Programa - Comunicação Oral Curta - COC7.3 - O protagonismo da pessoa idosa e os desafios do envelhecimento
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
COLETIVO JATOBÁ 60+: ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL E PARTICIPAÇÃO SOCIAL PARA UM ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL
Comunicação Oral Curta
1 UNA-SUS/Fiocruz Brasília
2 Fiocruz Brasília
Contextualização
O envelhecimento populacional no Brasil ocorre em um contexto de profundas desigualdades sociais, territoriais e de acesso a direitos, colocando desafios estruturais para o Sistema Único de Saúde e para as políticas públicas. A existência de múltiplas velhices, atravessadas por marcadores como renda, gênero, raça e território, exige respostas institucionais que articulem cuidado, participação social e promoção de direitos. Nesse cenário, a Fiocruz Brasília instituiu o Coletivo Jatobá 60+ como estratégia para fortalecer a agenda do envelhecimento no âmbito institucional.
Descrição
O Coletivo configura-se como um dispositivo intergeracional vinculado à Direção da Fiocruz Brasília, com atuação transversal nas áreas de educação, pesquisa e participação social.
O Coletivo organiza sua atuação a partir de três eixos estruturantes — educação, pesquisa e participação social — que se desenvolvem de forma integrada e articulada. De modo transversal, a articulação institucional orienta esses eixos, promovendo a integração entre equipes, áreas e parceiros. Esses eixos se concretizam por meio de estratégias de incidência em diferentes níveis.
Período de Realização
A experiência tem início em 2024, com a constituição de um grupo de trabalho, sendo formalizada em dezembro de 2025 por meio de portaria institucional, e encontra-se em curso.
Objetivo
O objetivo deste relato é sistematizar a experiência de constituição e atuação do Coletivo Jatobá 60+, destacando seus processos de articulação institucional, estratégias de participação social e contribuições para a promoção do envelhecimento ativo.
Resultados
Entre os resultados, observam-se a ampliação da visibilidade da pauta do envelhecimento na instituição, o fortalecimento de articulações internas e externas e a construção de uma agenda transversal que reconhece o envelhecimento como tema estratégico. A experiência também evidencia a incorporação da transformação digital como dimensão relevante, especialmente no que se refere ao letramento digital e educação midiática como elemento fundamental para a ampliação do acesso ao cuidado e à proteção frente a violências no ambiente digital.
Aprendizado e Análise Crítica
No âmbito da incidência interna, o Coletivo atua na inserção da pauta do envelhecimento nas agendas de equipes, núcleos e programas da Fiocruz Brasília, incentivando a incorporação dessa temática nos processos de trabalho, na formação e na produção de conhecimento. Na incidência interinstitucional, promove o diálogo e a construção de parcerias com outras unidades da Fiocruz, instituições públicas e organizações da sociedade civil. Já na incidência nos territórios, desenvolve e articula ações voltadas à promoção de direitos, à educação digital e ao fortalecimento da participação social, especialmente junto a populações em situação de vulnerabilidade.
PARTICIPAÇÃO SOCIAL E DIREITO À SAÚDE DA PESSOA IDOSA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA CONFERÊNCIA LIVRE EM MANAUS, AMAZONAS
Comunicação Oral Curta
1 UFAM
2 UFRN
Contextualização
O acelerado processo de envelhecimento populacional no Brasil impõe desafios às políticas públicas, especialmente em territórios marcados por desigualdades sociais e regionais. Na região Norte, essas desigualdades se expressam de forma particular, demandando estratégias que ampliem a participação social das pessoas idosas na formulação de políticas e na defesa do direito à saúde. Nesse contexto, as conferências livres constituem espaços de escuta qualificada e construção coletiva de propostas, fortalecendo o protagonismo das pessoas idosas.
Descrição
A metodologia baseou-se na realização de debates e oficinas orientadas pelos eixos temáticos da conferência livre nacional, incluindo fortalecimento das políticas de cuidado integral à pessoa idosa, enfrentamento das violências e promoção da participação social. Após a apresentação das propostas, os participantes deliberaram coletivamente por meio de votação, elegendo propostas prioritárias e delegados para representação no processo nacional.
Período de Realização
A atividade foi realizada nos dias 02 e 08 de setembro de 2025, no auditório do Parque Municipal do Idoso, em Manaus (AM), com a participação de 52 pessoas idosas.
Objetivo
Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência de Manaus junto às Conferências Livres Nacionais sobre o Direito à Saúde como um Direito Humano da Pessoa Idosa, com apoio do Grupo Temático Envelhecimento e Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em parceria com instituições acadêmicas e Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.
Resultados
Entre os resultados, destacaram-se propostas voltadas ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde como eixo estruturante do cuidado integral à pessoa idosa, além da qualificação e ampliação do número de profissionais especializados em geriatria e gerontologia. No campo da proteção contra violências, foram priorizadas propostas como a criação de “salas violeta” em delegacias para acolhimento de pessoas idosas vítimas de violência, com garantia de escuta qualificada e atendimento especializado, bem como a implementação de programas intergeracionais de combate à violência contra a pessoa idosa, com ações educativas em escolas e universidades. No eixo da participação social, destacaram-se propostas de fortalecimento dos grupos de convivência e de ampliação de oportunidades de inserção das pessoas idosas no mercado de trabalho.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou que a participação ativa das pessoas idosas em espaços deliberativos contribui para a valorização de seus saberes, trajetórias e demandas territoriais, fortalecendo o protagonismo desse grupo social na construção de políticas públicas. Como análise crítica, observa-se que, embora existam avanços na agenda do envelhecimento no Brasil, persistem desafios relacionados às desigualdades territoriais, à insuficiência de serviços especializados e às diferentes formas de violência e exclusão vivenciadas pelas pessoas idosas. Nesse sentido, iniciativas como conferências livres configuram-se como importantes dispositivos de mobilização social e produção de propostas que articulam participação social, direitos humanos e saúde coletiva, contribuindo para o enfrentamento das iniquidades no envelhecimento.
ENVELHECIMENTO, DESIGUALDADES E CUIDADO: EXPERIÊNCIAS DE MULHERES IDOSAS NA PANDEMIA
Comunicação Oral Curta
1 IESC -UFRJ
2 UFRGS
3 IESC-UFRJ
Apresentação/Introdução
A pandemia de COVID-19 configurou-se como uma experiência social crítica que reconfigurou formas de viver e significar o envelhecimento em contextos marcados por profundas desigualdades. No Brasil, onde o avanço da longevidade se articula à feminização da velhice, tais processos evidenciaram a persistência do idadismo e suas intersecções com marcadores sociais da diferença, produzindo efeitos distintos nos modos de envelhecer. Considerando o envelhecimento como processo social situado e atravessado por condições territoriais, torna-se fundamental compreender como essas experiências foram vividas e elaboradas por pessoas idosas.
Objetivos
Analisar como mulheres idosas elaboraram coletivamente a experiência do isolamento social durante a pandemia de COVID-19, considerando o envelhecimento como processo social relacional, desigual e territorialmente situado.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas realizadas com sete mulheres com mais de 60 anos, participantes de uma prática integrativa e complementar em saúde em um município do estado do Rio de Janeiro. A pesquisa foi conduzida em conformidade com os preceitos éticos vigentes. A análise dos dados privilegiou a compreensão das experiências vividas, das relações intergeracionais e das estratégias de enfrentamento construídas no contexto pandêmico.
Resultados e Discussão
Os resultados indicaram que a pandemia intensificou percepções de exclusão social e distanciamento intergeracional, evidenciando a atuação do idadismo em contextos de crise. Ao mesmo tempo, observou-se que a participação em práticas coletivas de cuidado favoreceu a constituição de espaços de compartilhamento de memórias, afetos e experiências corporais, operando como estratégias de enfrentamento às vulnerabilizações. Tais espaços produziram vínculos de pertencimento e possibilitaram a ressignificação do envelhecer, evidenciando o papel das práticas coletivas na construção de respostas sociais frente às desigualdades.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que o envelhecimento se configura como processo relacional, desigual e territorialmente situado, no qual práticas coletivas de cuidado desempenham papel central na elaboração das experiências de crise. As evidências permitem problematizar o cuidado coletivo como estratégia de enfrentamento ao idadismo, contribuindo para a compreensão das múltiplas formas de envelhecer no Brasil contemporâneo.
IDADISMO EM CONTEXTOS DE SAÚDE NO BRASIL: PERCEPÇÕES DA VELHICE E SUAS REPERCUSSÕES NAS PRÁTICAS DE SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 USP
Apresentação/Introdução
A percepção do envelhecimento está profundamente relacionada aos valores socioculturais e ao contexto histórico, influenciando práticas e decisões no âmbito da saúde. Tal percepção reflete o fenômeno do idadismo, definido como o processo de estereotipação e discriminação de pessoas com base na idade. No Brasil, esse fenômeno manifesta-se em um cenário marcado por desigualdades sociais, em confluência com a valorização da produtividade e da juventude nas sociedades ocidentais, impactando o reconhecimento de direitos e o cuidado à pessoa idosa.
Objetivos
Analisar como o idadismo tem sido abordado na produção científica brasileira em saúde, com foco na geração de subsídios para o enfrentamento desse problema.
Metodologia
Trata-se de uma revisão de escopo, conduzida conforme as orientações da OMS e do JBI Manual for Evidence Synthesis, seguindo o checklist PRISMA-ScR. A pergunta norteadora foi: “Quais as evidências que relacionam o idadismo contra pessoas idosas aos contextos de saúde no Brasil?”. Foram incluídos estudos primários e secundários, sem restrição de delineamento, provenientes das bases PubMed, BVS e Google Acadêmico. A seleção foi realizada por dois revisores independentes e as divergências foram resolvidas por consenso.
Resultados e Discussão
A busca resultou em 601 registros, dos quais 42 foram incluídos na revisão. Houve predominância de abordagens qualitativas, sendo a pandemia de COVID-19 o contexto de saúde abordado. A análise evidencia que o idadismo não se restringe a atitudes individuais, mas expressa valores culturais e práticas institucionais que associam a velhice à improdutividade, à dependência e ao custo social. Tais concepções são reforçadas em sociedades orientadas pela lógica produtivista, que tendem a marginalizar sujeitos considerados “não produtivos”. Os estudos apontam que o envelhecimento, embora biologicamente inevitável, é socialmente determinado, sendo atravessado por desigualdades de classe, gênero e outros marcadores sociais, o que exige uma abordagem interseccional. Nesse sentido, o estado de saúde das pessoas idosas reflete trajetórias de vida marcadas por desigualdades estruturais, e não apenas o envelhecimento em si. O idadismo manifesta-se de forma interligada nos níveis interpessoal, institucional e autodirigido, sendo muitas vezes naturalizado e reproduzido de maneira inconsciente. Ao mesmo passo que trata-se de um fenômeno à que todos estão suscetíveis. No campo da saúde, isso implica em práticas que podem limitar o acesso ao cuidado, desvalorizar as necessidades de saúde, produzir iatrogenias e reforçar estigmas.
Conclusões/Considerações Finais
O idadismo configura-se como fenômeno complexo, socialmente produzido e sustentado por valores culturais e estruturas institucionais, com impactos diretos nas práticas e políticas de saúde. Seu enfrentamento exige o reconhecimento de suas múltiplas dimensões, incluindo a incorporação de abordagens interseccionais. Destaca-se a necessidade de fortalecer políticas públicas equitativas que promovam o envelhecimento com dignidade e valorização.
O PROTAGONISMO DAS PESSOAS IDOSAS NA CONFERÊNCIA LIVRE NACIONAL SOBRE O DIREITO À SAÚDE COMO UM DIREITO HUMANO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Comunicação Oral Curta
1 EPSJV - Fiocruz
2 Delegada da 6ª CONADIPI, RJ.
Contextualização
Contextualização: A 6ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CONADIPI), ocorrida em dezembro de 2025, foi um espaço de participação social, em que os debates entre os representantes do governo e da sociedade civil tiveram como foco avaliar e formular diretrizes para as políticas públicas voltadas à garantia de direitos da pessoa idosa. Nesse contexto, a Conferência Livre foi uma etapa preparatória que buscou aproximar a realidade de pessoas idosas no processo de formulação das políticas.
Descrição
Descrição: A Conferência Livre esteve alinhada à 6ª CONADIPI, cujo tema foi: “Envelhecimento Multicultural e Democracia: urgência por Equidade, Direitos e Participação”. As reflexões contemplaram os eixos temáticos: Fortalecimento das Políticas para a proteção à vida, à saúde e ao acesso ao cuidado integral da pessoa idosa; Proteção e Enfrentamento a todas as formas de violência, abandono social e familiar da pessoa idosa; Participação Social, Protagonismo e Vida Comunitária na perspectiva das múltiplas velhices. Apresenta-se aqui a experiência do “Polo do Rio de Janeiro”, na Conferência Livre Nacional sobre o Direito à Saúde como um Direito Humano da Pessoa Idosa, com um grupo de 40 pessoas idosas, usuárias do SUS e de centros convivência dos municípios do Rio de Janeiro e Maricá. A participação desse grupo ocorreu em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz e foi estruturada em duas etapas.
Período de Realização
Período de realização: A captação dos participantes, a roda de conversa e a Conferência Livre ocorreram entre agosto e setembro de 2025.
Objetivo
Objetivos: Apresentar a experiência das discussões pré-conferenciais, destacando demandas desenvolvidas no contexto da saúde, dos desafios do envelhecimento e da participação social.
Resultados
Resultados: A primeira etapa foi uma roda de conversa presencial, sendo debatidos os eixos conferenciais, resultando em propostas elaboradas pelo grupo. Em sequência, as propostas dos polos regionais foram discutidas na Conferência Livre. Esse evento nacional, on-line, facilitou o intercâmbio de experiências nacionais. O resultado desse encontro se tornou parte do documento norteador da 6ª CONADIPI. Nesse percurso, o protagonismo da pessoa idosa foi fortalecido com a eleição de representantes de diversos Polos nacionais, incluindo uma participante do “Polo Rio de Janeiro” para a etapa nacional. A incorporação de vivências e realidades na perspectiva da pessoa idosa, busca promover maior democratização da gestão das políticas públicas. No contexto de reflexões desse grupo, foram desenvolvidas três propostas. 1) A saúde como um direito humano e garantia de dignidade, no qual os participantes consideram que o acesso à saúde vai além da oferta do atendimento no SUS, abrangendo o direito à vida e à dignidade para todas as pessoas idosas. Foram incluídos o direito à alimentação adequada, lazer, moradia, cuidados, trabalho e medidas de proteção contra violência. Foi enfatizada a necessidade de melhorias no acesso às informações em saúde e aprimoramento do atendimento às pessoas idosas. O reconhecimento da diversidade e das múltiplas velhices foi reforçado pelo grupo, incluindo questões como raça e gênero e seus reflexos na desigualdade no acesso e uso do SUS. A saúde também aparece ligada à inclusão e autonomia. 2) Enfrentamento do idadismo e a sua naturalização: o preconceito pela idade está presente nos hospitais e serviços de saúde, sendo um entrave para o acesso ao diagnóstico e cuidados, pois reduz as queixas de saúde à mitos socialmente construídos sobre a idade cronológica. O idadismo impacta na saúde física e mental, na autonomia e promove exclusão social, pois determina como essas pessoas podem participar ou ocupar determinados espaços. Nas falas, o idadismo esteve ligado à invisibilidade e ao não reconhecimento das potencialidades da pessoa idosa. 3) Participação social de pessoas idosas no desenvolvimento das políticas públicas e efetividade social das políticas: O engajamento desses sujeitos, com a sua experiência, é uma medida para fortalecer a cidadania, reafirmando que as pessoas idosas são "atores sociais" e que podem ser ativos na defesa de seus próprios direitos.
Aprendizado e Análise Crítica
Aprendizados: É necessário que haja a participação ativa de pessoas idosas na sociedade e na formulação das políticas públicas, na busca do envelhecimento com dignidade. No entanto, ainda persistem a exclusão social e a visão homogênea da velhice, que são desafios para a efetivação dos direitos.
Análise crítica: A inclusão de pessoas idosas em processos decisórios e políticos, tal como na CONADIPI, não impede que o envelhecimento seja atravessado por profundas desigualdades, mas é uma forma de romper práticas institucionais que promovem a invisibilidade desses sujeitos. Com isso, a pessoa idosa deixa de ser apenas um objeto das políticas públicas para se tornar um formulador de estratégias que promovam equidade no envelhecimento.
OS TERRITÓRIOS DE VIDA DE MULHERES BRASILEIRAS: REFLEXÕES DE UM GRUPO DE MULHERES A PARTIR DE UMA ÓTICA INTERSECCIONAL
Comunicação Oral Curta
1 FMUSP
Contextualização
Este trabalho refere-se a experiência de psicólogas residentes, vinculadas ao programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva e Atenção Primária da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na coordenação de um grupo de mulheres realizado no Centro de Saúde Escola Samuel Barnsley Pessoa (CSESBP).
Descrição
O grupo de mulheres descrito neste trabalho iniciou-se a partir da identificação pelas residentes de uma demanda da ampliação de espaços grupais voltados para mulheres do território de abrangência do CSESBP. Durante a realização do grupo, quatro mulheres participaram de forma regular dos encontros, que possuíam frequência semanal, e quatro mulheres tiveram uma participação mais pontual. Este grupo constitui-se majoritariamente por mulheres negras com mais de 50 anos, trazendo por consequência demandas referentes ao envelhecer.
Período de Realização
Experiência realizada no período de maio de 2025 a fevereiro de 2026.
Objetivo
Objetiva-se narrar a experiência de coordenação de um grupo de mulheres na Atenção Primária à Saúde (APS), com enfoque nas suas potencialidades, partindo de uma análise interseccional, tendo em vista os atravessamentos de raça, gênero, classe social e deficiência e suas implicações nas ocupações dos territórios de vida das participantes do grupo em questão.
Resultados
Durante a realização do grupo, houve uma vinculação gradual significativa entre as participantes, o que proporcionou a construção de um espaço seguro para o compartilhamento de suas questões. Desde o princípio, as mulheres demarcaram uma realidade de dificuldade de estabelecimento de relações interpessoais, e por consequência da criação de redes de apoio frente a elaboração de seus processos de envelhecimento. A partir de suas narrativas, elas passaram a recapitular suas histórias, surgindo assim inúmeros relatos de violências de gênero que marcaram suas vidas. As violências compartilhadas atravessaram e estiveram presentes no âmbito de suas relações interpessoais, relações familiares, de seus trabalhos, de suas experiências em atendimentos de saúde e em diversos espaços de seus territórios de vida.
Nos encontros do grupo, surgiram vários incômodos com relação ao território — em especial, associados à derrubada de árvores no bairro, onde a maioria delas morava há décadas. As participantes expunham seu desagrado em ver mudanças drásticas em um território tão imbuído de afetos e memórias para elas. Assim, revelou-se a questão de gênero, raça e classe na relação com o território, expressa em situações de discriminação, que causam grandes dificuldades de acesso e de sentir pertencimento aos espaços que ocupavam.
Destacam-se, dentre as experiências destas mulheres, relatos similares entre elas sobre desejos e expectativas de encontrar espaços que as acolhessem, ocasionando em eventuais mudanças de regiões. Porém, em suas tentativas de mudança, foram constantemente frustradas por encontrar novamente comunidades que as violentavam, reencontrando situações de perigo e insegurança.
Com a presença de duas participantes com deficiência nos encontros, outros questionamentos sobre o acesso e inclusão permearam a coordenação realizada pelas residentes. Assim, a partir de estratégias formuladas para incluí-las no grupo, reflexões acerca de quais pessoas conseguem acessar o cuidado em saúde surgiram. Além disso, essa questão fez parte em algumas das discussões que aconteceram no espaço grupal, já que as deficiências tinham grandes implicações nas vidas delas, o que, em combinação e em interseccionalidade com a questão de gênero e raça, produziu efeitos muito nocivos para essas mulheres.
Aprendizado e Análise Crítica
As autoras tiveram a oportunidade de ampliar sua experiência na coordenação de grupos e de compreender com mais profundidade sobre a importância dos grupos na APS. Ademais, puderam refletir sobre a violência de gênero na vida das mulheres atendidas, proporcionando um espaço seguro para que as participantes pudessem falar sobre suas afetações. Foi, também, um grande aprendizado refletir sobre o papel da Saúde Coletiva a partir de um alinhamento ético-político, a práticas antirracistas, contra a misoginia e anti capacitistas, e que fortalecem a autonomia das usuárias no Sistema Único de Saúde (SUS), combatendo, por exemplo, uma realidade fortemente marcada por violências de gênero, racismo ambiental e capacitismo.
Durante a experiência na residência e na coordenação do grupo, percebeu-se a centralidade do território na vida das pessoas e no escopo de trabalho dos profissionais de saúde, especialmente daqueles que atuam na APS. É importante que se construam modalidades de cuidado que levem em conta as particularidades do território e as intersecções das diversas formas de opressão.
PERCEPÇÕES SOBRE OS CONCEITOS DE PESSOA IDOSA E SAÚDE DA PESSOA IDOSA ENTRE PROFISSIONAIS GESTORES DA POLÍTICA SAÚDE DA PESSOA IDOSA
Comunicação Oral Curta
1 UFPE
Apresentação/Introdução
As gestões municipais são estratégicas para a condução das ações voltas à saúde da pessoa idosa e a percepção dos profissionais responsáveis pela gestão da política interferem diretamente nas prioridades e ações desenvolvidas.
Objetivos
Caracterizar a percepção dos profissionais gestores da política de atenção à saúde da pessoa idosa nos municípios de Pernambuco sobre os conceitos de pessoa idosa e saúde da pessoa idosa.
Metodologia
Foi desenvolvido um estudo seccional junto ao universo de gestores municipais de Pernambuco entre os anos de 2023 e 2024. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário on-line enviado via e-mail para cada gestão municipal do Estado. A análise de dados foi realizada por meio de estatística descritiva e análise de conteúdo segundo Bardin e elaboração de nuvem de palavras.
Resultados e Discussão
Participaram do estudo 71 profissionais responsáveis pela gestão da política de saúde da pessoa idosa em municípios pernambucanos. A maioria dos participantes do estudo foi do sexo feminino, tinha idade média de 36,6 anos e ocupava o cargo de gestor da atenção básica, o que indica a gestão de várias políticas estratégicas em paralelo. Na análise da percepção dos gestores sobre o conceito de pessoa idosa emergiram as categorias relacionadas ao tempo de vida a partir de 60 anos, processo de envelhecimento, sabedoria e experiência de vida, estilo de vida que permitiu o envelhecimento, pessoas com comorbidades, fragilidade e sujeito de direitos. Quanto à percepção sobre saúde da pessoa idosa, emergiram as categorias saúde na perspectiva da OMS, saúde enquanto funcionalidade, qualidade de vida, saúde enquanto direito e oferta de serviços e ações do Sistema Único de Saúde.
Conclusões/Considerações Finais
A percepção dos profissionais gestores dialoga com as normativas e diretrizes do Ministério da Saúde, com ênfase em aspectos ligados à cronologia, funcionalidade e oferta de serviços. Identificou-se fragilidades no tocante às concepções ligadas à determinação social da saúde e intersetorialidade.
Realização: