Programa - Comunicação Oral Curta - COC9.1 - Práxis educativas em educação popular em saúde
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
A APLICAÇÃO DA METODOLOGIA CONSTRUÇÃO COMPARTILHADA DE SOLUÇÕES LOCAIS COM OFICINAS DE EDUCOMUNICAÇÃO
Comunicação Oral Curta
1 IESC-UFRJ/Cedaps
2 Cedaps
3 Cedaps/IMS - UERJ
Contextualização
Este relato refere-se a atuação em projetos realizados pela ONG Cedaps - Centro de Promoção da Saúde, com a aplicação da metodologia da organização “Construção Compartilhada de Soluções Locais”, transversal a todas ações e atividades promovidas pela ONG, cuja uma das fontes de inspiração é a Educação Popular de Paulo Freire, e seus princípios baseados na construção compartilhada de conhecimento. O relato será baseado na experiência de facilitação de oficinas de educomunicação de dois projetos em andamento no período em que este relato está sendo escrito: “Mulheres em Rede” e “Se Liga na TB.
Descrição
O Mulheres em Rede trabalha a capacitação de mulheres moradoras da zona sudoeste da cidade do Rio de Janeiro para promover informação sobre saúde integral da mulher e serviços de referências e de apoio, liderar iniciativas de saúde e direitos sociais, bem como serem pontos focais e rede de apoio para outras mulheres em seus territórios. Cada ciclo de oficinas é concluído com uma oficina de educomunicação onde são elaborados produtos de comunicação impressos e digitais sobre os assuntos tratados nas oficinas anteriores. Todo o processo é construído de forma horizontal com as participantes, que discutem formato, temáticas a serem abordadas, assim como o desenvolvimento criativo dos produtos.
O Se Liga na TB reuniu, neste ano, 10 jovens comunicadores populares de territórios de favelas e periferias do Rio de Janeiro, que participaram de um curso de Tuberculose e Proteção Social realizado no CRPHF da Fiocruz em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Após a capacitação os jovens participaram de uma oficina de educomunicação, como a descrita acima, para a elaboração coletiva de materiais informativos sobre tuberculose, e ainda em 2026 irão produzir um plano de divulgação desses materiais, além de desenvolver materiais próprios para suas redes sociais.
Período de Realização
Mulheres em Rede: 2025/2026; Se Liga na TB: 2026 - ambos em andamento.
Objetivo
A Construção Compartilhada é uma metodologia de planejamento conjunto na qual as pessoas que vivenciam o território são protagonistas no diagnóstico, no planejamento de intervenção, sistematização e avaliação de ações formuladas, e no direcionamento para as soluções locais. Seu objetivo é fortalecer organizações, grupos e comunidades populares, contribuir efetivamente para a reorientação dos serviços de modelos de programas de educação e saúde, aprimorar o conhecimento de políticas públicas sustentáveis, inclusivas e saudáveis, e fomentar a participação comunitária na construção e promoção da saúde em diferentes contextos. A experiência relatada nos dois projetos acima afirma a aplicação da metodologia para produção de conhecimento, práticas e tecnologias sociais para o alcance de uma sociedade inclusiva, saudável e sustentável. A formação dada aos participantes contribui para a defesa do SUS no que tange a articulação da população para garantia de direitos e capacitação em informação qualificada em saúde.
Resultados
Dentre os resultados está o reconhecimento de liderança locais, comprometidas com a defesa de seus direitos, engajadas em pautas relacionadas à saúde e direitos humanos e o aumento de sua capacidade de mobilização e promoção de informação em saúde nos territórios em que atuam.
Outro resultado são os materiais desenvolvidos de maneira coletiva, que estão em processo de produção. Com destaque para três materiais: no projeto Mulheres em Rede, (1) uma história em quadrinhos que conta a história de mãe, filha e avó, com um diálogo afetuoso sobre o ciclo menstrual, primeira menstruação, menopausa e procura pelo serviço de saúde. (2) vídeo que apresenta um diálogo sobre a importância do acesso e ampliação das PICS do SUS, e a valorização do saber popular e ancestral em saúde, entre duas personagens baseadas em lideranças reais do território para onde o projeto é voltado, uma delas atua na área urbana e a outra em um quilombo; (3) no projeto Se Liga na TB uma produção apresenta a história milenar da tuberculose e como hoje é uma doença determinada socialmente que atinge principalmente populações em situação de vulnerabilidade social, como os moradores de favelas, denunciando o racismo ambiental.
Aprendizado e Análise Crítica
Aprendizados: a aplicação da metodologia Construção Compartilhada inspirada nos princípios da Educação Popular e a realização de oficinas de educomunicação, evidenciam, através dos resultados, como os aqui descritos, que a construção de conhecimento baseada no diálogo, horizontalidade e reflexão crítica, contribui para o compartilhamento de conhecimento de maneira mais eficaz, justa e que prioriza o bem-estar da população.
Análise Crítica: espaços que promovem a troca e a transmissão de conhecimento priorizando a horizontalidade proporcionam uma reflexão crítica mais livre dos indivíduos sobre os ambientes que o cercam, seus direitos e a importância em se mobilizar para construção de políticas públicas com maior participação social.
A ATUAÇÃO DOS POLOS DESCENTRALIZADOS DO COLABORATÓRIO NACIONAL POP RUA: AS EXPERIÊNCIAS DE AÇÕES NAS 5 REGIÕES DO PAÍS
Comunicação Oral Curta
1 Fiocruz Brasília / NUPOP
Contextualização
O Colaboratório Nacional Pop Rua (Colab Pop Rua) é um projeto de construção coletiva que surge a partir das discussões da Frente Parlamentar Pop Rua, da Câmara Federal, com participação de diversos movimentos sociais, com destaque para o Movimento Nacional de População em Situação de Rua e a Clínica Luiz Gama (Departamento de Direito - USP).
A partir das discussões do GT Pop Rua, foi proposta a criação de um Colaboratório para acompanhar as políticas públicas para a população em situação de rua (PSR), qualificar os trabalhadores que atuam com essa população e formar os movimentos sociais, para incidir no campo político, referente à garantia de direitos.
Tendo em vista o acúmulo do Núcleo de Estudos de População em Situação de Rua – NuPop Fiocruz Brasília com atividades de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à PSR em âmbito nacional, esse núcleo foi indicado para a construção e condução do projeto.
O Colab Pop Rua tem como objetivos: (1) construir e operar estratégias de acompanhamento das Políticas Públicas específicas para a população em situação de rua (PSR) em âmbito regional e nacional; (2) qualificar pessoas com trajetória de rua no âmbito político, fortalecendo espaços de participação socia e o controle social e; (3) fomentar e apoiar estratégias de qualificação dos serviços e equipes que atuam com a PSR.
Descrição
Os Polos Descentralizados são equipes do projeto formadas por 3 profissionais (coordenação, técnico de nível superior e pessoas com trajetória de rua). Atualmente estão presentes em Manaus, Belém, Salvador, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. Devido à sua atuação territorializada e capilarizada, são as equipes do projeto mais próximas dos serviços e profissionais que atuam com a PSR.
Período de Realização
Julho de 2024 a março de 2026
Objetivo
Apresentar a experiência dos Polos Descentralizados do Colab Pop Rua em território nacional, cumprindo a função de apoio institucional e articulando agendas estratégicas para a população em situação de rua (PSR).
Resultados
Cada Polo cumpre uma agenda de 2 ou mais atividades mensais, registradas em formulário eletrônico. Entre julho de 2024 e março de 2026, foram realizadas 1.098 atividades nas 5 regiões do país, mobilizando 36.434 pessoas, das quais 5.590 (15,34%) possuíam trajetória de rua. Dentre essas atividades, 15,1% foram realizadas junto ao Sistema Único de Saúde (SUS); 21,6% ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS); 10,9% ao Sistema de Justiça e 44,5% em espaços de participação social.
Aprendizado e Análise Crítica
A atuação dos Polos impacta significativamente os serviços e profissionais envolvidos com a PSR, ocupando posição estratégica na atuação local, junto a diversas instâncias de elaboração, implementação e execução das políticas públicas, destacando-se as atividades de Participação Social, fundamentais para a discussão, aprimoramento e avaliação de políticas voltadas à PSR nesses territórios. Suas ações contribuem para a qualificação de diversas equipes, a proposição de políticas e a sistematização de práticas. Para ampliar sua capacidade de atuação, é fundamental expandir o escopo e o financiamento do Colaboratório Nacional Pop Rua, assegurando a presença dessas equipes em todas as regiões do país.
A UTILIZAÇÃO DA LUDICIDADE NO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA: NOVAS ESTRATÉGIAS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE BUCAL INFANTIL
Comunicação Oral Curta
1 FIOCRUZ
2
Contextualização
O Programa Saúde na Escola (PSE) configura-se como uma estratégia fundamental para a promoção da Educação em Saúde, atuando diretamente na conscientização e na prevenção de agravos agravados pela desinformação. No contexto do público infantil — alvo central desta intervenção —, o projeto destaca-se como uma ferramenta indispensável para a educação em saúde bucal. A inserção precoce de práticas de higiene oral de forma lúdica no ambiente escolar não apenas previne doenças frequentes nessa faixa etária, como a cárie, mas também ajuda a consolidar hábitos de autocuidado duradouros nas crianças. Assim, a escola consolida-se como um espaço privilegiado para que a Atenção Primária cumpra efetivamente o seu papel preventivo, conforme preconizado pela Constituição Brasileira de 1988 (BRASIL, 1988).
Alinhado a essa perspectiva de promoção da saúde no território, o presente trabalho descreve a vivência de uma equipe do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz). Este relato de experiência emergiu da atuação conjunta de residentes das áreas de Enfermagem, Nutrição, Farmácia, Assistência Social, Psicologia, Odontologia e Educação Física. As ações foram desenvolvidas junto à comunidade assistida pela Clínica da Família Fernando Antônio Braga Lopes, localizada no bairro do Caju, na cidade do Rio de Janeiro, materializando a integração entre os saberes dessas diversas categorias profissionais na execução das diretrizes do PSE.
Descrição
A ação foi desenvolvida de forma integrada pela equipe residentes multiprofissionais (Enfermagem, Odontologia, Nutrição, Farmácia, Serviço Social, Educação Física e Psicologia), em parceria com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e a Técnica de Saúde Bucal da Clínica da Família. O planejamento metodológico ocorreu por meio de rodas de debate entre os profissionais, com o objetivo de formular abordagens de educação em saúde que estimulassem a participação ativa dos alunos. Como resultado dessas discussões, estruturou-se uma intervenção focada na saúde bucal, operacionalizada por meio de três dinâmicas lúdicas: 1) contação de histórias; 2) teatro de fantoches; e 3) simulação de escovação utilizando uma maquete da arcada dentária. Ao todo, as atividades foram aplicadas em quatro turmas de uma instituição de ensino inserida no território do Caju.
Período de Realização
A experiência foi desenvolvida ao longo do mês de março de 2026. Esse recorte temporal compreendeu todas as etapas da intervenção, englobando desde os debates de planejamento e a confecção dos materiais até a execução das oficinas formativas voltadas aos estudantes das instituições de ensino adstritas ao território da unidade de saúde.
Objetivo
O presente trabalho tem como principal objetivo a descrição da experiência da aplicação de recursos pedagógicos lúdicos e não convencionais na estruturação de ações de Educação em Saúde, direcionadas a crianças e adolescentes da rede pública de ensino no território do Caju através do PSE.
Resultados
Durante a execução da intervenção, observou-se um expressivo engajamento tanto dos estudantes quanto dos profissionais da educação, o que favoreceu uma maior integração entre a comunidade escolar, os trabalhadores da Atenção Primária (APS) e os residentes. Além disso, a prática culminou na elaboração de um documento-base que detalha as dinâmicas aplicadas, os materiais utilizados e a relevância dessas abordagens para o fomento do autocuidado oral na infância e adolescência. Dessa forma, a experiência não apenas estimulou a autonomia dos participantes, mas também consolidou metodologias inovadoras, servindo como roteiro para nortear futuras ações de Educação em Saúde no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE).
Aprendizado e Análise Crítica
A análise crítica desta vivência evidencia a imensa potencialidade do Programa Saúde na Escola (PSE) quando fundamentado em abordagens de caráter participativo. Colocar as crianças como sujeitos ativos do aprendizado provou ser uma ferramenta indispensável para a educação em saúde. É fato que a alta demanda assistencial e a sobrecarga do cotidiano de trabalho na Atenção Primária frequentemente dificultam a realização de ações não convencionais. Contudo, a experiência atestou que o esforço para transpor essas barreiras é amplamente justificado pelos resultados transformadores alcançados no ambiente escolar.
Ao promover a interação direta, essas metodologias proporcionam enormes ganhos na prevenção e no cultivo de hábitos saudáveis, tornando a assimilação do conhecimento muito mais efetiva. Essa apropriação do autocuidado, estimulada pela ludicidade, atua de forma contundente na prevenção de questões de saúde bucal mais graves a longo prazo, evitando lesões profundas e desgastes futuros. Conclui-se, portanto, que estimular a participação ativa das crianças não apenas facilita o vínculo com a unidade, mas consolida a verdadeira essência da promoção da saúde.
CARTOGRAFAR PARA COMUNICAR: VIVÊNCIA DE PRECEPTORIA EM ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA SOB A LUZ DA EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 FIOCRUZ
2 SES-TO
3 ULBRA Palmas
Contextualização
Este relato de experiência insere-se no campo da formação em saúde na Atenção Primária à Saúde (APS), articulado à Educação Popular em Saúde (EPS), compreendida como prática dialógica, crítica e orientada pelo território. Vincula-se ao projeto “Saúde Coletiva, Políticas e Processos Educativos: Inovações na Formação em Saúde a partir de Experiências da Especialização Nacional em Educação Popular em Saúde”, aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 90946225.3.0000.8027). Ressalta-se que este relato está inserido no Coletivo Temático Educação Popular em Saúde: Teoria, Políticas e Experiências Interculturais e Equânimes nos Territórios e na Saúde Coletiva. Parte da problematização dos modelos formativos tradicionais, ainda centrados na transmissão vertical de conteúdos e pouco implicados com os saberes e modos de vida dos usuários.
Descrição
A experiência foi realizada em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Palmas-TO, no contexto da preceptoria em enfermagem, envolvendo uma preceptora e cinco estudantes do penúltimo período de graduação, sendo uma delas usuária do próprio território. Utilizou-se a cartografia social como dispositivo pedagógico para analisar o processo de trabalho e a comunicação no serviço. A atividade ocorreu em dois encontros presenciais, incluindo a construção de representações do território e do serviço, seguida de roda de conversa e elaboração coletiva de propostas de intervenção.
Período de Realização
A experiência foi realizada em novembro de 2025.
Objetivo
O objetivo foi refletir sobre as contribuições da cartografia social para a formação em enfermagem, com ênfase na produção do cuidado, na comunicação e na relação com o território.
Resultados
A vivência evidenciou participação ativa das estudantes e ampliou a compreensão do território como espaço vivo, marcado por relações sociais e desigualdades. Foram identificadas potencialidades, como abertura ao trabalho coletivo, e fragilidades relacionadas à ausência de instrumentos de territorialização, limitações no acolhimento e dificuldades na comunicação com os usuários. Observou-se que a comunicação no serviço ocorria de forma pouco sistematizada, dificultando o acesso às informações. Como resposta, foi construído coletivamente um cardápio informativo dos serviços da UBS, disponibilizado na recepção.
Aprendizado e Análise Crítica
Os aprendizados indicam que a cartografia social favorece a superação de uma formação tecnicista, ao estimular a problematização da realidade e o protagonismo estudantil. A experiência também evidenciou a comunicação como prática política e educativa, fundamental para o fortalecimento do vínculo e da cidadania. A mediação dialógica, inclusive em situações de tensão, mostrou-se potente para transformar conflitos em processos formativos.
Como limite, destaca-se o tempo reduzido da experiência, que restringiu maior envolvimento da comunidade. Ainda assim, a vivência demonstrou que práticas pedagógicas orientadas pela EPS contribuem para a construção coletiva do conhecimento, a valorização dos saberes do território e o fortalecimento do SUS.
DA UNIVERSALIDADE AO CUIDADO INTEGRAL: O PAPEL INDISPENSÁVEL DA EDUCAÇÃO POPULAR PARA OS SISTEMAS DE SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal de Pernambuco - Núcleo de Ciências da Vida
2 Instituto Aggeu Magalhães - Fiocruz PE
3 Universidade de Pernambuco
Apresentação/Introdução
Os modelos de saúde, Beveridgiano e Bismarckiano, inspiraram sistemas universais no mundo. A partir de Alma-Ata, a Atenção Primária se consolidou como base desses sistemas, nos quais a Educação Popular em Saúde Bucal é fundamental para a promoção da saúde e redução das desigualdades. Os modelos de saúde, por sua vez, influenciam as práticas nos serviços, direcionando a educação em saúde nos territórios.
Objetivos
Analisar como os sistemas de saúde de cinco países podem influenciar na oferta da Educação em Saúde Bucal (ESB) nestes territórios, destacando sua importância como prática intersetorial na promoção da saúde e na redução de desigualdades.
Metodologia
Este é um estudo de caráter descritivo e analítico, elaborado por meio de uma revisão narrativa de literatura. Foram selecionados artigos científicos, documentos oficiais e relatórios institucionais que abordam os sistemas de saúde do Brasil, Reino Unido, Nova Zelândia (NZ), Cuba e África do Sul (SA). A análise focou na organização dos sistemas de saúde (SS), nas estratégias de Educação Popular em Saúde Bucal (ESB) e nas práticas intersetoriais, visando compreender como esses elementos contribuem para a promoção da saúde na atenção primária (APS) e a redução das desigualdades.
Resultados e Discussão
Os SS analisados apresentam especificidades que impactam a oferta de ESB. O Brasil oferece ESB na APS, mas o setor privado predomina na oferta de SB no país, fragilizando essas ações. O Reino Unido oferta SB pública e universal, mas a partir da coparticipação de consultórios particulares, o que limita a ESB, visto que a SB não está incluída integralmente na equipe de saúde pública. Na NZ, há cobertura pública apenas para crianças e jovens, o que favorece as ESB apenas para essas faixas etárias. A SA apresenta esporádicas ações de ESB nas escolas. Cuba adota modelo comunitário garantindo a integração da SB com os demais membros da equipe, fortalecendo a ESB nos espaços sociais e domicílios.
Conclusões/Considerações Finais
Sistemas universais são fundamentais, mas a efetividade na saúde bucal exige fortalecer ações educativas e intersetoriais. É crucial que esses sistemas também incluam a educação popular em saúde, como pilar essencial da sua oferta de serviços.Considerando que no Brasil faz-se fundamental pensar um cuidado interculturas, integrar programas educacionais, de educação popular, nos sistemas de saúde, torna possível promover hábitos saudáveis desde a infância, transformando a realidade epidemiológica de um determinado território.
EDUPOP SAÚDE PERIFERIA, EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE EM TERRITÓRIOS PERIFÉRICOS: TENSÕES E POTÊNCIAS DE UMA FORMAÇÃO-INTERVENÇÃO EM SALVADOR, BAHIA
Comunicação Oral Curta
1 ISC/UFBA
2 UFBA
Apresentação/Introdução
Historicamente, intervenções de esgotamento sanitário simplificado em territórios periféricos urbanos dependem da participação comunitária; no entanto, têm atualmente reproduzido lógicas tecnicistas, mais próximas às do sistema convencional, com baixa inclusão das comunidades no desenho, na operação e na gestão dos sistemas, além de reduzidos investimentos em processos de educação em saúde de caráter participativo. Esse cenário expressa limites estruturais das políticas públicas, que, ao desconsiderarem saberes, práticas e dinâmicas territoriais, contribuem para a manutenção de condições que sustentam a ocorrência de doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, como a leptospirose. Tais processos se inscrevem em contextos marcados por desigualdades socioambientais persistentes, evidenciando a necessidade de abordagens que articulem participação, território e produção compartilhada do cuidado.
Objetivos
Co-construir e analisar uma intervenção de educação popular em saúde ambiental participativa, em contexto de intervenção sanitária, voltada à prevenção da leptospirose e de outras doenças infecciosas e vetoriais em comunidades periféricas.
Metodologia
Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em grupos focais realizados em 2022 com 27 residentes de duas comunidades periféricas de Salvador (BA), que subsidiaram a co-construção da intervenção educativa. Ancorada na pedagogia freireana crítica e na Educação Popular em Saúde, a proposta estruturou-se em um ciclo formativo-interventivo que articulou formação de facilitadores e facilitadoras comunitários, planejamento participativo, intervenção territorializada, articulação intersetorial e avaliação. A formação, realizada em janeiro de 2024, organizou-se em cinco eixos temáticos, enquanto a intervenção, conduzida entre maio e junho de 2024, abordou três temas norteadores (saúde e prevenção de doenças zoonóticas e vetoriais; lixo e esgoto; desastres naturais), por meio de estratégias dialógicas como oficinas, rodas de conversa, mutirões e feira de saúde, além do uso de registros audiovisuais e ferramentas de comunicação comunitária.
Resultados e Discussão
Os achados evidenciaram demanda comunitária por processos educativos que articulem dimensões teóricas e práticas, orientados pelas necessidades e experiências locais. A intervenção possibilitou o fortalecimento de espaços coletivos de diálogo, ampliação da participação comunitária e articulação com instituições públicas dos setores de saúde e saneamento, favorecendo respostas mais contextualizadas às demandas do território. Entretanto, emergiram tensões importantes, como adesão irregular às atividades e limites na sustentação da participação ao longo do tempo, indicando que a participação social não se constitui como dado, mas como processo em disputa, condicionado por desigualdades estruturais, dinâmicas territoriais e condições concretas de vida. Evidenciaram-se também limites das intervenções educativas frente à persistência de problemas estruturais, como a precariedade do saneamento básico, revelando a insuficiência de ações pontuais diante de processos de determinação mais amplos.
Conclusões/Considerações Finais
O EduPop Saúde Periferia evidenciou que a Educação Popular em Saúde pode constituir-se como estratégia potente para fomentar participação, fortalecer o protagonismo comunitário e produzir respostas territorializadas em saúde. Contudo, seus efeitos são atravessados por condicionantes estruturais que limitam sua sustentabilidade e alcance, reforçando a necessidade de articulação entre práticas educativas, políticas públicas e enfrentamento das desigualdades socioambientais. A experiência aponta para a importância de processos participativos que, para além da dimensão educativa, tensionem as formas de produção, implementação e gestão das intervenções em saúde nos territórios periféricos.
INVISIBILIDADES E DESPROTEÇÃO SOCIAL DE PESSOAS QUE DESENVOLVEM PRÁTICAS POPULARES DE CUIDADO EM SAÚDE NO TERRITÓRIO ALTO DA TABUBA – CAUCAIA-CEARÀ
Comunicação Oral Curta
1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ
2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
3 FIOCRUZ BRASÍLIA
4 SECRETARIA DE SAÚDE DO CEARÁ - CE
Apresentação/Introdução
Entre rezadores, benzedeiras, parteiras, raizeiros, fazedores de lambedores e conhecedores dos chamados “remédios do mato”, identificamos um campo plural de saberes que integra dimensões espirituais, emocionais, comunitárias e corporais, compondo aquilo que Paulo Freire (2019) reconhece como saberes da experiência. Tais saberes nascem “do mundo vivido”, das necessidades concretas de sobrevivência e de cuidado, expressando modos de existir que historicamente resistem às práticas hegemônicas de saúde. A aproximação com o Alto da Tabuba, território localizado no município de Caucaia no estado do Ceará, constituiu-se como um exercício de escuta sensível, diálogo e reconhecimento das experiências vividas pelas pessoas que produzem cuidado no cotidiano da comunidade. No percurso de observação, escuta e convivência, emergiram também camadas de silêncio, preconceitos velados, desproteção e desigualdades. A prática popular cotidiana dessas e desses cuidadores tradicionais, tão presentes no território que fazem a saúde coletiva, contrasta com sua ausência nos sistemas formais de registro, atendimento e proteção social. Grande parte desses trabalhadores e dessas trabalhadoras, quando buscam acesso a benefícios previdenciários, apresenta-se como agricultor ou agricultora, pois essa é a categoria ocupacional legalmente reconhecida pelas políticas públicas no contexto rural.
Objetivos
Identificar as práticas, formas tradicionais de cuidado desenvolvidas por quatro mulheres e um homem do território; Analisar como esses sujeitos se autodeclaram em contextos institucionais, especialmente no INSS, e de que forma a invisibilidade de suas profissões interfere no acesso à proteção social; Entender os sentidos atribuídos pelos cuidadores tradicionais às suas práticas, suas trajetórias, suas escrevivências, e as formas como articulam saberes ancestrais, espirituais, comunitários e cotidianos.
Metodologia
A pesquisa está caracterizada como um estudo qualitativo, fundamentada nos pressupostos dos estudos de casos, da Escrevivência (Evaristo, 2017), da Educação Popular em Saúde e da Pedagogia do Diálogo de Paulo Freire (2019). Essa abordagem, através das entrevistas, observação participante e diário de campo, buscou compreender os sentidos, trajetórias, práticas e invisibilidades dos cuidadores tradicionais do território Alto da Tabuba-Caucaia-CE, reconhecendo a importância dos saberes da experiência e valorizando os sujeitos como produtores de conhecimento.
Resultados e Discussão
A Previdência Social, articulada à saúde e à assistência, compõe o sistema de seguridade social brasileiro e tem como missão garantir proteção social à classe trabalhadora. A Lei nº 8.213/1991 define as categorias de segurados da Previdência, entre elas a de segurado especial, voltada aos trabalhadores rurais e suas famílias que exercem atividades de subsistência. Entretanto, observa-se uma dissonância entre as formas oficiais de reconhecimento profissional e as práticas reais de trabalho e cuidado presentes nos territórios. Trabalhadoras e trabalhadores do cuidado tradicional, benzedeiras, rezadores, parteiras, raizeiros e guardiões de plantas medicinais, não são formalmente reconhecidos pelo Estado como trabalhadores. Para acessar direitos previdenciários, essas pessoas frequentemente se autodeclaram agricultores ou agricultoras, categoria institucionalmente legitimada, enquanto suas práticas de cuidado permanecem invisibilizadas. Tal situação evidencia um processo de apagamento histórico e revela uma contradição estrutural entre aquilo que as comunidades legitimam e aquilo que o Estado reconhece. São pessoas inseridas numa rede de cuidado que cuidam da saúde coletiva e extrapola o Sistema Único de Saúde, mas que também o complementa.
Conclusões/Considerações Finais
Nesse sentido, emerge uma pergunta fundamental: quem cuida e protege as cuidadoras, em sua maioria mulheres e os cuidadores tradicionais? Com o advento do SUS, avanços têm ocorrido por meio de processos de escuta, mobilização popular e construção coletiva de políticas como a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS) e os debates em torno das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Entretanto, no campo da proteção social e na Previdência Social, esse movimento ainda precisa ganhar visibilidade e debate público. Pensar a proteção social desses cuidadores e cuidadoras implica problematizar sua condição de trabalhadores e trabalhadoras, ampliando o diálogo entre Estado, sociedade e saberes populares. Nas vozes registradas neste estudo ressoam os “chamados” que conduziram essas pessoas às práticas de cuidado popular em saúde. Chamá-las agora para a roda de conversa sobre proteção social pode ser um ponto de partida, um primeiro passo. Talvez, como diria Ray Lima, toda essa prosa seja também uma sonhação uma utopia. Mas é justamente das utopias que nascem os caminhos possíveis de revolução.
PROMOÇÃO DA SAÚDE E SUSTENTABILIDADE EM ESPAÇO COMUNITÁRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROJETO “UFPE NA PRAÇA”
Comunicação Oral Curta
1 UFPE
Contextualização
Diante dos desafios contemporâneos que articulam ambiente, saúde e qualidade de vida, destaca-se a importância da promoção de práticas sustentáveis e territorializadas, orientadas pelos princípios da Educação Popular em Saúde. Nesse contexto, ações comunitárias em espaços públicos favorecem o protagonismo social, especialmente entre pessoas idosas, historicamente invisibilizadas nas práticas de cuidado.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência do projeto de extensão “UFPE na Praça”, desenvolvido em espaço público, com foco na promoção da saúde e educação alimentar, envolvendo um grupo de mulheres idosas da comunidade. A atividade ocorreu em praça pública, configurando-se como espaço de convivência, escuta e troca de saberes, no qual as participantes compartilharam experiências e conhecimentos sobre alimentação no cotidiano.
A ação abordou o aproveitamento integral dos alimentos como estratégia de promoção da saúde e sustentabilidade, sendo realizada de forma prática e participativa, com a preparação coletiva de receitas acessíveis, como bolo de casca de banana. O momento favoreceu o diálogo entre saberes populares e acadêmicos, valorizando práticas culturais e experiências de vida das participantes.
Período de Realização
08 de Agosto de 2025
Objetivo
Relatar a experiência de uma ação extensionista voltada à promoção da saúde e sustentabilidade, fundamentada na Educação Popular em Saúde, a partir da construção coletiva de saberes com um grupo de mulheres idosas em território comunitário.
Resultados
A atividade promoveu a participação ativa das idosas, estimulando o compartilhamento de saberes e o fortalecimento da autonomia no cuidado com a alimentação. Observou-se que o espaço da praça pública potencializou vínculos sociais, aprendizado coletivo e valorização das experiências das participantes. Além disso, a prática incentivou o reaproveitamento de alimentos, contribuindo para a redução do desperdício e para a adoção de hábitos mais sustentáveis no cotidiano.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidenciou a potência da Educação Popular em Saúde na construção do cuidado em territórios, ao reconhecer as idosas como protagonistas do processo de aprendizagem. O uso de práticas como rodas de conversa e preparo coletivo de alimentos possibilitou um processo educativo horizontal, baseado na troca e na valorização dos saberes populares.
Destaca-se que a realização da atividade em praça pública ampliou o acesso, a visibilidade e o caráter democrático da ação, reforçando o papel dos espaços comunitários como cenários de produção de saúde. Assim, ações extensionistas dessa natureza contribuem para a formação crítica dos estudantes e para a construção de práticas mais inclusivas, participativas e sustentáveis na saúde coletiva. A experiência evidenciou a potência da Educação Popular em Saúde na construção do cuidado em territórios, ao reconhecer as idosas como protagonistas do processo educativo.
APOIO REGIONAL NO TERRITÓRIO COMO ESTRATÉGIA DE ENGAJAMENTO NA FORMAÇÃO DE PESSOAS ATIVADORAS DO CONTROLE SOCIAL DO SUS EM MINAS GERAIS
Comunicação Oral Curta
1 ESP-MG
Contextualização
A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) possui longo histórico de ações educacionais voltadas ao controle social no SUS. Entre 2016 e 2019, em parceria com o Conselho Estadual de Saúde de MG (CES-MG), foram realizadas turmas presenciais regionalizadas de qualificação de pessoas conselheiras municipais. A pandemia de COVID-19 impulsionou a reformulação da proposta, incorporando a Educação Permanente em Saúde (EPS) como ferramenta político-pedagógica e o ensino remoto síncrono. Em 2022, realizou-se a turma piloto da Formação de Pessoas Ativadoras do Controle Social do SUS em MG. Em 2023, formalizou-se Acordo de Cooperação Técnica entre ESP-MG e CES-MG. Já em 2024 foram realizadas 2 turmas da Formação. Ancorada na concepção crítica da educação, na Educação Popular em Saúde e na andragogia, a Formação reconhece os saberes e experiências das pessoas conselheiras como ponto de partida para uma aprendizagem significativa e transformadora.
Descrição
A Formação é uma ação educativa de 22 horas (14h remotas e 8h de dispersão), estruturada em quatro encontros virtuais síncronos, destinada a pessoas conselheiras de saúde, dos segmentos de pessoas usuárias, trabalhadoras e gestoras. Os temas incluem EPS, controle social no SUS, acompanhamento de políticas públicas e financiamento da saúde. As atividades de dispersão preveem a elaboração coletiva de diagnóstico local do controle social e de plano de ativação da EPS para o conselho municipal. O foco deste relato é a estratégia de envolvimento de trabalhadoras da Secretaria de Estado de Saúde de MG (SES-MG) nas Unidades Regionais de Saúde (URSs) como apoiadoras e mobilizadoras territoriais da Formação. Antes do início da turma de 2025, a equipe coordenadora articulou-se com a Subsecretaria de Regionalização da SES-MG, que identificou pertinência com pontos focais nas URSs junto ao controle social e, a partir de levantamento, selecionou aquelas com maior proximidade e engajamento com os Conselhos Municipais de Saúde (CMSs) de suas regiões. Realizou-se reunião online com as sete trabalhadoras, apresentando a proposta e o arcabouço teórico-metodológico da Formação, com destaque para os referenciais de EPS e Educação Popular em Saúde, bem como seus saberes cotidianos e conhecimento do histórico dos CMSs. Todas se dispuseram a atuar como mobilizadoras junto às pessoas conselheiras de suas regiões e a acompanhar o desenvolvimento da Formação. Como reconhecimento, as participantes receberam certificação.
Período de Realização
Junho a setembro de 2025, com articulação regional iniciada logo antes do início das aulas.
Objetivo
Relatar e analisar a estratégia de articulação com trabalhadoras da SES-MG nas URSs como mobilizadoras e apoiadoras territoriais da Formação, avaliando sua contribuição para o engajamento das pessoas conselheiras e a efetividade da ação educativa ancorada nos princípios da Educação Popular em Saúde e da EPS.
Resultados
Sete trabalhadoras de URSs acompanharam mais de perto oito Conselhos Municipais de Saúde ao longo da Formação. A turma de 2025 contou com 69 pessoas matriculadas de 26 municípios, das quais 34 foram certificadas em 20 municípios. O envolvimento das trabalhadoras das URSs ampliou o apoio às pessoas conselheiras na reflexão crítica sobre a atuação dos seus conselhos e na construção coletiva de diagnósticos locais que fundamentaram a elaboração de planos de ativação da EPS para o controle social. A avaliação com participantes dos conselhos e das URSs indicou que a presença de uma referência regional foi positiva: possibilitou maior consideração da realidade de cada território nas reflexões sobre potencialidades e fragilidades dos conselhos, em seu processo histórico e momento atual. Seu conhecimento acumulado no contato cotidiano com os CMSs trouxe elementos contextuais que enriqueceram as discussões e qualificaram os produtos da Formação (diagnósticos e planos de ativação), tornando-os mais pertinentes às especificidades locais. Essa atuação conjunta mostrou-se de grande importância para a efetivação dos objetivos da Formação, evidenciando o potencial de parcerias com instâncias da gestão estadual em nível regional para o fortalecimento do controle social nos municípios.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência evidencia que a incorporação de referências regionais ao processo educativo fortalece os princípios da Educação Popular em Saúde, ao valorizar os saberes do cotidiano e a realidade concreta dos territórios. A atuação das trabalhadoras das URSs como mediadoras entre a proposta formativa e os conselhos locais expressa os princípios freireanos de diálogo, reconhecimento dos sujeitos históricos e indissociabilidade entre educação e cultura. Essa estratégia demonstrou que a proximidade territorial pode ser fator decisivo para ampliar o alcance e a efetividade de ações educativas voltadas ao controle social. Para as próximas turmas, pretende-se aprofundar essa articulação desde a divulgação das inscrições, com busca ativa de conselheiras com alto engajamento e potencial de ativação em suas regiões.
Realização: