Programa - Comunicação Oral Curta - COC22.3 - Formação, usos de tecnologias digitais e equidade para o cuidado na Atenção Básica
18 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
ATENÇÃO À SAÚDE DE MULHERES E CRIANÇAS YANOMAMI: O USO DE FERRAMENTA DIGITAL E A EXPERIÊNCIA DO PORTAL DE BOAS PRÁTICAS NA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL
Comunicação Oral Curta
1 IFF/Fiocruz
Contextualização
A atenção à saúde de populações que vivem em áreas remotas, especialmente povos indígenas, permanece sendo um desafio para as políticas de saúde no Brasil, que historicamente apresentam dificuldades em incorporar suas especificidades socioculturais. Especificamente, o povo Yanomami habita uma extensa área da floresta amazônica, caracterizada por difícil acesso, dispersão das comunidades e forte dependência dos rios para mobilidade, o que impõe importantes barreiras logísticas à organização da atenção à saúde. Além disso, a existência de modos próprios de cuidado e organização social demandam abordagens multiprofissionais e interculturais, uma vez que o modelo biomédico, isoladamente, pode resultar em baixa adesão ao cuidado. Do ponto de vista da organização dos serviços, o modelo dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) busca adaptar a rede de atenção nesses territórios, mas enfrenta desafios como alta rotatividade de profissionais, barreiras linguísticas e limitações na continuidade do cuidado. Nesse contexto, a saúde de mulheres e crianças se destacam como áreas particularmente sensíveis, devido à maior vulnerabilidade desses grupos, à necessidade de acompanhamento contínuo e às dificuldades de acesso oportuno a serviços de maior complexidade. No DSEI Yanomami, essas fragilidades exigem estratégias diferenciadas, dentre elas o uso de tecnologias e ferramentas digitais para apoio remoto a profissionais de saúde, como forma de qualificar a atenção à saúde.
Descrição
Desde 2024, um projeto coordenado pela VPAAPS/Fiocruz sobre o fortalecimento da atenção à saúde em Território Indígena Yanomami (TIY), tem desenvolvido junto do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (IFF/Fiocruz) e outras instituições, ações voltadas para a qualificação de profissionais que atuam no TIY, a partir da produção de conteúdos e materiais sobre aspectos culturais no cuidado materno-infantil, que subsidiem a prática clínica no contexto Yanomami, através do Portal de Boas Práticas. O Portal é uma ferramenta digital, de livre acesso, integrada por especialistas e instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil e está inserido no contexto do papel nacional do IFF/Fiocruz de disseminar conhecimento baseado em evidência científica. A iniciativa reuniu um grupo de especialistas de diversas áreas, incluindo saúde, antropologia e profissionais com atuação no território, para formular e desenvolver os materiais.
Período de Realização
Início: julho de 2024
Previsão de término: novembro de 2026
Objetivo
Produzir e disseminar materiais sobre aspectos culturais no cuidado de mulheres e crianças no TIY, que subsidiem e qualifiquem a prática clínica de profissionais que atuam na rede de atenção à saúde materna e infantil nesses territórios.
Resultados
- E-books produzidos (que também serão disponibilizados em material impresso e PPT): “O Cuidado à Mulher e à Criança Yanomami Ye’kwana - perspectivas antropológicas”; “Parto e Nascimento na Terra Indígena Yanomami” “Assistência a intercorrências no parto e nascimento no território indígena”;
- Banners para impressão sobre manejo de sintomas respiratórios, diarreia e desidratação, e febre e malária;
- Encontros com Especialistas no Portal de Boas Práticas realizados: "Pós-parto e os círculos de cuidado na Terra Indígena Yanomami" e "Gestação e Parto na Terra Indígena Yanomami", assim como o lançamento do "Temi Totihi: Guia de atenção ao Pré-natal na Terra Indígena Yanomami";
- Produção de um podcast sobre saúde da criança, em parceria com a comunicação do DSEI-Y e comunicadora popular, em elaboração.
Aprendizado e Análise Crítica
Tem-se evidenciado a importância da construção interdisciplinar e intercultural na produção de materiais voltados à saúde materna e infantil em contextos indígenas. A necessidade de incorporar profissionais locais no processo de elaboração dos produtos é fundamental para assegurar maior adequação cultural e representatividade com os modos de vida e referenciais simbólicos do território. Ainda assim, observa-se que, embora a produção dos materiais tenha buscado dialogar com as especificidades socioculturais do povo Yanomami, persistem desafios estruturais que tensionam sua efetiva implementação, como a alta rotatividade de profissionais, limitações de infraestrutura e barreiras linguísticas no território. Além disso, a tradução de conteúdos técnicos para uma lógica intercultural permanece um processo complexo, que exige mediações contínuas e maior protagonismo indígena na construção das estratégias. Ressalta-se, ainda, que a produção de materiais, embora relevante, não é suficiente isoladamente para transformar práticas, sendo necessário articulá-la a processos formativos, apoio institucional e fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde indígena.
CONHECIMENTO E USO DE TECNOLOGIAS POR TRABALHADORES EM SAÚDE DA AMAZÔNIA LEGAL E A SAÚDE DIGITAL NO SUS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Comunicação Oral Curta
1 UNIR
2 SEMUSA-PVH
Contextualização
O plano de Saúde Global da Organização Mundial de Saúde visa otimizar a equidade e o acesso ao cuidado, conectando-se à saúde mundial para um melhor enfrentamento de pandemias e doenças crônicas. Tal iniciativa tem avançado a passos largos em diversos países, e no Brasil, tem sido impulsionada por estratégias como o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET), edição PET-Saúde Digital. Um programa do Ministério da Saúde que acontece em parceria com o Ministério da Educação, promovendo a integração entre ensino, serviços de saúde e comunidade, com foco na transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Amazônia Legal brasileira é conformada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Em Porto Velho, a universidade federal de Rondônia (UNIR) desenvolve, entre outros, o PET-Saúde Digital, em parceria com as secretarias estadual e municipal de saúde.
Sabe-se que, para um SUS integrado digitalmente, desafios precisam ser superados. Nesta localidade, somando-se à dificuldade em garantir o acesso equitativo, a interoperabilidade dos sistemas e a proteção de dados, existe a desigualdade no nível de conhecimento, na habilidade, frequência do uso, comportamentos e relação com a tecnologia por trabalhadores do SUS da atenção básica de saúde.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência do diagnóstico situacional produzido por um grupo do PET-Saúde Digital atuante em uma USF de bairro periférico de Porto Velho, Rondônia, no período de agosto a dezembro de 2025. Os dados foram obtidos mediante o preenchimento de um formulário eletrônico por trabalhadores da USF. As informações foram tabuladas no Microsoft Excel e analisadas por estatística descritiva.
Período de Realização
Este relato versa sobre a experiência vivenciada e alguns achados pelo grupo que trabalhou em fase inicial a temática Saúde Digital na Amazônia, no ano de 2025, tendo a missão de apontar soluções digitais adaptadas à realidade amazônica e áreas de difícil acesso, atuando em uma unidade de saúde da família (USF) de um bairro periférico da capital rondoniense.
Objetivo
Compartilhar os achados e as lições aprendidas a partir de um diagnóstico situacional quanto ao conhecimento e uso de tecnologias digitais por profissionais de uma USF da Amazônia Legal.
Resultados
Verificou-se que 81,6% (n= 40) dos trabalhadores eram do sexo feminino, na faixa etária de 32 a 61 anos, ocupantes de 13 cargos/funções diferentes na USF. Dos 49 participantes, 44,8% (n=22) tinham ensino superior completo, e 18,3% (n=9) pós-graduação lato sensu. A grande maioria (69,3%, n=34) relatou conhecer e utilizar diariamente aplicativos de mensagens, redes sociais e o Microsoft Word. Contudo, 30,6% (n=15) referiu desconhecer ferramentas como Excel, Google Sheets, Microsoft Teams, Power Point e Zoom; 77,5% (n=38) buscam a internet para aprender sobre novas ferramentas digitais; e 22,4% (n=11) buscam amigos/colegas. E 28,5% (n=14) responderam ter de média a baixa disposição para aprender novas tecnologias digitais.
Aprendizado e Análise Crítica
A pandemia do Covid-19 e o isolamento social motivaram o uso de tecnologias digitais para aproximar pessoas e ofertar atendimento em saúde em um período de medo e de elevado risco de contágio. Embora o nível de formação de muitos dos trabalhadores da USF esteja além daquele exigido pelo cargo/função exercida, e exista a ideia de que níveis mais elevados de instrução estão correlacionados com maior domínio de tecnologias e maior capacidade de aplicá-las, o desconhecimento e dificuldades no uso de ferramentas digitais foram observados.
Identificamos que várias ferramentas que favoreceriam a elaboração de relatórios, gráficos, reuniões e apresentações pelos trabalhadores da USF ainda são por eles desconhecidas. Atrelado a isso, existe o desafio real de lançarmos mão do letramento digital e de estratégias dialógicas no ensino de ferramentas digitais a estes trabalhadores, a fim de favorecer o trabalho desenvolvido na USF, os registros e trocas entre os profissionais e usuários, de modo a fortalecer a saúde digital no SUS e alcançar os objetivos do PET-Saúde Digital.
Conclui-se que a saúde digital ainda não está consolidada em regiões da Amazônia Legal, a exemplo da USF na qual este grupo do PET está atuando. Seja pela dificuldade em se obter ou de apreender a informação, ou mesmo pela ausência do suporte necessário para o aprendizado. O PET-Saúde Digital se apresenta como uma oportunidade de integração ensino-serviço que contribui com todos os atores envolvidos, seja na vivência dos estudantes na realidade do SUS, seja para o alcance do conhecimento desejado pelos trabalhadores, e ao mesmo tempo, possibilita alavancar a inclusão digital no SUS para o alcance da saúde global.
ENTRE A PRECARIEDADE E A INCLUSÃO: DESAFIOS DA SAÚDE DIGITAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM TERRITÓRIO AMAZÔNICO.
Comunicação Oral Curta
1 UFOPA
Contextualização
No cenário contemporâneo, a incorporação de tecnologias digitais no Sistema Único de Saúde tem ampliado as possibilidades de cuidado, gestão e acesso à informação. No entanto, em municípios do interior da Amazônia, persistem desigualdades funcionais e estruturais relacionadas à limitação de infraestrutura, conectividade, disponibilidade de equipamentos e treinamento dos profissionais o que dificulta a efetivação dessas estratégias na APS.
Descrição
Durante o acompanhamento das atividades em uma UBS, localizada na área urbana do município de Santarém, Pará, observou-se que parte dos profissionais não dispunha de computadores institucionais, recorrendo ao uso de equipamentos pessoais para acesso ao prontuário eletrônico do cidadão (PEC), o que evidencia fragilidades na infraestrutura e possíveis processos de precarização do trabalho. Ademais, identificou-se que a equipe multiprofissional atuante em área adjacente à UBS, composta por fisioterapeuta, assistente social, psicólogo, nutricionista e educador físico, enfrentava limitações no acesso à internet, devido à baixa cobertura do sinal de Wi-Fi no local de trabalho, comprometendo o uso de ferramentas digitais no cuidado em saúde. A partir desse cenário, foi realizado um diagnóstico situacional, evidenciando lacunas relacionadas à conectividade e à disponibilidade de recursos tecnológicos. Como estratégia de enfrentamento, articulou-se a instalação de um ponto de acesso à internet, ampliando a cobertura do sinal e possibilitando melhores condições de acesso aos sistemas digitais por parte da equipe multiprofissional.
Período de Realização
As atividades foram desenvolvidas entre agosto e dezembro de 2025 no município de Santarém - Pará, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), no contexto do Programa PET Saúde Digital, vinculado à Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).
Objetivo
Com o objetivo de identificar barreiras de acesso à saúde digital na Atenção Primária à Saúde (APS), considerando as especificidades do território amazônico.
Resultados
A partir das barreiras tecnológicas observadas foi realizada uma intervenção voltada à ampliação do acesso à internet para a equipe multiprofissional atuante em área adjacente à UBS, além de pequenos reparos nos equipamentos os quais foram realizados por acadêmicos integrantes do PET. A estratégia consistiu na instalação de um roteador conectado ao provedor de internet já existente na UBS, possibilitando a extensão do sinal de Wi-Fi até o local de atuação da equipe. Com a implementação dessa solução, observou-se melhora na conectividade, permitindo maior integração entre os profissionais e facilitando o acesso ao prontuário eletrônico e a outros sistemas utilizados na Atenção Primária. Além disso, a ação contribuiu para a otimização das atividades assistenciais e administrativas, reduzindo a necessidade de deslocamento até a unidade principal para acesso à internet.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência possibilitou compreender que a inclusão digital é um elemento central para a efetivação da saúde digital na Atenção Primária, exigindo não apenas acesso às tecnologias, mas também condições estruturais e organizacionais que garantam equidade no uso desses recursos pelos profissionais de saúde. A vivência no âmbito do Programa PET Saúde Digital contribuiu para o desenvolvimento de uma visão ampliada e crítica acerca da organização dos serviços, permitindo a comparação entre diferentes realidades regionais e evidenciando que, em territórios amazônicos, a implementação da saúde digital enfrenta desafios mais intensos quando comparada a outras regiões do país, onde há maior disponibilidade de infraestrutura e conectividade. Ademais, favoreceu o desenvolvimento de um olhar crítico acerca das desigualdades estruturais presentes nos serviços, reforçando o papel formativo do estudante na problematização da realidade e na proposição de intervenções alinhadas às necessidades do território. A implementação da saúde digital na APS, embora apresentada como estratégia de modernização e ampliação do acesso, ocorre de forma desigual em territórios amazônicos, onde persistem limitações estruturais históricas. A insuficiência de equipamentos institucionais, a precariedade da conectividade e a necessidade de utilização de recursos pessoais por parte dos profissionais revelam fragilidades na consolidação dessa política, podendo comprometer tanto as condições de trabalho quanto a qualidade da assistência prestada. Nesse contexto, a saúde digital, quando não acompanhada de investimentos equitativos, tende a reproduzir e aprofundar desigualdades já existentes no Sistema Único de Saúde, especialmente em regiões socialmente vulnerabilizadas. Apesar dos avanços, ainda persistem desafios relacionados à disponibilidade de equipamentos institucionais, evidenciando que a inclusão digital no contexto da APS no território Amazônico requer intervenções contínuas e estruturais voltadas as realidades locais.
GT-07 PET-SAÚDE DIGITAL UFPB: INOVAÇÃO DIGITAL E INTERPROFISSIONALIDADE NO ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DE GÊNERO NO SUS DA PARAÍBA
Comunicação Oral Curta
1 UFPB
Contextualização
A violência contra a mulher é definida como qualquer ação baseada no gênero que cause morte, dano ou sofrimento à mulher. Segundo o Ministério da Saúde, houve um aumento de 20% nos atendimentos por agressões físicas e psicológicas à mulher entre 2020 e 2025, demandando qualificação para notificação para suporte. O Programa Educação pelo Trabalho para a saúde (PET-SAÚDE) foi criado pelo Ministério da Saúde com objetivo de qualificar profissionais de saúde. Em 2025, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aprovou 12 grupos tutoriais (GT) no PET “Saúde Digital no SUS”, cujas atividades são desempenhadas em parceria com as secretarias municipais de João Pessoa e Cabedelo e secretaria do estado da Paraíba, envolvendo estudantes de graduação das áreas da saúde, ciências exatas e comunicação, preceptores de serviços de saúde e tutoria docente. O PET-SAÚDE/I&SD-SUS/PB objetiva a criação de novos dispositivos tecnológicos para o SUS, através da integração ensino-serviço-comunidade. Dentre os grupos tutoriais deste projeto, o GT-07 (Enfrentamento à violência de gênero) busca produzir soluções digitais para o enfrentamento da VCM, subsidiando políticas públicas de saúde eficazes.
Descrição
O presente estudo propõe relatar a experiência do GT-07 PET-SAÚDE/I&SD-SUS/PB, identificando potencialidades e desafios na produção de informações sobre VCM na Paraíba. O GT 07 é formado por 10 estudantes, sendo 6 da área da saúde (enfermagem, odontologia, nutrição e biomedicina) e 4 das ciências exatas (ciência da computação e ciência de dados e IA), três preceptores/as envolvidos/as na gestão e atenção dos municípios de Cabedelo, João Pessoa e SES/PB (psicologia, fisioterapia e enfermagem), um orientador de serviço, cientista da computação e dois professores tutores (saúde coletiva e estatística), marcando o perfil interdisciplinar da equipe.
Período de Realização
O programa teve início em agosto de 2025 e sua vigência se estende até julho de 2027.
Objetivo
Relatar a experiência da equipe do GT-07 PET-SAÚDE/I&SD-SUS/PB), com foco no enfrentamento à violência de gênero por meio da articulação entre ensino, serviço e comunidade, integrando a saúde digital à qualificação da rede de atenção às mulheres em situação de violência no estado da Paraíba.
Resultados
Desde o início do projeto, o grupo realiza reuniões semanais, com estudos dirigidos para planificação teórico-conceitual (participação em cursos sobre Saúde Digital e VCM) e planejamento de atividades. Além disso, realizou visitas aos serviços da Rede Estadual de Atenção às Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Sexual da Paraíba (Reamcav) para conhecer os fluxos de notificação, acolhimento e vigilância. Realizou mineração e tratamento da base do SINAN (2014–2025), utilizando Python para decodificação, limpeza e análise das variáveis, com foco na caracterização da VCM no estado da Paraíba. Também realizou benchmarking de aplicativos de notificação da VCM existentes no Brasil e elaborou propostas de atualização do aplicativo VC Mulher (aplicativo sobre VCM produzido pelo Programa de Pós Graduação em Modelos de Decisão em Saúde da UFPB - do qual o/a tutor/a fazem parte), analisando fluxos e usabilidade para aprimorar o protótipo. Ainda, o GT07 desenvolveu sua identidade visual, estruturou um perfil oficial no Instagram e elaborou calendário editorial com conteúdos educativos, campanhas e indicações culturais relacionadas ao tema. Estas ações visam ao final do projeto produzir um Observatório da Violência contra a Mulher na Paraíba.
Aprendizado e Análise Crítica
O projeto possibilita aos estudantes estabelecer contato com a comunidade e profissionais de saúde, vivenciando na prática o funcionamento dos serviços de e espaços de gestão da saúde e da rede intersetorial de enfrentamento da violência contra às mulheres, compreendendo as necessidades estruturais do SUS. Além disso, permite identificar fragilidades e potencialidades na organização do acompanhamento da população na Rede de Atenção à Saúde, ao passo em que esse conhecimento possibilita a criação de soluções em saúde digital para o SUS. Dessa forma, o estudante adquire qualificações e competências alinhadas às demandas do sistema de saúde e contribui com a criação de um produto voltado para a melhoria da implementação das políticas públicas no estado. O PET-Saúde Digital promove a integração entre ensino, serviço e comunidade na formação profissional, fomentando a inovação no SUS por meio da reflexão crítica sobre interprofissionalidade e saúde digital na prática cotidiana. No âmbito do GT-07 do PET, dedicado ao enfrentamento da violência de gênero, essa articulação é vivenciada diretamente no funcionamento dos serviços de saúde e na compreensão da realidade do SUS, de maneira a impulsionar ações inovadoras de saúde digital. Assim, os aprendizados gerados não só aprimoram o ensino-aprendizagem, mas também subsidiam intervenções concretas, como o uso de tecnologias para notificação, acolhimento e empoderamento de vítimas, fortalecendo a rede de proteção e a equidade de gênero no SUS.
I SIMPÓSIO DE SAÚDE DIGITAL NO AMAZONAS COMO FERRAMENTA PARA O FORTALECIMENTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Comunicação Oral Curta
1 UEA
Contextualização
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a saúde digital constitui um campo de conhecimentos e práticas relacionados ao uso de tecnologias digitais na saúde. As tecnologias digitais trazem transformações para a prestação dos serviços de saúde e para a forma como esses serviços vão impactar na vida das populações, além disso pode influenciar na maneira como são organizados e prestados os serviços de saúde em diferentes níveis (Rachid, 2023) (OMS, 2021). A realização de discussões relacionadas à saúde digital tem como foco desses debates a utilização das ferramentas tecnológicas disponíveis através da telessaúde,como teleconsultas, teleconsultorias, telediagnóstico, telemonitoramento, telerregulação e teleducação. Ao utilizar os dados gerados a partir das ações de saúde digital, torna-se possível promover informações técnicas para diversas áreas, fortalecendo a troca de conhecimentos entre profissionais de diferentes localidades.
Descrição
Esse intercâmbio de informações contribui significativamente para a melhoria da qualidade do atendimento prestado aos usuários e à comunidade como um todo (Araújo, 2023). A integração e a análise dos dados oriundos das atividades de saúde digital permitem identificar tendências, necessidades e lacunas no sistema de saúde, facilitando a tomada de decisões baseadas em evidências. A utilização dessas ferramentas promove uma maior conectividade entre os profissionais de saúde, o que é essencial para a construção de uma rede colaborativa eficiente (Brasil, 2023).
Período de Realização
realizado nos dias 16 e 17 de novembro de 2023
Objetivo
Relatar a experiência vivenciada no I Simpósio de Saúde Digital da UEA, ampliando debates que sirvam como meio de trazer a utilização das tecnologias da informação e comunicação, visando a melhoria do processo de trabalho na busca de resolutividade dentro da APS.
Resultados
Trata-se de um relato de experiência a partir da organização de um evento de competência regional, onde foram reunidos conhecimentos, experiências e práticas nas áreas de tecnologias em saúde, saúde digital e seus componentes com o intuito de instrumentalizar profissionais de saúde do interior e da capital do Estado do Amazonas, sobre as ferramentas ofertadas pela telessaúde. O simpósio ocorreu de forma híbrida no intuito de atingir o maior número de profissionais de saúde para receber as informações e foi realizado nos dias 16 e 17 de novembro de 2023. As mediações e discussões entre especialistas da área de saúde digital no formato híbrido contou com o apoio e estrutura da Telessaúde UEA, eixo pertencente a Unidade de Desenvolvimento Docente e Apoio ao Ensino (UDDAE) e cobertura da assessoria de comunicação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Realizado em dois dias, divididos em duas partes teóricas: 1ª parte) Realização das conferências sobre saúde digital no Brasil e utilização dos componentes da Saúde Digital (Teleconsultas e Teleconsultorias e Telerregulação); 2ª parte) Debates em mesas redondas, promovendo discussões sobre os componentes Saúde Digital (telediagnóstico, telemonitoramento e teleducação). Todas as apresentações foram gravadas e transmitidas via YouTube da Telessaúde da UEA, para inscritos e convidados que não puderem participar presencialmente, a fim de garantir o formato híbrido do evento. As apresentações foram disponibilizadas no link: https://www.youtube.com/watch?v=IhKC9R4Wlho.
Aprendizado e Análise Crítica
O Simpósio contou com participação e colaboração de 23 monitores voluntários, envolvendo alunos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) e da Graduação em Odontologia da UEA. O I Simpósio de Saúde Digital da Universidade do Estado do Amazonas proporcionou aos participantes informações, conhecimentos e guias práticos de como utilizar e executar a Telessaúde na Atenção Primária à Saúde no Estado do Amazonas. Presume-se que os profissionais participantes estejam instrumentalizados a utilizar ferramentas e tecnologias de informação e comunicação, a fim de aprimorar seu processo de trabalho, melhorando não somente o acesso como também a resolutividade dos problemas de saúde no serviço público. O evento pode ser transmitido para algumas comunidades de áreas indígenas. Participaram do Simpósio 554 profissionais de diversas áreas da saúde, dentre eles professores da área da saúde, alunos de graduação e pós-graduação, profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, assistentes sociais, farmacêuticos, psicólogos, fonoaudiólogos, técnicos e auxiliares da saúde). Destes, 537 (96,9%) dos participantes declararam não fazer parte de área indígena e 17 (3,1%) declararam na sua inscrição fazer parte de área indígena.
Eles tiveram a oportunidade de explorar uma visão abrangente das tecnologias envolvidas, suas aplicações na saúde e os principais impactos na prestação de cuidados de saúde. Esses resultados indicam um passo importante na capacitação dos profissionais de saúde da região para enfrentar os desafios atuais e futuros na atenção primária à saúde.
PROMOÇÃO DA SAÚDE MEDIADA POR TECNOLOGIAS DIGITAIS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: IMPLEMENTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE MUDANÇA DE COMPORTAMENTO COM AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE
Comunicação Oral Curta
1 UESB
Apresentação/Introdução
Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) desempenham papel fundamental na promoção da saúde no território, atuando como elo entre a comunidade e os serviços de saúde. Suas práticas educativas impactam positivamente na prevenção e manejo de agravos à saúde, fortalecendo vínculos e garantindo o cuidado duradouro. Nesse contexto, o Programa Transformação, mediado pelo aplicativo VAMOS on-line, propõe mudanças de comportamento voltadas à promoção da atividade física e da alimentação saudável em ACS, constituindo estratégia inovadora e escalável no campo da saúde por meio das tecnologias digitais.
Objetivos
Analisar as percepções dos envolvidos na implementação de um programa de mudança de comportamento com foco em atividade física e alimentação saudável, mediado por tecnologias digitais, com Agentes Comunitários de Saúde em territórios do interior do Brasil.
Metodologia
Pesquisa de abordagem qualitativa para avaliar a implementação do Programa Transformação, utilizando o aplicativo VAMOS on-line. O estudo foi conduzido com ACS das zonas urbana e rural, no município de Jequié, localizado na mesorregião centro-sul baiana.
O Programa Transformação objetivou propor mudanças de comportamento nos pilares de atividade física e alimentação saudável, por meio de conteúdos educativos disponibilizados em plataforma digital. A intervenção foi estruturada em três momentos: o Momento 1 (M1), presencial, compreendeu o cadastro dos ACS na plataforma, a avaliação física e oficinas de autocuidado; o Momento 2 (M2), on-line, correspondeu à etapa de desenvolvimento individual das seções 2 a 17 do livreto virtual, realizadas por dispositivo móvel pessoal, conforme cronograma pré-estabelecido e guiado pela equipe de pesquisa por (vídeos e cards instrucionais), com acompanhamento por meio de grupo de WhatsApp; e o Momento 3 (M3), presencial, consistiu em oficina de reavaliação, relaxamento e Grupo Focal (GF), com os ACS concluintes. O Programa durou seis meses, entre outubro de 2023 a julho de 2024.
Finalizou o Programa Transformação 14 ACS. Destes, 10 foram reavaliados e participaram GF.
Utilizou-se a dimensão Implementação do modelo RE-AIM como referencial teórico avaliativo. A implementação foi avaliada a partir das percepções de três grupos: ACS participantes, equipe de entrega e coordenadores dos serviços. Os instrumentos de coleta foram: grupo focal com os ACS — com roteiro de questões voltado à organização do programa, ao uso da plataforma e ao acompanhamento via WhatsApp —, diário de campo e questionário semiestruturado aplicado via Google Forms à equipe de pesquisa e aos coordenadores, abordando questões subjetivas sobre barreiras e facilitadores. As discussões do GF foram gravadas e transcritas.
O material textual foi organizado em corpus monotemático por grupo de participantes (ACS, equipe de entrega e coordenadores dos serviços) e processado pelo software IRAMUTEQ, com identificação de palavras-chave, frequências e segmentos contextuais das falas. Posteriormente, os dados foram interpretados por meio de análise de conteúdo segundo Bardin (2011), organizados em categorias e subcategorias temáticas, com o objetivo de identificar transformações e padrões nos discursos dos participantes. A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.
Resultados e Discussão
Os resultados evidenciaram as percepções dos três grupos — ACS participantes, equipe de entrega e coordenadores dos serviços — organizadas em cinco categorias: barreiras, facilitadores, impactos positivos, acompanhamento e sugestões para ampliar a implementação.
As barreiras apresentaram características individuais — dificuldades de cumprir o cronograma, cansaço e baixo domínio digital — e organizacionais, como falhas técnicas recorrentes na plataforma e nos aplicativos. A baixa familiaridade com as TIC contribuiu para desistências ao longo do programa.
Entre os facilitadores, destacaram-se o acompanhamento próximo da equipe de pesquisa via WhatsApp, a relevância e linguagem acessível dos conteúdos e as oficinas presenciais de integração e relaxamento, apontadas como estratégias positivas de bem-estar e engajamento.
Os impactos positivos incluíram a ampliação do autocuidado e a incorporação de práticas de atividade física e alimentação saudável no cotidiano. As sugestões envolveram: intensificação dos momentos presenciais, maior envolvimento da gestão, oferta à equipe de saúde, ampliação da divulgação e reunião prévia com toda a equipe.
Conclusões/Considerações Finais
O Programa Transformação demonstrou ser estratégia viável para a promoção da saúde dos ACS no interior da Bahia, evidenciando o potencial das tecnologias digitais na atenção básica. Os achados mapearam barreiras e facilitadores na implementação de um programa on-line de mudança de comportamento, oferecendo subsídios para futuras intervenções que ampliem a adesão de profissionais e avancem no uso das tecnologias digitais no cuidado em saúde.
RFID E SAÚDE DIGITAL NA AMAZÔNIA: DA GESTÃO DOS RESGISTROS CLÍNICOS À TELESSAÚDE PARA POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DA REGIÃO NORTE DO BRASIL
Comunicação Oral Curta
1 AN / IBICT-UFRJ
2 UFBA
3 UnB / IBICT
Apresentação/Introdução
A transformação dos sistemas de informação do Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido orientada por promessas de interoperabilidade, automação e, mais recentemente, pelo Programa SUS Digital, voltadas à redução das desigualdades territoriais no acesso à saúde (Brasil, 2024). Antes da década de 1970, as estatísticas vitais eram consistentes apenas nas capitais, enquanto territórios isolados permaneciam sub-representados. Tal fato conforma que as desigualdades territoriais brasileiras que antecedem a Inteligência Artificial (IA). No final dos anos 1980, o Ministério da Saúde (MS) criou um grupo assessor para ampliar, reformular e aprimorar a produção e disseminação das Estatísticas Vitais (Gevims) (Brasil, 2009, p.13). Dessa maneira, trabalhos em parceria com instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciaram a produção descentralizada das informações no Sistema Informatizado de Mortalidade (SIM). Nos hospitais universitários federais (HUF), a coexistência de acervos híbridos e os fluxos assistenciais depende de prontuários do paciente (PP) analógicos mesmo com a implantação dos eletrônicos (Silva, 2023). Na rede HU Brasil (HU Brasil, 2026), o Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU) é um avanço, mas o legado analógico impõe desafios à rastreabilidade, contexto em que a Radio-Frequency Identification (RFID) surge como solução intermediária para o controle de documentos de alta circulação.
Objetivos
Discutir, a partir da experiência da gestão de registros clínicos em HUF, as possibilidades de articulação entre PP analógico, tecnologia RFID e estratégias de saúde digital, considerando os desafios territoriais da rede HU Brasil e as especificidades territoriais e socioculturais da Região Norte do Brasil.
Metodologia
Pesquisa qualitativa, exploratória, bibliográfica e documental, mediante a análise das contribuições de Krenak (2019), Bispo dos Santos (2023), Silva (2017; 2023), Meirelles (2023); documentos da HU Brasil e normativas do MS sobre o SUS Digital e Telessaúde (Brasil, 2025).
Resultados e Discussão
Os resultados evidenciam que a informatização não elimina a centralidade do legado documental analógico. Em hospitais da HU Brasil, parte dos fluxos permanece apoiada em PP analógicos, cuja localização rápida impacta a assistência (Silva, 2023), soluções tecnológicas têm ganhado espaço, como no Hospital Albert Einstein, que implantou RFID para rastreabilidade, reduzindo perdas e ampliando o monitoramento de itens hospitalares (Perin, 2012; Baisi, 2023).
No caso dos PP analógicos, a RFID permite o rastreamento de documentos em circulação e de registros antigos arquivados inadequadamente, problema cotidiano já apontado por Silva (2017). Entretanto, os custos de implantação ajudam a explicar a escassez de poucas pesquisas, quase sempre restritas a hospitais privados de alto padrão, o que reforça a invisibilização dos arquivos em saúde nas prioridades de investimento institucional.
Segundo Descalzo, Silva e Clemente (2011), a tecnologia RFID permite a troca de dados sem o uso de fios, por meio de informações armazenadas em um chip (tag), que são captadas por um leitor e transmitidas por sinais de radiofrequência até uma antena.
Questiona-se a aplicabilidade dessas soluções sem a assimilação nos organismos produtores dos serviços de atenção à saúde (OPSAS) (Meirelles, 2023) das novas tecnologias de sistemas de gestão dos registros clínicos. Se por um lado, a Amazônia enfrenta obstáculos básicos de conectividade e infraestrutura, por outro, a expansão do SUS Digital e da Telessaúde tem buscado superar barreiras geográficas (Brasil, 2025). O marco estratégico, a Infovia 1 do Programa Norte Conectado, levou, em 2023, internet de alta qualidade entre Santarém (PA) e Manaus (AM), antes conectados por viagens fluviais de até 15 dias (Brasil, 2025).
Entretanto, a fibra óptica não soluciona a gestão dos registros clínicos nem a gestão arquivística dos documentos sanitários nos OPSAS (Cunha et al., 2025). Como alertam Krenak (2019) e Bispo dos Santos (2023), não adianta empurrar uma tecnologia padrão que ignora o chão onde os povos pisam, sem considerar os seus saberes e suas as vivências. Defende-se que no Norte, a saúde digital respeite o território e o cuidado de quem vive entre a floresta e os rios.
Conclusões/Considerações Finais
Conclui-se que a transformação digital dos OPSAS não elimina o legado documental analógico e os seus desafios. A tecnologia RFID possui potencial, desde que desvinculada de uma visão tecnicista. No contexto amazônico, as iniciativas apresentadas somente atingirão seus objetivos se enfrentarem as longas distâncias e incorporarem os saberes dos povos do território. É recomendável que a inovação tecnológica atue para a redução das lacunas na assistência, garantindo a gestão da informação em saúde com qualidade.
SAÚDE E ARTICULAÇÃO DA REDE DE CUIDADO À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DE PORTO ALEGRE/RS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROJETO PET/SAÚDE DIGITAL
Comunicação Oral Curta
1 UFRGS
2 SMS/POA
3 GHC
Contextualização
O crescimento da população em situação de rua é uma das expressões da questão social mais visíveis na atualidade e que tem demandado intervenção do Estado através de políticas sociais, em especial da assistência social e da saúde. Estratégias de cuidado, de articulação intersetorial e interdisciplinar são fundamentais para a efetividade dos direitos sociais junto a esse segmento. Dispositivos como o Consultório na Rua ampliam o acesso dessa população aos serviços e fortalecem o vínculo com a Atenção Primária em Saúde. Contudo, persistem desafios relacionados à fragmentação das informações sobre serviços disponíveis, à comunicação entre equipes e à continuidade do cuidado e a própria priorização das políticas no contexto político e econômico de aprofundamento das desigualdades sociais.
Descrição
Projetos interinstitucionais buscam favorecer processos de desenvolvimento de serviços e também de educação permanente que qualifiquem futuros profissionais que compõem a área da saúde coletiva. Portanto, esse relato de experiência é resultado parcial do Grupo de Aprendizagem Tutorial 03 (GAT-03) do projeto “Transformação Digital no SUS: Educação Permanente, Inovação e Integração em Saúde Digital” (PET/Digital), uma parceria entre o Ministério da Saúde (SEIDIGI/ SGTES), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS/POA), Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS), e também em processo colaborativo com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Período de Realização
O início do projeto ocorreu em agosto de 2025 e está em vigência até o momento.
Objetivo
Tem por objetivo principal desenvolver protótipos de aplicativos móveis com funcionalidades como teleconsultoria, teletriagem, telediagnóstico, teleinterconsulta e telerregulação, de acordo com demandas identificadas pelas equipes. Prevê em suas ações: o levantamento das iniciativas de saúde digital existentes nos serviços de saúde da área de abrangência do projeto e análise de seus nós críticos; sistematização das demandas priorizadas pelos grupos de trabalho e definição de escopo inicial das soluções digitais a serem desenvolvidas; prototipação de interfaces e funcionalidades com base nas necessidades identificadas, desenvolvimento das soluções em software (testes para usabilidade) e validação dos protótipos com os usuários; implementação piloto das soluções em unidades de saúde selecionadas, acompanhada de capacitação das equipes envolvidas e o fortalecimento da capacidade de inovação e desenvolvimento tecnológico voltados à integralidade e resolutividade das redes de saúde.
Resultados
No desenvolvimento das atividades priorizamos a aproximação do grupo aos serviços de atendimento a essa população em situação de rua e às propostas já existentes voltados aos cuidados coletivos e intersetoriais a essa população, a exemplo do Juntos na Rua (estratégia de abordagem coletiva e construção metodológica entre Consultórios na Rua, Centros de Atendimento Psicossocial e Abordagem Social). Também foram mantidas reuniões periódicas com o grupo geral, além das atividades de formação. As discussões e sistematizações possibilitaram uma maior ampliação da visão de atendimento à população em situação de rua no que tange à necessidade de constituição de atividades em conjunto das políticas de saúde e assistência social. Também foi possível identificar que o espaço de organização coletiva do movimento nacional dos moradores de rua constitui-se como uma alternativa importante de resistência à situação que vivem.
Aprendizado e Análise Crítica
Em relação à construção do protótipo estamos nos aproximando da criação de um “mapa vivo” em formato de aplicativo digital contendo informações atualizadas sobre a rede de serviços disponíveis no município, principalmente na área da saúde e assistência social. A ferramenta busca apoiar as equipes de saúde, assistência social e demais profissionais da rede no encaminhamento das principais demandas da população em situação de rua, permitindo maior agilidade e qualificação na articulação entre os setores. Observamos que nos serviços há uma necessidade reiterada de qualificação dos equipamentos no que diz respeito à rede de internet e demais demandas na área de computação. Mesmo considerando que as questões que envolvem a população em situação de rua em Porto Alegre/RS são complexas, esperamos poder contribuir em termos de serviços que possam auxiliar os trabalhadores junto às políticas sociais.
SAÚDE DIGITAL NA APS: RECONFIGURAÇÕES DO PROCESSO DE TRABALHO E FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS
Comunicação Oral Curta
1 UNICAMP
Apresentação/Introdução
A saúde digital tem se consolidado como eixo estruturante dos sistemas de saúde e das políticas públicas, reconfigurando a organização do cuidado, da gestão e do trabalho na Atenção Primária à Saúde (APS). No SUS, iniciativas como o SUS Digital, em alinhamento com a Estratégia Global de Saúde Digital da Organização Mundial da Saúde, expressam a relevância atribuída à inovação, à interoperabilidade e ao uso qualificado das informações em saúde. Entretanto, sua implementação também incide sobre o processo de trabalho, aspecto que ainda demanda maior atenção sob a perspectiva dos fatores de risco psicossociais no trabalho.
Objetivos
Analisar como a implementação da saúde digital na APS reconfigura o processo de trabalho e pode favorecer condições associadas a fatores de risco psicossociais no trabalho, discutindo implicações para a gestão de políticas públicas.
Metodologia
Ensaio teórico-reflexivo fundamentado em literatura recente sobre saúde digital e em referenciais do processo de trabalho em saúde, da saúde do trabalhador e dos fatores de risco psicossociais no trabalho. Parte do entendimento de que a incorporação de tecnologias digitais interfere na organização do trabalho, influenciando ritmos, cargas, exigências cognitivas, fluxos informacionais, autonomia e relações interpessoais nos serviços de saúde.
Resultados e Discussão
A incorporação de tecnologias digitais na APS, impulsionada por agendas de saúde digital, produz transformações relevantes no trabalho em saúde. Entre elas, destacam-se a intensificação das exigências cognitivas, a ampliação das demandas informacionais e a crescente mediação tecnológica das práticas de cuidado. Tais elementos tensionam dimensões centrais da organização do trabalho, como ritmo, carga, autonomia e relações interpessoais.
Esse processo reconfigura as relações de cuidado ao ampliar a mediação tecnológica e, com isso, potencialmente produzir distanciamentos relacionais, fragmentação do cuidado e tensionamentos éticos. Nessa perspectiva, o trabalho em saúde envolve dimensões subjetivas e relacionais que não podem ser reduzidas a protocolos ou tecnologias, exigindo espaços de escuta, reflexão e construção coletiva. Nesse sentido, a formulação e a implementação de políticas públicas precisam considerar essas dimensões e as condições associadas a fatores de risco psicossociais no trabalho.
Conclusões/Considerações Finais
A saúde digital na APS não se restringe à incorporação de tecnologias, configurando-se como elemento que incide sobre a organização do trabalho e as condições de produção do cuidado. Suas reconfigurações evidenciam a necessidade de incorporar o processo de trabalho como dimensão central nas agendas de saúde digital. Reconhecer e monitorar condições associadas a fatores de risco psicossociais no trabalho é fundamental para qualificar a implementação do SUS Digital e orientar ações de gestão, formação, suporte institucional e governança que valorizem o trabalho das equipes.
Realização: