Programa - Comunicação Oral Curta - COC8.2 - Doenças negligenciadas e atenção a saúde na região Amazônica
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
ENTRE A FORMAÇÃO E O SERVIÇO: A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE COLETIVA NA VIGILÂNCIA EM SAÚDE NO DISTRITO DE SAÚDE RURAL DE MANAUS.
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal do Amazonas- UFAM
2 Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas- SES/AM
Contextualização
O presente trabalho emerge da vivência na Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva nas Águas, Florestas e Campo (PROCANOAS), sendo motivado pela necessidade de analisar a atuação da Vigilância em Saúde em territórios rurais, historicamente marcados por desigualdades estruturais e por condições socioambientais que incidem diretamente sobre o processo saúde-doença. A escolha do tema decorre da inserção no Setor de Vigilância em Saúde de um Distrito de Saúde Rural de Manaus, cuja realidade evidenciou tanto limites quanto potencialidades na organização das práticas de saúde, tensionando a relação entre as diretrizes do Sistema Único de Saúde e sua materialização em contextos de vulnerabilidade.
Descrição
A atuação ocorreu junto ao setor de análise de situação de saúde e do setor de controle de endemias terrestres e fluviais, envolvendo atividades como monitoramento de notificações, investigação de casos, planejamento de campanhas e participação em ações territoriais. Tal inserção possibilitou a apreensão dos fluxos de trabalho e dos processos de gestão, evidenciando a centralidade da Vigilância em Saúde na produção do cuidado em territórios periféricos.
Dentre as práticas acompanhadas, destacam-se o uso de ferramenta tecnológica que potencializa a coleta e a circulação de informações no âmbito da Atenção Primária, bem como a realização de ações itinerantes de vigilância, estruturadas a partir de rodas de conversa e atividades educativas desenvolvidas junto à equipe multiprofissional e à comunidade. Tais estratégias dialogam com a concepção ampliada de saúde e com os princípios da territorialização e da participação social, centrais ao Sistema Único de Saúde, além de se aproximarem de metodologias como o Diagnóstico Rural Participativo, ao reconhecerem os sujeitos como protagonistas na produção do cuidado.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida no ano de 2025, ao longo de dois meses, em um território rural da região amazônica, caracterizado por isolamento geográfico, barreiras de acesso e elevada incidência de agravos relacionados ao ambiente, como a malária.
Objetivo
A experiência permitiu dialogar com o conceito de vulnerabilidade em saúde, que articula dimensões individuais, sociais e programáticas, evidenciando que os limites observados – como descontinuidade das ações, escassez de recursos e fragilidades na gestão – não são meramente operacionais, mas refletem condicionantes estruturais do sistema de saúde. Assim, embora a atuação multiprofissional integrada contribua para o fortalecimento do vínculo com o território e para a ampliação da resolutividade das ações, tais avanços coexistem com desafios persistentes que tensionam a efetividade das práticas de Vigilância em Saúde.
Resultados
Como resultados da experiência, evidenciou-se: a ampliação da capacidade de monitoramento e resposta a agravos por meio da incorporação de ferramentas digitais no cotidiano da vigilância; o fortalecimento do vínculo entre equipes de saúde e comunidades, favorecido pelas ações itinerantes e participativas; a maior integração entre os diferentes núcleos da Vigilância em Saúde; e, simultaneamente, a persistência de entraves estruturais, como limitações logísticas, descontinuidade de ações e fragilidades na gestão, que impactam a efetividade das intervenções no território.
Aprendizado e Análise Crítica
A análise crítica da experiência fundamenta-se na compreensão das desigualdades socioambientais e dos determinantes sociais da saúde, conforme discutido por Pessoa, Almeida e Carneiro (2018), ao compreender que os agravos não se restringem à dimensão biológica, mas são produzidos por processos históricos, sociais, econômicos e ambientais. Nesse sentido, as condições de vida das populações do campo, da floresta e das águas, marcadas por dificuldades de acesso, precariedade de infraestrutura e invisibilidade nas políticas públicas, configuram-se como elementos estruturantes das iniquidades em saúde. Tal compreensão é reforçada pelas diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas, que propõe a adoção de estratégias diferenciadas e territorialmente orientadas.
No plano formativo, a experiência possibilitou a construção de um olhar crítico e ampliado sobre o trabalho em saúde, evidenciando que a Vigilância em Saúde ultrapassa a dimensão técnico-operacional, configurando-se como espaço político de produção de respostas às iniquidades e as doenças negligenciadas. Os aprendizados envolvem não apenas o desenvolvimento de competências técnicas, mas a incorporação de uma postura reflexiva e propositiva frente às contradições do SUS, bem como o reconhecimento da necessidade de práticas intersetoriais, territorializadas e comprometidas com a equidade.
MAPEAMENTO DE ATORES LOCAIS PARA A VIGILÂNCIA TERRITORIALIZADA DA SAÚDE NUMA FRONTEIRA INTERNACIONAL AMAZÔNICA: UM OLHAR DESDE “UMA SÓ SAÚDE”.
Comunicação Oral Curta
1 Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz
2 Instituto Leônidas e Maria Deane/Fiocruz Amazonas
3 Plataforma Internacional para Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PICTIS
4 Universidade de Artois (França)
5 Institut de Recherche pour le Développement (IRD). França
Apresentação/Introdução
As alterações e degradações ambientais, quer resultem de alterações globais como a crise climática ou de ações antropogênicas locais, têm impactos diretos e indiretos em cascata sobre a subsistência, a saúde e o bem-estar da população humana, através de mudanças no suprimento de serviços de ecossistemas dos quais as plantas, a fauna selvagem, doméstica e as populações humanas dependem. Apesar dos progressos significativos no controle das doenças infecciosas, a persistência e reemergência de alguns agentes infecciosos de importância para a saúde pública, desafia os cenários mais otimistas em relação ao controle e eliminação de doenças. Esses problemas são amplificados nas fronteiras internacionais amazônicas, nas quais há um fluxo permanente de indivíduos e microorganismos, porém com limitação do fluxo de informações para a vigilância sendo necessário inovar os modelos e estratégias dessa vigilância. Uma abordagem desde a proposta de “Uma Só Saúde” com a inclusão das comunidades locais como parte desse ecossistema de informação pode ser um caminho para superar os desafios existentes.
Objetivos
O objetivo deste trabalho é estabelecer uma base de referência das partes interessadas de diversos níveis que atuam na tríplice fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Peru para promover a participação ativa e a colaboração para a construção desse ecossistema que permitirá inovação na vigilância.
Metodologia
O estudo foi realizado na tríplice fronteira internacional entre o Brasil (BR), Colômbia (CO) e Peru (PE). Foram usadas quatro estratégias para a identificação das partes interessadas incluindo um levantamento baseado em revisão bibliográfica, diversas bases de dados científicas (PubMed, Elsevier, ResearchGate, etc.); um levantamento documental em sites de instituições governamentais para mapear publicações relacionadas aos descritores "mudanças climáticas", "degradação ambiental" e "eventos extremos" ; uma pesquisa em plataformas de mídias sociais, utilizando uma abordagem de amostragem em bola de neve, e finalmente, foram realizados dois trabalhos de campo, um e, 2024 e outro em 2025 para validar e completar as informações obtidas e convidar as partes interessadas a participar do projeto. Os atores foram categorizados conforme suas características e papel desempenhado e usada a matriz de Mendelow e da rede socio-técnica para sistematizar as informações obtidas. O recrutamento de facilitadores locais contribui para a contextualização da pesquisa e fortalecer o engajamento das partes interessadas locais na pesquisa. O projeto foi apresentado e aprovado pelo Sistema CEP/Conep (parecer 7.316.864).
Resultados e Discussão
Em total foram identificados 113 partes interessadas na área de tríplice fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Peru. Desses, 41 (36,3%) atúam no lado brasileiro da fronteira, 49 (43,4%) do lado colombiano e 23 (20,4%) do lado peruano. Ao avaliar o nível de atuação, foi observado que 30 (26,5%) são atores que atúam no nível internacional, 26 (23%) no nível nacional (Ministérios, Centros de Pesquisa e Universidades Federais), 33 (29,2%) no nível regional ou estadual (Secretarias estaduais de saúde ou ambiente, Universidades estaduais) e 24 (21,2%) no nível local (secretarias municipais de saúde ou ambiente, ONGs, etc.). Em total, 34 (30,1%) partes interessadas atúam na área de saúde humana, 27 (23,9%) na área de saúde ambiental, 18 (15,9%) na área de saúde animal e 34 (30,1%) atúam em várias áreas ou em campos diversos como educação ou movimentos sociais e indígenas, governança territorial etc. Ao estabelecer o tipo específico de partes interessadas foi encontrado que o maior número corresponde a agencias do governo (25, 22,1%), seguidos por instituições do nível municipal ou estadual (22, 19,5%), ONGs (15, 13,3%) ou organizações internacionais (13, 11,5%). Somente foram identificadas 9 (8%) organizações da sociedade civil ou conselhos comunitários.
Conclusões/Considerações Finais
Existe uma diversidade de tipos institucionais, com predominância de ONGs, agências governamentais e iniciativas comunitárias, indicando um engajamento ativo tanto da sociedade civil quanto das autoridades públicas nas localidades. Organizações estrangeiras estão presentes em projetos de conservação ambiental ao longo das fronteiras. De modo geral, as partes interessadas estão conectadas a pelo menos um domínio da Saúde Única. É interessante observar que um importante percentual de atores (30,1%) atúa em diversos campos como educação, cultura e governança territorial, mostrando a diversidade de partes interessadas existentes.
VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NA AMAZÔNIA URBANA: EFEITOS DAS CHUVAS INTENSAS E DA DEFICIÊNCIA DO SANEAMENTO BÁSICO NA SAÚDE PÚBLICA
Comunicação Oral Curta
1 IESPES
Apresentação/Introdução
As áreas urbanas da Amazônia apresentam elevada vulnerabilidade socioambiental, associada ao crescimento urbano desordenado, à precariedade do saneamento básico e à ocorrência de eventos climáticos extremos. As chuvas intensas favorecem enchentes, ampliando a exposição da população a agentes patogênicos presentes em águas contaminadas, o que contribui para o aumento de doenças de veiculação hídrica e configura um relevante problema de saúde pública.
Objetivos
Analisar os impactos das chuvas intensas e da deficiência do saneamento básico na exposição da população urbana amazônica a vírus e bactérias veiculados por enchentes, destacando implicações para a saúde coletiva.
Metodologia
Trata-se de uma revisão bibliográfica descritiva, com abordagem qualitativa, fundamentada em artigos científicos disponíveis nas bases SciELO, PubMed, Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde. Foram selecionados estudos publicados entre 2015 e 2025, em língua portuguesa, utilizando descritores relacionados a saneamento básico, chuvas, inundações, doenças de veiculação hídrica, saúde ambiental e vulnerabilidade social. A análise foi realizada de forma interpretativa, buscando identificar relações entre determinantes socioambientais e impactos na saúde.
Resultados e Discussão
Os achados evidenciam que a associação entre chuvas intensas e infraestrutura sanitária precária contribui para a contaminação das águas urbanas, favorecendo a disseminação de microrganismos patogênicos. A ausência de esgotamento sanitário adequado e de sistemas eficientes de drenagem aumenta o contato da população com águas contaminadas, elevando a incidência de doenças infecciosas, sobretudo em áreas periféricas. Ademais destaca-se a exposição a diversos agentes biológicos presentes nas águas de enchentes, incluindo bactérias como Escherichia coli e Leptospira spp., além de vírus entéricos, como rotavírus e norovírus, frequentemente associados a doenças gastrointestinais. A presença desses microrganismos está diretamente relacionada à contaminação por esgoto e resíduos sólidos, potencializando o risco de surtos de doenças de veiculação hídrica. Populações em situação de vulnerabilidade social são as mais afetadas, devido à ocupação de áreas de risco, como regiões alagadiças e margens de rios, refletindo desigualdades estruturais no acesso a serviços urbanos. Além disso, a fragilidade das políticas públicas e da infraestrutura urbana dificulta ações de prevenção e controle. As mudanças climáticas tendem a intensificar a frequência e magnitude das chuvas, ampliando os riscos à saúde. Assim, a vulnerabilidade socioambiental resulta não apenas de fatores naturais, mas também de processos históricos de desigualdade e ausência de planejamento urbano adequado.
Conclusões/Considerações Finais
Constata-se que as chuvas intensas associadas à precariedade do saneamento básico aumentam significativamente a exposição da população amazônica a doenças de veiculação hídrica. Destaca-se a necessidade de fortalecimento de políticas públicas de saneamento e educação em saúde, bem como a adoção de estratégias intersetoriais para redução das vulnerabilidades e promoção da saúde.
INIQUIDADES NA ASSISTÊNCIA À SAÚDE DE POPULAÇÕES VULNERÁVEIS DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19 EM MANAUS-AM: RELATO DE PESQUISA
Comunicação Oral Curta
1 Universidade do Estado do Amazonas
Apresentação/Introdução
A pandemia de COVID-19 foi a maior tragédia sanitária da história mundial recente, revelando profundas desigualdades nos processos de gestão em saúde. A cidade de Manaus - principal metrópole da Amazônia, foi duramente atingida e apresentou um alto número de óbitos, principalmente durante a primeira e a segunda onda da doença, nos anos de 2020 e 2021, respectivamente. As mortes ocorreram de forma desigual, atingindo majoritariamente pessoas em situação de vulnerabilidade social e as populações ribeirinha e indígena, desfechos resultantes da omissão do poder público e da falta de políticas públicas voltadas a essas populações.
Objetivos
Este relato de pesquisa tem por objetivo socializar o conhecimento produzido durante o processo de pesquisa do artigo científico intitulado “Reflexões sobre as iniquidades e o negacionismo científico estatal no contexto da pandemia de covid-19 em Manaus”, o qual foi escrito e submetido a uma revista científica no ano de 2025.
Metodologia
A metodologia de escolha foi a pesquisa bibliográfica e documental, onde buscou-se investigar sobre as iniquidades na assistência à saúde de populações vulneráveis durante a pandemia de COVID-19 em Manaus, através de abordagem qualitativa de atos normativos, ações e decisões judiciais, registros midiáticos e produção científica recente. Foi adotada a análise temática de conteúdo com vistas a identificar e interpretar sentidos nos documentos. A triangulação de fontes buscou garantir maior consistência interpretativa do fenômeno estudado.
Resultados e Discussão
O processo da pesquisa revelou a insuficiência de leitos nos serviços de saúde e a falta de cilindros de oxigênio para os pacientes que apresentaram quadro de síndrome respiratória aguda grave devido à COVID-19. A pesquisa também desnudou incoerências governamentais ao longo do período pandêmico, que resultaram em graves consequências sobre as populações que residem nas áreas periféricas de Manaus e sobre as comunidades ribeirinhas e indígenas, as quais sempre foram historicamente negligenciadas de políticas e do acesso a bens e serviços públicos. O poder público negligenciou a gravidade do quadro epidemiológico, ignorando a necessidade urgente de medidas de isolamento social, alegando que isto iria prejudicar a economia. Além disso, devido a convicções político-ideológicas propagou notícias falsas sem embasamento científico, minimizando a gravidade do quadro epidemiológico naquele momento. E, para além disso, não tomou medidas para mitigar os efeitos da doença sobre as populações mais pobres que residem nas áreas periféricas da cidade de Manaus, reproduzindo iniquidades na assistência e impedindo o acesso a vacinas e leitos, principalmente os de terapia intensiva. Também foi negado o acesso dos indígenas que residem em Manaus aos serviços de saúde, mesmo para aqueles voltados exclusivamente à saúde indígena, com a justificativa de que só poderiam prover tal acesso àqueles que eram aldeados, o que lançou os demais em uma bolha de sofrimento e morte.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se de forma inequívoca, que a situação ocorrida em Manaus, além de grave, expôs a indiferença governamental com aqueles que mais gritaram socorro por suas vidas. As três esferas de governo nitidamente privilegiaram o acesso aos bens e serviços de saúde aos estratos mais altos da população, permitindo com isto, seja por omissão ou por inação, que milhares de pessoas morressem por terem o seu direito ao acesso à saúde negado, configurando, portanto, uma grave violação dos princípios constitucionais de direito à saúde, bem como omissão e descaso por parte do Estado.
MORBIDADE NA AMAZÔNIA LEGAL: DESAFIOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS E CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS ENTRE 2011 E 2021
Comunicação Oral Curta
1 Icict/Fiocruz
Apresentação/Introdução
Este relato de pesquisa apresenta um diagnóstico das condições de saúde e do perfil de morbidade da população residente na Amazônia Legal brasileira, território que compreende nove Unidades da Federação e 772 municípios.
Objetivos
O objetivo central é socializar o conhecimento produzido sobre a complexa realidade epidemiológica regional, promovendo reflexões que fortaleçam o campo das Ciências Sociais e Humanas em Saúde e auxiliem na construção de propostas voltadas à equidade e ao enfrentamento dos determinantes sociais da saúde no território.
Metodologia
A análise da morbidade fundamentou-se em indicadores de Doenças Transmissíveis (2011-2021), oriundos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária), e em indicadores de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), baseados na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 e 2019.
Resultados e Discussão
Os resultados referentes às doenças transmissíveis entre 2011 e 2021 evidenciam a persistência de graves desafios epidemiológicos na região. A participação da Amazônia Legal nos casos novos de tuberculose no Brasil cresceu de 14,4% para 17,3% no período. A incidência no território superou a média nacional em todos os anos, com o Amazonas registrando 73,4 casos por 100 mil habitantes em 2021, valor que é o dobro da média brasileira, seguido pelo Acre com 57,9 casos. Cerca de 60% desses registros concentram-se em residentes de regiões metropolitanas, especialmente em Manaus e Belém, onde as taxas atingiram 93 casos por 100 mil habitantes.
Quanto às leishmanioses, a região concentrou 30% dos casos de leishmaniose visceral (LV) e mais de 60% da leishmaniose tegumentar (LT) do país. O Tocantins apresentou a maior incidência de LV, embora tenha reduzido de 34,2 para 6,7 casos por 100 mil habitantes ao longo da série. Já a LT atingiu suas maiores taxas no Acre (116,2 por 100 mil habitantes) e Amapá (74,2 por 100 mil habitantes) em 2021. Diferente da tuberculose, as leishmanioses ocorrem predominantemente fora das regiões metropolitanas. A hanseníase também é crítica, representando 40% dos casos novos do país. A malária, embora tenha reduzido sua
participação nacional de 93,3% para 80,4%, permanece concentrada em Roraima, Acre, Amazonas e Amapá, com este último registrando 2.316,6 casos por 100 mil habitantes em 2021.
No âmbito das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), observou-se um aumento no diagnóstico autorreferido de pelo menos uma DCNT em quase todos os estados entre 2013 e 2019. Embora a prevalência geral (entre 38,5% e 48,4%) seja inferior à média do Brasil (50,8%), as tendências são de alta. A hipertensão arterial variou de 15,3% no Pará a 22,5% no Tocantins em 2019. O diagnóstico de diabetes cresceu em quase toda a região, atingindo 6,6% em Mato Grosso. O diagnóstico de asma destaca-se negativamente, apresentando prevalências superiores à média nacional em cinco estados (Acre, Amazonas, Roraima, Tocantins e Pará), o que pode estar associado a fatores ambientais como o impacto das queimadas na saúde respiratória.
A análise sugere que os menores percentuais de DCNT em comparação ao Brasil podem refletir tanto o perfil demográfico mais jovem da Amazônia quanto um possível subdiagnóstico médico decorrente de barreiras no acesso e na qualidade da atenção à saúde. O diagnóstico de câncer, por exemplo, apresentou maiores taxas nas regiões metropolitanas, sugerindo que o acesso a exames de rastreio e diagnóstico é limitado no interior.
Conclusões/Considerações Finais
Em suma, a Amazônia Legal vive um cenário de sobreposição de agravos: a persistência de doenças infecciosas negligenciadas e o avanço das condições crônicas e causas externas. Esse perfil epidemiológico complexo é indissociável dos determinantes sociais, como a pobreza, as transformações no uso da terra e a vulnerabilidade das populações tradicionais. Conclui-se que o fortalecimento das políticas públicas de saúde no território exige ações intersetoriais coordenadas que priorizem a equidade, o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno para mitigar as profundas desigualdades socioeconômicas e ambientais. A construção de propostas para o território deve, portanto, considerar a diversidade de populações indígenas e ribeirinhas, e as especificidades geográficas que impactam diretamente a condição de vida e saúde na Amazônia.
QUALIDADE DO AR EM MANAUS: POLUIÇÃO POR MATERIAL PARTICULADO E SUA RELAÇÃO COM DOENÇAS RESPIRATÓRIAS E CARDIOVASCULARES
Comunicação Oral Curta
1 ILMD
2 UEA
Apresentação/Introdução
A qualidade do ar é um dos principais determinantes ambientais da saúde humana. Na cidade de Manaus, fatores como crescimento populacional, aumento da frota de veículos e influência de queimadas regionais contribuem para a emissão poluentes. Dentre eles destaca-se o material particulado fino com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros (MP2,5). Essas partículas penetram no sistema respiratório, alcançando os alvéolos pulmonares e podendo atingir a corrente sanguínea. Evidências indicam que a exposição prolongada ao MP2,5 está associada ao agravamento de doenças respiratórias, como asma e bronquite, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, os quais atingem principalmente a população que reside em áreas com maior tráfego veicular. Entretanto, agravando mais àqueles com baixa infraestrutura. Nesse contexto, investigar a dinâmica da poluição atmosférica e suas implicações para a saúde pública torna-se fundamental para subsidiar estratégias de prevenção e políticas socioambientais.
Objetivos
Analisar a concentração de PM2,5 na cidade de Manaus e discutir suas relações com a ocorrência de doenças respiratórias e cardiovasculares e o agravamento de problemas sociais já existentes.
Metodologia
O período de estudo foi o ano de 2024. Foram analisados dados provenientes de bases de qualidade do ar disponível no repositório Raphael Saldanha (disponíveis em https://rfsaldanha.github.io/data-projects/brazil_air_pollutants.html). Esses dados foram organizados em séries temporais e com resolução diária, permitindo identificar padrões de variabilidade ao longo do ano. Paralelamente, foram reunidas informações sobre internações hospitalares por doenças respiratórias e cardiovasculares a partir de bases públicas de dados de saúde (DATASUS, disponível em https://datasus.saude.gov.br/transferencia-de-arquivos/), e assim discernir sobre o período mais afetado. Foram realizadas análises estatísticas para investigar as relações entre as variações nas concentrações de MP2,5, os registros de doenças associadas e os grupos mais vulneráveis.
Resultados e Discussão
Os resultados indicaram que as concentrações de MP2,5 possuem variações sazonais ao longo do ano, com valores mais elevados durante o período seco coincidindo com maior ocorrência de queimadas na região amazônica e condições atmosféricas menos favoráveis à dispersão de poluentes. Durante esses episódios foram registrados aumentos nos níveis médios de material particulado, a maioria superiores aos valores recomendados por diretrizes internacionais de qualidade do ar (15 µg m³/24 hs). A análise das séries temporais indicou que períodos com maiores concentrações estão relacionadas com doenças respiratórias e cardiovasculares na região.
Conclusões/Considerações Finais
A análise dos resultados evidencia a importância da integração entre saúde pública e gestão ambiental, tema central nas discussões sobre saúde e ambiente. Essa poluição representa um desafio para a promoção de ambientes urbanos saudáveis. Em Manaus, os impactos da poluição do ar refletem a interação entre processos ambientais regionais, como queimadas e mudanças no uso do solo, e fatores urbanos relacionados ao crescimento da cidade. Do ponto de vista social, os efeitos da exposição ao MP2,5 prejudicam mais as populações mais vulneráveis, que possuem menor acesso a serviços de saúde e vivem em áreas mais expostas à poluição. Dessa forma, os resultados contribuem para o debate sobre justiça ambiental, vigilância em saúde e planejamento urbano sustentável.
TERRITÓRIO, SANEAMENTO E INIQUIDADE: A DETERMINAÇÃO SOCIAL DAS INTERNAÇÕES POR DIARREIA INFECCIOSA DE 2022 A 2025 EM MANAUS (AM)
Comunicação Oral Curta
1 IMS - UERJ / CEDAPS
2 USP/CEDAPS
3 ENSP/Fiocruz/CEDAPS
4 FACC/UFRJ/CEDAPS
5 PUC-RJ/CEDAPS
6 FAVENI/CEDAPS
Apresentação/Introdução
A compreensão do processo saúde-doença exige um olhar para a construção histórico-social de forma indissociável do território. Mais do que um reflexo de fatores isolados, essa dinâmica manifesta-se como uma expressão coletiva, moldada por relações de poder, desigualdades estruturais e fluxos socioterritoriais consolidados ao longo do tempo. Nesse cenário, as disparidades socioespaciais urbanas empurram populações historicamente marginalizadas para áreas de fragilidade socioambiental. Esses grupos acabam expostos a riscos desproporcionais, com desfechos graves que incluem adoecimentos e até morte. Um reflexo direto dessa iniquidade revela-se em Manaus, onde a cobertura de saneamento básico e rede de esgoto alcança apenas 40%. Essa precariedade estrutural afeta, sobretudo, as pessoas em situação de vulnerabilidade, impulsionando a incidência de internações por diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível, segundo o Classificação Internacional de Doenças (CID-10) A09. devido ao saneamento precário agravado pela iniquidade social. Diante desse contexto urgente, torna-se essencial a adoção de diretrizes globais como os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que buscam conciliar a proteção ambiental com o fim da pobreza e a promoção do bem-estar. Como signatário, o Brasil compromete-se ativamente com essas metas, destacando-se aqui o ODS 6, focado em garantir a disponibilidade e a gestão sustentável de água e saneamento para todas e todos.
Objetivos
Alinhado a essa perspectiva integradora, o presente estudo tem como objetivo correlacionar o diagnóstico principal por CID A09 em pessoas internadas na rede SUS com as taxas de esgotamento irregular e a renda média no município de Manaus a fim de identificar as áreas com maior vulnerabilidade para a ocorrência desse desfecho, sempre considerando a determinação social da saúde inerente a esse processo socioespacial.
Metodologia
Coleta de dados secundários na base do microdados DATASUS, no sistema de internações hospitalares - SIH/SUS filtrados pela cidade de Manaus (AM) e pela CID A09, entre os anos de 2022 a 2025. Os registros extraídos identificaram 5.636 diagnósticos primários, geocodificados a partir da base do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE, 2022) para extração das coordenadas, com taxa de 85% de sucesso. Esse compilado foi cruzado aos setores censitários do IBGE 2022 com um conjunto de variáveis que compõem a destinação irregular do esgoto, além da renda média. Foram realizados os cálculos de proporção de internações, agregados por setores censitários e análises espaciais envolvendo Spearman e Moran/LISA.
Resultados e Discussão
A análise de correlação de Spearman mostrou associação estatisticamente significativa entre a proporção de internações por CID A09 e os dois indicadores selecionados. Observou-se correlação negativa, fraca e significativa entre ps_a09_1000 (proporção de internações) e a renda média setorial (rho = -0,1136; p = 4,10e-08), indicando que setores com maior renda tendem a apresentar menor proporção de internações por CID A09. Para o esgotamento, observou-se correlação positiva, também fraca e significativa (rho = 0,0809; p = 9,22e-05), sugerindo aumento da proporção de CID A09 em setores com maior precariedade no esgotamento sanitário. Na análise espacial bivariada global, a renda apresentou Moran bivariado negativo e significativo (I = -0,0416; p = 0,001), evidenciando autocorrelação espacial inversa entre a proporção de internações por A09 e a renda média dos setores vizinhos. Já o esgotamento apresentou Moran bivariado positivo e significativo (I = 0,0294; p = 0,003), indicando autocorrelação espacial direta, embora de baixa magnitude. Esses achados reforçam que a distribuição das internações por CID A09 em Manaus não ocorre de forma aleatória no espaço, mas se associa territorialmente aos padrões socioeconômicos e de saneamento. Soma-se à análise o aumento inexpressivo da cobertura da Atenção Primária no município, de 62,42% em 2022 para 65,67% em 2025, período correspondente à vigência do último Plano Municipal de Saúde.
Conclusões/Considerações Finais
As doenças sensíveis à Atenção Primária, relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, como as gastroenterites, ainda se mantêm como causa relevante de internações. Trata-se de condições preveníveis e tratáveis a baixo custo, cuja ocorrência em nível hospitalar deveria ser evitável. Ações intersetoriais que envolvam a gestão pública e as áreas de vigilâncias em saúde, assistência social, educação e meio ambiente são fundamentais para reduzir as iniquidades sociais relacionadas à cobertura de saneamento básico e rede de esgoto de Manaus, visando a redução das internações pelo CID A09 e alcançar o ODS 6 da ONU. O cenário evidencia também a necessidade de repensar a infraestrutura e suporte para áreas espaciais periféricas e com um público de baixa renda social, com atenção à equidade em saúde.
LEPTOSPIROSE HUMANA NO AMAZONAS ENTRE 2015 E 2024: DETERMINANTES SOCIOAMBIENTAIS E DESIGUALDADES TERRITORIAIS EM SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Nilton Lins
2 Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP)
3 Escola de Saúde Pública/ SEMSA Manaus
Apresentação/Introdução
A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, de importância para a saúde pública, especialmente em contextos de intensa exposição a ambientes contaminados, precariedade do saneamento e desigualdades sociais. No Amazonas, sua ocorrência adquire contornos particulares em razão da elevada pluviosidade, dos alagamentos sazonais, da urbanização desigual e da persistência de fragilidades estruturais em diferentes territórios. A ocorrência da leptospirose também se relaciona a condições desiguais de exposição ambiental, infraestrutura urbana e acesso ao cuidado em saúde.
Objetivos
Analisar a distribuição temporal, sociodemográfica e espacial dos casos confirmados de leptospirose humana no estado do Amazonas, entre 2015 e 2024, discutindo sua relação com determinantes socioambientais e desigualdades territoriais em saúde.
Metodologia
Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo, retrospectivo, com abordagem quantitativa, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), a partir de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, referentes aos casos confirmados de leptospirose humana no estado do Amazonas entre 2015 e 2024. Foram analisadas variáveis temporais, sociodemográficas, ocupacionais, de exposição e de distribuição espacial por município e bairro de residência. Os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Excel, submetidos à estatística descritiva e espacializados com apoio do software QGIS. A pesquisa foi aprovada por Comitê de Ética em Pesquisa, sob CAAE nº 88652225.8.0000.0007.
Resultados e Discussão
Entre 2015 e 2024, foram confirmados 498 casos de leptospirose humana no Amazonas, com ocorrência em todos os anos da série histórica. Observou-se maior concentração entre fevereiro e junho, com pico em abril (59 casos) e maio (58 casos), reforçando a relação entre sazonalidade das chuvas, alagamentos e maior exposição a ambientes contaminados.
Observou-se predomínio do sexo masculino, com 436 casos (87,6%), e maior frequência entre adultos em idade produtiva, evidenciando maior exposição de grupos socialmente inseridos em atividades laborais e deslocamentos cotidianos em contextos de risco. A dimensão ocupacional merece destaque, com 75 casos relacionados ao trabalho e 5 óbitos nesse grupo, indicando que a transmissão não se restringe ao espaço domiciliar e alcança também atividades desenvolvidas em cenários de vulnerabilidade ambiental.
A concentração espacial foi fortemente marcada pela capital: Manaus respondeu por 421 casos (84,5%). Na zona urbana, destacaram-se bairros como Compensa (25), Cidade Nova (23), Jorge Teixeira (18), Alvorada (17), Cidade de Deus (16) e Zumbi dos Palmares (10), localizados sobretudo nas zonas Oeste, Norte e Leste. Esse padrão sugere que a distribuição da doença não ocorre de forma homogênea no território, acompanhando contextos historicamente atravessados por urbanização desigual, fragilidades de infraestrutura, drenagem insuficiente e maior exposição a alagamentos.
Entre os principais fatores de exposição registrados, sobressaíram contato com roedores ou sinais de sua presença, lama e água de enchente, lixo ou entulho, fossa ou esgoto e terrenos baldios, reforçando a centralidade das condições socioambientais na dinâmica de transmissão. Esse quadro dialoga com o desempenho persistentemente desfavorável de Manaus no ranking do saneamento ao longo da série, o que contribui para contextualizar a permanência de condições estruturais favoráveis à contaminação ambiental.
Ainda que a maior frequência de casos entre pessoas pardas acompanhe parcialmente a composição demográfica do estado, esse achado também precisa ser interpretado à luz das desigualdades sociais e territoriais que distribuem de modo desigual o risco, a proteção e o acesso à infraestrutura urbana. Assim, os resultados apontam a leptospirose como agravo fortemente relacionado às iniquidades em saúde e à vulnerabilidade socioambiental no Amazonas.
Conclusões/Considerações Finais
A leptospirose humana manteve relevância epidemiológica no Amazonas entre 2015 e 2024, com concentração em períodos chuvosos, predominância entre homens adultos e forte centralidade em territórios urbanos vulnerabilizados de Manaus. Os achados evidenciam que a doença ultrapassa sua dimensão estritamente biológica, expressando desigualdades territoriais, precariedade de saneamento, exposição ocupacional e condições socioambientais de risco. Reforça-se a necessidade de estratégias intersetoriais que articulem vigilância em saúde, planejamento urbano, saneamento e proteção social, com atenção especial aos territórios mais vulnerabilizados.
GAMIFICAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE HPV EM CONTEXTO COMUNITÁRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PROJETO PEQUENO AMAZÔNIDAS, EMAÚS, BELÉM-PA
Comunicação Oral Curta
1 FAAMA
2 UFPA
Contextualização
A educação em saúde, no campo das Ciências Sociais e Humanas, demanda estratégias que considerem as dimensões culturais, sociais e subjetivas dos sujeitos, especialmente em territórios marcados por vulnerabilidades. Nesse contexto, a gamificação, entendida como a aplicação de elementos de jogos em práticas educativas, emerge como uma ferramenta potente para promover aprendizagem significativa, participação ativa e construção coletiva do conhecimento. No âmbito da saúde sexual, a abordagem do Papilomavírus Humano (HPV) ainda é permeada por desinformação, tabus e dificuldades de comunicação, o que reforça a necessidade de metodologias inovadoras e dialógicas.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no projeto Pequeno Amazônidas, no âmbito do Edital PROEXIA, realizado na República do Emaús, em Belém do Pará, com participantes do sexo feminino, fundamentado nos princípios da educação popular em saúde. Foi elaborado um artefato educativo do tipo roleta interativa, composta por oito segmentos ilustrativos: laço de conscientização, preservativo, símbolo da saúde, dispositivo intrauterino (DIU), representação do vírus, frasco de vacina, símbolo do gênero feminino e representação do útero. Cada segmento estava associado a perguntas de múltipla escolha construídas com base em evidências científicas sobre HPV, abordando transmissão, prevenção, vacinação e implicações para a saúde. A dinâmica consistia no giro da roleta pelas participantes, seguido da problematização coletiva das respostas. Independentemente do desempenho, cada interação era utilizada como dispositivo pedagógico para escuta ativa, esclarecimento de dúvidas e construção compartilhada do conhecimento, valorizando saberes prévios e experiências vividas.
Período de Realização
A atividade foi desenvolvida no primeiro semestre de 2026.
Objetivo
Relatar a experiência do uso da gamificação como estratégia de educação em saúde para promoção do conhecimento sobre HPV em contexto comunitário.
Resultados
Observou-se elevada adesão à atividade, com participação ativa, interesse e envolvimento das participantes ao longo da dinâmica. A ludicidade favoreceu a redução de barreiras comunicacionais relacionadas à saúde sexual, possibilitando maior abertura para o diálogo. Identificou-se a presença de conhecimentos prévios fragmentados e, por vezes, equivocados, especialmente quanto às formas de transmissão do HPV e às estratégias de prevenção, os quais foram ressignificados ao longo da atividade. A estratégia também contribuiu para o fortalecimento do vínculo entre facilitadores e participantes, configurando-se como espaço de acolhimento e cuidado.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou que o uso de estratégias lúdicas potencializa o processo educativo ao estimular o protagonismo dos sujeitos e favorecer a participação ativa. Destaca-se a importância da utilização de abordagens fundamentadas na educação popular em saúde, que valorizem o diálogo, a horizontalidade das relações e o contexto sociocultural dos territórios. Embora a gamificação se mostre eficaz para promover engajamento e aprendizagem, sua efetividade depende da adequação às especificidades do público e da continuidade das ações educativas. Ressalta-se a necessidade de articulação com outras estratégias de educação em saúde, a fim de consolidar o conhecimento e ampliar o impacto das intervenções no território.
Realização: