enchentes e ondas de calor afetam a utilização dos serviços de saúde materno-infantil em dois municípios pernambucanos sob diferentes perspectivas (comunidade, trabalhadores e gestores) por meio de sistemas complexos (Causal Loop Diagram).
Metodologia
Este estudo utilizou uma abordagem de construção de modelo em grupo (Group Model Building – GMB) fundamentada no pensamento sistêmico, para identificar representações visuais por meio de Diagramas de Loop Causal (CLD), que expressam as relações causais que explicam como enchentes e ondas de calor afetam o uso e a acessibilidade dos serviços de saúde materno-infantil (SMI) no sistema público de saúde brasileiro. O estudo foi conduzido em dois municípios pernambucanos (Recife e Palmares) em 2025. Os participantes foram selecionados com base em três representações: comunidade (gestantes, mães de crianças de até cinco anos, parceiros ou lideranças comunitárias); profissionais da saúde (Estratégia Saúde da Família); e gestores de saúde, defesa civil e assistência social.
Resultados e Discussão
Foram identificados 26 loops em Recife e 16 em Palmares. Observou-se predominância de loops de reforço, correspondendo a 19 (73%) em Recife e 13 (81%) em Palmares, em ambos os contextos os loops estão relacionados a ciclos de agravamento, como por exemplo, sobrecarga dos serviços de saúde e aumento da demanda por doenças relacionadas ao clima. Isto sugere que os sistemas locais operam sob dinâmicas de ampliação de vulnerabilidades com pouca capacidade de absorção dos choques climáticos. Quanto ao foco sistêmico, Recife apresentou maior concentração de loops direcionados à oferta (17) (resposta institucional e comunitária, proteção social, dificuldade do acesso à atenção especializada) em comparação à demanda (9) (saúde mental, insegurança alimentar e impacto econômico), padrão semelhante à Palmares (11 de oferta e 5 de demanda), indicando a centralidade das questões institucionais e organizacionais dos dois municípios. Recife apresentou maior concentração de loops mencionados em apenas um nível de participantes (65%), enquanto Palmares demonstrou distribuição mais equilibrada, com maior proporção de loops identificados nos três níveis de interesse (57% em dois ou mais GMBs). Quanto à diversidade de participação, Recife apresentou predominância de loops associados a apenas um nível de representação (84%), indicando menor integração entre os níveis comunitários, profissionais e gestores. Por outro lado, Palmares apresentou maior diversidade, (50%) dos loops envolvendo múltiplos níveis de representação. Os eventos climáticos ampliaram os desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, causada por múltiplos fatores como aumento do risco de doenças relacionadas ao calor e às enchentes, absenteísmo dos profissionais de saúde e disrupção dos serviços de saúde. Problemas de saúde mental também foram ampliados, decorrentes das enchentes recorrentes, sobrecarregando a Atenção Primária à Saúde e a rede especializada.
Conclusões/Considerações Finais
Os resultados sugerem que Recife apresenta loops mais recorrentes, concentrados em problemas estruturais do sistema de saúde (sobrecarga, acesso e coordenação), com maior presença de estratégias adaptativas, refletindo uma abordagem mais institucional e operacional. Enquanto que Palmares apresenta maior diversidade temática e integração entre stakeholders, com loops fortemente associados a determinantes sociais (insegurança alimentar, saúde mental e condições de vida), indicando uma compreensão ampla e sistêmica das vulnerabilidades, porém com menor evidência de respostas adaptativas estruturadas. O estudo aponta também para a importância de estratégias participativas e da integração entre níveis comunitários, profissionais e gestão para refletir sobre os desafios e as vulnerabilidades que as emergências climáticas impõem aos territórios, bem como organizar ações de mitigação e adaptação ao clima. Estes são resultados preliminares de um estudo em desenvolvimento.
GESTÃO COMUNITÁRIA DA ÁGUA NA AMAZÔNIA: POTENCIALIDADES E DESAFIOS PARA A PROMOÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS E COMBATE À EXCLUSÃO SOCIAL EM TERRITÓRIOS TRADICIONAIS
Comunicação Oral Curta
1 Instituto René Rachou - Fiocruz Minas
Apresentação/Introdução
A emergência climática na Amazônia intensifica o período de secas, agravando o cenário de escassez hídrica para povos tradicionais da maior bacia hidrográfica do mundo. Esse processo é indissociável do racismo ambiental, que se manifesta na histórica exclusão dessas populações das políticas de saneamento. A negligência estatal no provimento de infraestrutura básica vulnerabiliza ribeirinhos e indígenas, cujos territórios são marginalizados pelo paradigma desenvolvimentista. Nesse contexto, a gestão comunitária da água emerge como estratégia de resistência para a promoção dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (DHAS).
Objetivos
O objetivo deste trabalho é apresentar os principais modelos de gestão comunitária da água (GCA) utilizados em unidades de conservação de uso sustentável na região amazônica e avaliar o seu potencial para a promoção dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento nestes territórios. Busca-se mapear as diferentes configurações de governança local e identificar os limites e potencialidades da GCA no enfrentamento à escassez hídrica e à situação de exclusão social dos povos ribeirinhos que habitam estes territórios.
Metodologia
O trabalho apresenta dados coletados através de uma visita de campo realizada entre 09 e 26 de setembro de 2025, na qual a equipe percorreu nove comunidades ribeirinhas que realizam a gestão comunitária de seus sistemas de abastecimento de água, situadas em três Unidades de Conservação (UC) de relevância estratégica para o tema: a Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns (PA), a Resex Médio Juruá (AM) e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá (AM). Em cada comunidade foram realizadas rodas de conversa com lideranças comunitárias e moradores locais, além de inspeções aos sistemas de abastecimento de água e o registro sistemático em diários de campo e fotografias. A visita teve como objetivo realizar um levantamento inicial dos modelos de governança local utilizados nestas comunidades e serviu como base para o desenvolvimento da segunda etapa do projeto, que deverá se basear na realização vivências etnográficas em cada um destes territórios.
Resultados e Discussão
A pesquisa permitiu identificar três modelos distintos de gestão comunitária da água em operação nos territórios avaliados. Na Resex Tapajós-Arapiuns, predomina o modelo de "autogestão" comunitária, apoiado pela ONG Projeto Saúde e Alegria. Apesar do recurso inicial para implementação do SAA ser proveniente de projetos do terceiro setor, nesse território, a operação e manutenção financeira dos sistemas são assumidas integralmente pela comunidade, com suporte externo focado apenas em momentos de implementação ou reformas pontuais, o que exige alto grau de coesão social para a sustentabilidade do serviço. Na Resex Médio Juruá, observou-se o modelo de gestão por Organizações Comunitárias locais com suporte de organização da sociedade civil (nesse caso, a Associação de Produtores Rurais de Carauari - ASPROC). Nesse modelo as comunidades operam os SAA e gerenciam seus próprios fundos de água, mas contam com uma retaguarda técnica e organizacional centralizada em uma organização intercomunitária, o que facilita a compra de insumos (como o cloro), o apoio técnica e a resolução de problemas mais complexos. Já na RDS Mamirauá, o modelo que vem tentando ser implementado é o de gestão compartilhada, fundamentado em acordos formais entre Município, comunidades e OSC. Neste arranjo, espera-se que a prefeitura assuma a remuneração de operadores e manutenções pesadas, enquanto a comunidade cuida do cotidiano de operação e de manutenções mais simples.
A discussão desses modelos revela que, embora a gestão comunitária contribua de maneira decisiva para a resiliência climática e para promoção dos DHAS dessas populações, ela enfrenta barreiras severas impostas pelo racismo ambiental. A omissão estatal manifesta-se de diversas formas: na ausência de políticas públicas de saneamento rural específicas para as populações tradicionais; no total distanciamento das prefeituras e até mesmo do ICMBio nas iniciativas de GCA desenvolvidas nas duas reservas extrativistas; e até mesmo na fragilidade dos vínculos estabelecidos com o Estado no projeto que prevê a gestão compartilhada (RDS Mamirauá). Apesar da potencialidade de empoderamento das comunidades, há o risco de o Estado utilizar a autonomia comunitária como pretexto para a desoneração de sua responsabilidade constitucional.
Conclusões/Considerações Finais
Os modelos de gestão comunitária na Amazônia têm impulsionado autonomia territoral dos povos tradicionais e representam hoje a principal via de acesso à água nas áreas rurais dos quais o Estado se ausenta. Contudo, é necessária uma avaliação mais detalhada da realização efetiva dos DHAS (qualidade, aceitabilidade e acessibilidade) nestes territórios e sua correlação com cada modelo apresentado. Conclui-se que o fortalecimento desses arranjos de governança é um caminho promissor para a justiça hídrica, desde que acompanhado do suporte estatal e da vigilância em saúde ambiental.
HISTÓRIAS QUE O RIO CONTA: SAÚDE, SANEAMENTO E BEM VIVER ENTRE OS TIKUNA
Comunicação Oral Curta
1 Instituto René Rachou / Fiocruz Minas
Apresentação/Introdução
A saúde não diz respeito apenas a um estado individual e isolado do corpo, mas como construção coletiva e sistemática. Neste sentido, para os povos originários, o bem viver se delineia como a relação indissociável e de equilíbrio entre as dimensões humanas, naturais, espirituais e territoriais. A noção de bem viver (Escobar, 2016; Krenak, 2020) ultrapassa um conceito abstrato ou meramente relativo ao acesso a serviços básicos. Trata-se, antes, de um modo de existência e construção identitária que se contrapõe às lógicas do desenvolvimento predatório (Acosta, 2019) e às lógicas que fragmentam a vida, afirmando outras formas de habitar o mundo.
Este trabalho é fruto de um projeto de pesquisa que busca compreender os entrelaçamentos entre saúde, saneamento e bem viver entre os indígenas Tikuna de Tabatinga/AM. A pesquisa tem como pressuposto a correlação intrínseca entre saúde e saneamento para promoção da qualidade de vida e bem estar em comunidades indígenas, considerando a situação de vulnerabilidade nas quais estão expostos quanto à saúde e saneamento (PNSR, 2019). Contudo, para além das dimensões políticas e estruturais, os modos de conhecer e existir são partes constituintes do conceito de bem estar para essa população, e é nesta dimensão que este trabalho se fundamenta.
Autodenominados Magüta, os Tikuna constituem um dos principais povos indígenas da região amazônica, com uma população estimada de 46.045 pessoas (IBGE, 2022). Habitam, sobretudo, o Alto Solimões, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Sua história é atravessada por desafios e enfrentamentos significativos, como a defesa de seus territórios e práticas culturais diante de ameaças colonizadoras, conflitos fundiários, avanço do desmatamento e crises ambientais. A cultura e o modo de vida Tikuna se sustentam em práticas ecológicas e rituais que reafirmam a ligação com o território e os saberes ancestrais. Reconhecem na água um elemento central de sua cosmologia e existência, originários de humanos “pescados” por Yo’i no igarapé Ewaré. Ainda que situados em um território banhado por vastos rios, o povo Tikuna enfrenta períodos de enchentes e secas que, associados às condições de saúde e saneamento e às atuais questões ambientais, impõem desafios profundos ao bem estar da população.
Objetivos
Compreender os entrelaçamentos entre saúde, saneamento e bem viver entre os indígenas Tikuna de Tabatinga/AM.
Metodologia
Na primeira fase da pesquisa foi realizada uma revisão de literatura sobre bem viver, saneamento indígena e contextualização do povo Tikuna. Conjuntamente, foi elaborado um levantamento de dados secundários de acesso aberto, buscando caracterizar as condições de abastecimento de água, esgotamento sanitário e manejo de resíduos sólidos, bem como as intercorrências em saúde na Terra Indígena Tikuna Umariaçú. A segunda fase consistiu em um trabalho de campo na Aldeia Umariaçú II, com atuação principal do pesquisador indígena Tikuna, ampliando as concepções da pesquisa e integrando suas vivências e conhecimentos do território. Por meio de mapeamento fotográfico, observação participante e entrevistas com membros da comunidade, foi possível adentrar questões relativas aos processos históricos, políticos e territoriais, assim como as percepções, práticas e narrativas sobre as transformações vividas.
Resultados e Discussão
Os resultados da pesquisa evidenciaram como a população Tikuna enfrenta graves problemas para a qualidade de vida, como a falta de água potável, a precariedade nas condições de saneamento sanitário, a contaminação dos igarapés e a precariedade do manejo de resíduos sólidos. É observado um cenário de descaso de autoridades responsáveis, tanto na oferta de serviços, quanto em ações de preservação e proteção ambiental, contribuindo para a permanência de condições desiguais e situações de vulnerabilidade que são ainda agravadas pelos problemas das emergências e mudanças climáticas. Grande parte da população depende, assim, de soluções compartilhadas e, por vezes, improvisadas, para a garantia de necessidades básicas. Essas questões ultrapassam a dimensão estritamente estrutural, mas configuram-se como ameaças diretas ao modo de vida e aos valores culturais do povo Tikuna.
Conclusões/Considerações Finais
As problemáticas de saúde e saneamento incidem não apenas sobre a saúde no sentido biomédico, mas fragilizam as práticas culturais, os modos de cuidado e as formas de existência. A contaminação dos igarapés, por exemplo, centrais na cosmologia Tikuna e compreendidos como espaços de vida, sustento e espiritualidade, passam a ser associados como espaços de doença. A crescente escassez hídrica interfere não apenas no consumo e subsistência material, mas reverbera nos rituais, na pesca, e nas formas de relação com o mundo. Ao comprometer essas práticas, são criadas rupturas na memória coletiva e nas relações, revelando que a crise sanitária e hídrica é também uma crise de sentidos, pertencimento, identidade e continuidade de vida.
INJUSTIÇA CLIMÁTICA E INIQUIDADES EM SAÚDE NO BRASIL: REVISÃO DE ESCOPO DOS IMPACTOS NOS DETERMINANTES SOCIAIS EM POPULAÇÕES TERRITORIALMENTE VULNERABILIZADAS
Comunicação Oral Curta
1 UFC
Apresentação/Introdução
O Brasil tem testemunhado uma intensificação sem precedentes de desastres climáticos que desnudam a fragilidade de seus territórios. Eventos como secas severas no semiárido, inundações catastróficas em centros urbanos e o avanço do desmatamento na Amazônia não são meras fatalidades meteorológicas, mas expressões da crise climática sobrepostas a cicatrizes históricas de desigualdade.
Esses desastres atingem de forma desproporcional populações em situação de vulnerabilidade, evidenciando padrões excludentes de ocupação territorial e o fenômeno do racismo ambiental. Ademais, a resposta estatal tem sido marcadamente fragmentada e inoperante, falhando em prover infraestrutura adaptativa e proteção social eficaz, o que agrava a exposição dos grupos marginalizados. Nesse cenário, a injustiça climática emerge como chave analítica essencial para compreender como a inação política e a má distribuição de recursos convertem riscos ambientais em iniquidades em saúde sistêmicas.
Por fim, esse paradigma socioterritorial torna-se central para evidenciar como a negligência estatal e a segregação do espaço transmutam desastres em processos de adoecimento e morte no país.
Objetivos
Analisar criticamente as evidências científicas sobre os impactos das mudanças climáticas nos determinantes sociais e nos desfechos em saúde de populações vulnerabilizadas no Brasil.
Metodologia
Trata-se de uma revisão de escopo conduzida conforme o referencial do Joanna Briggs Institute (JBI) e reportada segundo o Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR). As buscas foram realizadas nas bases United States National Library of Medicine (PubMed/MEDLINE) (n=1672), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/LILACS) (n=115), Google Scholar (n=17), Elsevier Scopus (n=3), Cochrane Library (n=26) e no repositório do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (CIDACS) (n=9) totalizando 1842 estudos identificados.Utilizou-se a seguinte estratégia: (Climate Change OR Global Warming) AND (Health Equity OR Social Determinants of Health) AND (Vulnerable Populations) AND (Brazil).
Após a remoção de duplicatas, restaram 1770 registros. Na etapa de triagem e leitura na íntegra, 1585 estudos foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, resultando em 185 estudos incluídos para análise final, dos quais 80 compuseram a síntese interpretativa. Os critérios de inclusão foram estudos publicados sem recorte temporal, que discutissem os impactos das mudanças climáticas nos determinantes sociais ou desfechos de saúde em grupos vulneráveis no Brasil, simultaneamente, os de exclusão consistiram em artigos de opinião, duplicatas, estudos realizados fora do território nacional ou que não relacionassem variáveis ambientais a iniquidades sociais e raciais.
Resultados e Discussão
A análise dos 80 estudos incluídos revelou uma predominância de publicações na base PubMed (n=32), seguida pela BVS (n=20), Cochrane (n=12), CIDACS (n=9), Google Scholar (n=6) e Scopus (n=1). Quanto ao perfil idiomático, identificou-se uma hegemonia da língua inglesa (n=49) frente às publicações em português (n=31), evidenciando a internacionalização do debate sobre o nexo clima-saúde.
Os dados demonstram que a crise climática opera como um "multiplicador de ameaças" em territórios marcados pela omissão histórica do Estado. Evidências robustas apontam que a segregação residencial, estruturada por raça e renda, é o fator preponderante da vulnerabilidade socioambiental no Brasil. Esse cenário afeta, de forma desproporcional, famílias pretas e pardas com rendimento de até um salário mínimo, caracterizando o fenômeno do racismo ambiental.
A análise demonstra que a inoperância governamental na gestão de riscos resulta em um aumento de agravos cardiovasculares, doenças infecciosas e transtornos mentais em periferias urbanas. Os determinantes sociais da saúde são reconfigurados pela precariedade habitacional, exacerbada por eventos extremos que aprofundam a exclusão nos territórios pauperizados. A inação política não apenas falha em proteger, mas ativamente aprofunda a iniquidade, visto que as infraestruturas de adaptação climática raramente contemplam os territórios mais vulneráveis.
Conclusões/Considerações Finais
As mudanças climáticas intensificam as iniquidades em saúde no Brasil por meio de um ciclo de negligência estatal e injustiça territorial. Os achados indicam que o enfrentamento à crise exige respostas que transcendam abordagens estritamente técnicas, demandando ações estruturais sobre os determinantes sociais da saúde e o fortalecimento do Sistema único de Saúde. É imperativo que a justiça climática guie as políticas públicas para garantir a resiliência de populações vulnerabilizadas frente à inoperância institucional.
PERCEPÇÕES SOBRE DINÂMICAS PSICOSSOCIAIS NA RESERVA EXTRATIVISTA CHICO MENDES: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Comunicação Oral Curta
1 UNIR
2 UFAC
Contextualização
As reservas extrativistas são unidades de conservação cuja origem está associada às reivindicações territoriais de seringueiros e seringueiras, pautadas por seus movimentos socioambientais nas décadas de 1970 e 1980. No Acre, essa mobilização foi uma resposta da comunidade tradicional extrativista aos avanços de fazendeiros e empresários da agropecuária, estes incentivados e apoiados pelas políticas agrárias de integração do período militar (Allegretti, 2008; Carvalho & Gohn, 2025). O conflito entre a defesa do uso sustentável dos recursos da floresta e a expansão da pecuária, representados por seus respectivos grupos antagonistas no século XX, segue ativo no século XXI em locais como a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, em nova configuração. Fatores como dificuldades de viabilidade econômica e transformações culturais têm provocado tensões na Resex Chico Mendes, chegando ao ponto de ser possível identificar a valorização da criação de gado pelos próprios moradores (Hoelle, 2015; Maciel et al., 2025). Este trabalho é resultado de experiências vivenciadas por uma estudante de Psicologia atuando como assistente de pesquisa de campo na Resex Chico Mendes. As atividades fizeram parte do projeto“PRODIGY - Soil Biodiversity Governing Tipping Points in the Amazon”, financiado pelo Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha.
Descrição
A pesquisa consistiu em observação-participante e entrevistas com residentes da Resex Chico Mendes, sendo abordados temas como mudanças climáticas, atividades econômicas, governança e participação social, e acesso a políticas públicas.
Período de Realização
A coleta de dados ocorreu em dois momentos: de 8 a 15 de setembro de 2024, e de 31 de março a 10 de abril de 2025.
Objetivo
Relatar as percepções de uma estudante de Psicologia acerca de dinâmicas psicossociais dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes.
Resultados
A imersão no território proporcionou a identificação de desafios e potencialidades da Resex, tanto através de relatos dos participantes quanto da observação do próprio espaço. Neste sentido, destacam-se: posicionamentos ambivalentes com relação à criação de gado dentro da Resex, frustração com o baixo retorno financeiro de atividades tradicionais como o corte de seringa, interesse em atividades alternativas de agricultura como Sistemas Agroflorestais e cafeicultura, percepção de mudanças climáticas e associação destas com o desmatamento, preferência pela permanência no território em comparação com a migração para a cidade, reivindicações de melhores ramais, expectativas de fortalecimento de ações socioambientais do ICMBio, e descontentamento em relação à ênfase na postura punitiva do órgão gestor.
Aprendizado e Análise Crítica
Aprendizados: Conhecer o território culminou na criação de vínculo com pessoas, espaços e narrativas da Resex Chico Mendes. Apesar das experiências prévias de estudo e ações socioambientais vivenciadas pela estudante, o contato e escuta das problemáticas de quem as vive permitiu atestar a complexidade das questões socioambientais em contexto amazônico. A defesa da floresta em pé implica na implementação eficaz de políticas que possam atender às necessidades comunitárias dos moradores da Resex e defender o benefício coletivo de conservação da Amazônia.
Análise Crítica: Considera-se importante fortalecer o vínculo da comunidade com suas organizações, sejam elas ONGs, associações de moradores, núcleos de base, cooperativas ou o próprio ICMBio, para que seja possível avançar as pautas sociais e demandas políticas de interesse comum. A Resex foi idealizada por e concebida para os extrativistas, para que fizessem uso de seus recursos nos espaços que já ocupavam mesmo antes de sua institucionalização. Nesse sentido, é fundamental que a lógica de funcionamento da Resex considere os novos cenários sociais e econômicos para que seja sustentável ecológica e economicamente, buscando novas alternativas de operação dentro dos propósitos de uma unidade de conservação que também é território de comunidades tradicionais amazônidas.
Referências:
Allegretti, M. (2008). A construção social de políticas públicas. Chico Mendes e o movimento dos seringueiros. Desenvolvimento e Meio Ambiente, 18, 39-59. https://doi.org/10.5380/dma.v18i0.13423
Carvalho, E. L. dos S., & Gohn, M. da G. (2025). Lutas sociais na Amazônia: um relato de experiência de comunidades rurais ribeirinhas da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns (PA). Cadernos CERU, 36(1), 274-298.
Hoelle, J. (2015). Rainforest cowboys: the rise of ranching and cattle culture in western Amazonia. University of Texas Press.
Maciel, M. D. A., Maciel, R. C. G., Lima, L. F., Mangabeira, J. A. C., Romeiro, A. R., & Oliveira, O. F. (2025). Da produção rural familiar à mitigação climática: Uma abordagem para a mensuração das emissões de CO2 na Resex Chico Mendes. Texto para Discussão (Unicamp), 477.
Realização: