Programa - Comunicação Oral Curta - COC22.4 - Midias digitais e sociais na construção e divulgação de conhecimento
19 DE SETEMBRO | SÁBADO
08:30 - 10:00
08:30 - 10:00
AUDIOGRAFIAS DO SUS: PODCAST, CONHECIMENTO E CONSTRUÇÃO DO SUS COMO EXPERIÊNCIA SOCIAL
Comunicação Oral Curta
1 UFC
Apresentação/Introdução
A expansão das mídias digitais tem reconfigurado as estratégias de comunicação científica em saúde, destacando o podcast como ferramenta acessível e de amplo alcance. Nesse contexto, o SUSCast emerge como uma iniciativa voltada à disseminação de conteúdos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), articulando ensino, pesquisa e extensão no campo da Saúde Coletiva.
Objetivos
Analisar o potencial do SUSCast como tecnologia de educação e comunicação em saúde, a partir da caracterização de seus conteúdos e estratégias discursivas.
Metodologia
Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, fundamentado na análise de conteúdo dos episódios disponíveis em plataformas digitais. Foram considerados temas abordados, linguagem utilizada, estrutura narrativa e potencial de engajamento com o público.
Resultados e Discussão
Observou-se que o SUSCast aborda uma diversidade temática que inclui vigilância em saúde, doenças transmissíveis, saúde mental, determinantes sociais da saúde, inovação tecnológica e questões contemporâneas. A linguagem acessível, associada a episódios de curta duração e estrutura dialógica, favorece a compreensão por diferentes públicos, especialmente estudantes e profissionais da saúde. O podcast evidencia potencial como ferramenta de tradução do conhecimento científico, ao transformar conteúdos técnicos em narrativas compreensíveis e contextualizadas. Além disso, promove a integração entre diferentes áreas do conhecimento e estimula o pensamento crítico sobre políticas públicas e o SUS. Entretanto, persistem desafios relacionados à ampliação do alcance para públicos não acadêmicos e à sustentabilidade da produção.
Conclusões/Considerações Finais
O SUSCast configura-se como uma estratégia inovadora de educação e comunicação em saúde, alinhada às demandas da sociedade contemporânea. Sua utilização contribui para a democratização do conhecimento, fortalecimento do SUS e qualificação da formação em saúde, destacando-se como tecnologia social relevante no campo da Saúde Coletiva.
CENÁRIOS E ESTRATÉGIAS DA COMUNICAÇÃO EM PREP: TENDÊNCIAS DE MONITORAMENTO DIGITAL E INVISIBILIDADE DAS AÇÕES COMUNITÁRIAS
Comunicação Oral Curta
1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
2 Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
3 Fundação Oswaldo Cruz
4 Universidade Estadual de Campinas
5 PrEP América do SUl
6 Universidade do Estado do Amazonas
Apresentação/Introdução
No escopo da abordagem preventiva ao HIV em vigor denominada como Prevenção Combinada a Profilaxia Pré-exposição (PrEP) tem destaque pelos significativos investimentos públicos e privados. No entanto, sua eficácia em escala populacional depende intrinsecamente das dinâmicas de circulação de informação e das estratégias de comunicação. Apesar do avanço biomédico, a PrEP ainda não atinge de forma equânime grupos historicamente vulnerabilizados (ex. pessoas trans e profissionais do sexo) evidenciando lacunas nas estratégias de comunicação pública, institucional e interpessoal.
Objetivos
Partindo da premissa de que a comunicação é um pilar fundamental para a garantia do direito à prevenção e à saúde, esta revisão de escopo caracteriza a produção científica global em PrEP, visando compreender como a circulação de informações envolve disputas entre distintos atores e desigualdades de informação.
Metodologia
A revisão seguiu as diretrizes do PRISMA-ScR. O corpus de análise foi extraído do banco de dados bibliográfico do projeto PrEP América do Sul (CNPq/Ministério da Saúde), que reúne 6.845 registros da produção científica global, a partir de 20 bases de dados e repositórios internacionais (incluindo BVS, Cochrane, Pubmed/Medline, Scopus, Web of Science, LA Referencia e SciELO). Após o processo de filtragem acerca da temática de comunicação, foram incluídas 160 referências (2005 a 2024), compostas por artigos originais (N=152; 95%), teses e dissertações (N=6; 3,75%), capítulos de livro (N=1; 0,63%) e ensaios (N=1; 0,63%). A análise procedeu em quatro etapas: (1) triagem e elegibilidade; (2) análise preliminar de resumos; (3) aplicação de categorias analíticas (metodologia, cenário, estratégia de coleta e categorias de comunicação); e (4) interpretação dos resultados à luz da literatura que articula comunicação, saúde pública e ciências sociais.
Resultados e Discussão
A análise revela um panorama fortemente marcado pela digitalização e pela quantificação da comunicação à prevenção. No que tange à metodologia, observa-se uma predominância de estudos quantitativos (N=61; 38,13%). Essa hegemonia, frente a abordagens qualitativas (N=55; 34,38%), mistas (N=17; 10,63%), indica uma ênfase analítica voltada à mensuração de fenômenos, enquadrando a PrEP como um objeto passível de padronização e privilegiando sua dimensão mensurável no campo preventivo. Tal distribuição levanta preocupações sobre os limites de desenhos de pesquisa que priorizam padrões homogêneos em detrimento da compreensão de experiências situadas e dinâmicas culturais complexas. Quanto ao cenário das pesquisas, as mídias sociais (N=48; 30%) lideram, seguidas por instituições de saúde (n=39; 24,38%) e espaços de sociabilidade (N=34; 21,25%). Esse dado sugere que a comunicação sobre PrEP ocorre majoritariamente em contextos mediados ou institucionalizados, com baixa visibilidade para dinâmicas comunicacionais em espaços menos formalizados ou de base comunitária. Notavelmente, observa-se um recuo em pesquisas que avaliam formas tradicionais de comunicação, especialmente de cunho governamental, como panfletos e palestras presenciais. A estratégia de coleta de dados reforça essa tendência, com o predomínio de métodos remotos/online (N=92; 57,5%), em contraste com estratégias presenciais (N=46; 28,75%). Essa mediação tecnológica nas pesquisas pode implicar uma menor incorporação de contextos de interação direta, produção de conhecimento in loco e uma redução da prevenção de base comunitária. Nas categorias de comunicação, a maior concentração de estudos foca em novas tecnologias e plataformas digitais (n=45; 27,9%) e àqueles voltados para grupos específicos (n=40; 24,7%), enquanto as interações interpessoais e dinâmicas relacionais permanecem invisíveis.
Conclusões/Considerações Finais
Os dados sugerem que a a circulação ampliada da informação e segmentação de públicos responde a um possível alinhamento com lógicas de mercado que atravessam a produção de conhecimento no campo da saúde. Privilegiam-se grandes volumes de dados digitais que permitem monitoramento e difusão em larga escala, mas que oferecem pouca profundidade sobre as dimensões simbólicas e morais que estruturam as práticas de prevenção no cotidiano. A literatura analisada reflete um enquadramento da prevenção como objeto de gestão quantitativa e digital. Embora estratégias digitais ampliem o alcance, apresentam desafios em contextos de vulnerabilidade, onde o acesso é desigual, além de serem atravessadas por mediações morais, filtros institucionais e regimes algorítmicos que condicionam quem vê, compreende e acessa a tecnologia. A escassez de abordagens qualitativas e estudos focados em ações comunitárias aponta uma lacuna na compreensão das formas cotidianas de produção de significados. Conclui-se que há necessidade de pesquisas que articulem diferentes estratégias metodológicas para contemplar a complexidade dos processos comunicacionais e garantir que a prevenção não se reduza a fluxos de informação técnica, mas se integre às relações sociais e comunitárias.
SAÚDE NAS MÍDIAS DIGITAIS: UMA ANÁLISE DA HASHTAG #POSTINHODESAÚDE NO INSTAGRAM
Comunicação Oral Curta
1 Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde
Apresentação/Introdução
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Unidades de Saúde da Família (UFS) são conhecidas como a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e referência de política pública de atenção primária em serviços de saúde. Mas elas têm outro nome, informal, pelo qual são chamadas por quem precisa delas no dia a dia: o postinho de saúde. A partir da análise dos conteúdos de posts no Instagram que debatem a nomenclatura desses equipamentos de saúde e sua relação de proximidade com a população que atendem, buscamos compreender de que maneira os serviços de atenção primária no sistema público no Brasil ganham espaço dentro do debate público.
Objetivos
Nesse sentido, o trabalho tem por objetivo investigar a hashtag #postinhodesaúde no Instagram. Buscar por uma hashtag, no Instagram, assim como em outras plataformas, significa adentrar na temática a partir de quem filtra, por meio de termos, as informações disponíveis em seu conteúdo, aproximando assim públicos de interesse compartilhado.
Metodologia
A partir de busca manual, foram mapeados um total de N=140 conteúdos distribuídos entre imagem única, carrossel de múltiplas imagens e vídeos, abrangendo o período que vai de 2021 a 2026. A proposta deste artigo busca realizar uma análise de conteúdo que mistura metodologia quantitativa e qualitativa, baseando-se no fato de que, para além dos parâmetros de coleta que são possíveis filtrar a partir da própria plataforma — bem data, número de seguidores da conta, curtidas e comentários do perfil —, essa forma de explorar o conteúdo também permite a identificação de particularidades e espontaneidades expostas nas imagens, ao contrário de uma análise estritamente automatizada. Analisamos os conteúdos individualmente para identificar se (1) eles contêm humor apreensível; (2) se há proposta de letramento acerca de um assunto relacionado à saúde; (3) se é uma notícia; e (4) se há afeto envolvido.
Resultados e Discussão
A partir desta classificação, compreendemos de que maneira a hashtag #postinhodesaúde é utilizada na construção e manutenção do imaginário do “Postinho” enquanto espaço voltado ao cuidado da população. Olhando especificamente para a produção presente em uma plataforma de redes sociais, entendemos por que Souza e Quandt (2017) dizem que esses espaços explicam uma série de fenômenos caracterizados pela troca intensiva de informações e de conhecimento, considerando velocidade de transmissão e mudanças de ambiente, bem como a necessidade de inovação constante por parte de negócios e de profissionais.
Conclusões/Considerações Finais
Nossa hipótese acredita que, por meio da hashtag, é possível encontrar um grupo de usuários ativos na manutenção do imaginário de que o postinho de saúde é um espaço de cuidado da família que, diferente das Unidades de Pronto Atendimento, trabalhando na prevenção e letramento da população acerca dos direitos e deveres que envolvem a saúde pública. Constata-se, como resultado preliminar, que, por meio do humor e da utilização de memes, profissionais de saúde, contas institucionais e outros conseguem influenciar um número maior de usuários, utilizando formatos clássicos de memes de internet (Shifman, 2014) para a fácil propagação de informações.
PET-SAÚDE DIGITAL NA AMAZÔNIA: UMA EXPERIÊNCIA ACADÊMICA INOVADORA PARA FORMAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA E CIÊNCIAS DA COMPUTAÇÃO
Comunicação Oral Curta
1 Universidade Federal do Oeste do Pará ( UFOPA )
Contextualização
O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) configura-se como uma
estratégia relevante para a integração entre ensino, serviço e comunidade no âmbito do Sistema
Único de Saúde (SUS), com ênfase na transformação digital. Nessa perspectiva, o PET-Saúde
Digital possibilita a formação de estudantes de diferentes áreas, incluindo Saúde Coletiva e
Ciências da Computação, a partir da vivência nos territórios e da identificação das
necessidades reais da população.
Descrição
Trata-se de um relato de
experiência decorrente da inserção de estudantes do Bacharelado em Saúde Coletiva (BSC) e
de Bacharelado em Ciências da Computação (BCC) na Atenção Primária à Saúde (APS), com
foco no fortalecimento de práticas de cuidado digital no SUS. Como percurso metodológico,
realizou-se inicialmente um diagnóstico situacional, por meio da aplicação de questionário
estruturado junto aos profissionais da unidade, com o objetivo de identificar padrões de uso,
dificuldades e condições de acesso às tecnologias digitais no contexto da APS. Paralelamente,
foram desenvolvidas atividades de reconhecimento do território, participação em ações
coletivas da unidade e integração com a equipe multiprofissional.
Período de Realização
. A experiência foi desenvolvida no período de agosto de 2025
a fevereiro de 2026, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) denominada Mapiri/Liberdade,
localizada no município de Santarém-Pará, na Amazônia brasileira
Objetivo
Relatar a experiência de estudantes do Bacharelado em Saúde Coletiva e ciências da computação na Atenção Primária à Saaúde, com foco na identificação de desafios e no desenvolvimento de estratégias para o fortalecimento da Saúde Digital no SUS.
Resultados
A partir das evidências
levantadas e das vivências no território, foram elaboradas estratégias voltadas ao
fortalecimento da saúde digital na UBS. A primeira atividade consistiu na orientação ao
aplicativo MeuSUS Digital, realizada em um grupão de hipertensos e diabéticos, com
predominância de usuários idosos. Observou-se que os principais desafios relacionados ao uso
da ferramenta incluem dificuldades com a familiaridade com dispositivos móveis e
dificuldades de navegação na interface do aplicativo. Adicionalmente, evidenciaram-se
limitações estruturais, como acesso restrito à internet e a pacotes de dados móveis, bem como
problemas recorrentes nos processos de autenticação e login na plataforma. Em seguida, foi
desenvolvido um canal no YouTube, com a produção de um vídeo educativo voltado para
gestantes, com o objetivo de ampliar o acesso à informação em saúde. O material foi elaborado
de forma colaborativa por estudantes, tutores e preceptores, abordando temas como pré-natal,
sinais de risco na gestação, importância da assiduidade nas consultas, cuidados com o recémnascido e acesso aos serviços do SUS. Entre os principais desafios, destacam-se a adaptação
da linguagem técnica para um formato acessível e a necessidade de considerar o baixo
letramento digital do público-alvo, o que orientou a produção de um vídeo passivo, no formato
de quiz não interativo, para exibição em telas na recepção da unidade. Por outro lado, a
estratégia possibilitou a ampliação do acesso assíncrono à informação, favorecendo a
educação em saúde mediada por tecnologias e permitindo a reutilização contínua do conteúdo,
com potencial de alcance para além do espaço físico da UBS.
Aprendizado e Análise Crítica
As ações desenvolvidas
contribuíram para o fortalecimento do vínculo entre usuários e profissionais de saúde, bem
como para a consolidação de práticas interdisciplinares, evidenciando a importância da
articulação entre Saúde Coletiva e Ciência da Computação na construção de soluções voltadas
às demandas do território. Entretanto, apesar do potencial das tecnologias digitais, persistem
limitações relacionadas ao acesso e à inclusão digital da população, o que pode restringir o
alcance das intervenções propostas. Dessa forma, destaca-se que a incorporação de tecnologias
digitais na Atenção Primária à Saúde exige não apenas disponibilidade tecnológica, mas
também estratégias de letramento digital e adaptação às realidades socioterritoriais da
Amazônia. Conclui-se que o PET-Saúde/Informação e Saúde Digital se configura como um
importante espaço formativo, promovendo a articulação entre teoria e prática e contribuindo
para o fortalecimento do SUS por meio de estratégias inovadoras de saúde digital nos
territórios.
COPRODUÇÃO DE RECOMENDAÇÕES SOBRE ENGAJAMENTO PÚBLICO DA CIÊNCIA EM UM PROGRAMA DE PESQUISA SOBRE DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE E AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS NA AMÉRICA LATIN
Comunicação Oral Curta
1 Cidacs/Fiocruz Bahia e UESB
2 Cidacs/Fiocruz Bahia
3 UIDE
Apresentação/Introdução
O engajamento público da ciência é um método que permite a conexão entre pesquisadores e diferentes segmentos sociais que atravessa todas as partes da pesquisa desde a formulação de perguntas até a disseminação dos resultados. Com origens no Norte Global, este processo passa por adaptações para estar alinhado com particularidades do Sul Global. Este trabalho se insere nas atividades da Unidade de Pesquisa em Saúde Global sobre Determinantes Sociais e Ambientais das Desigualdades em Saúde (SEDHI), que reúne pesquisadores de instituições do Brasil, Reino Unido e Equador e que tem por objetivo central investigar os determinantes sociais e ambientais da saúde e os impactos de políticas sociais ambientais na saúde no contexto da América Latina. Foram criados Comitês de Engajamento Público no Brasil e no Equador, compostos por representantes da gestão pública, de comunidades organizadas, profissionais de saúde e organizações intergovernamentais, que acompanham o projeto e participam de atividades para interlocução e compartilhamento de conhecimentos. O modelo desenvolvido se articula com conceitos-chaves como Ciência Aberta e Interseccionalidade, além de levar em conta reflexões da Comunicação & Saúde, Estudos Decoloniais, Interseccionalidade e da pedagogia libertadora de Paulo Freire. Ao mesmo tempo que o projeto realiza análises baseadas no uso de dados administrativos integrados, há um esforço em contextualizar o processo de produção de evidências científicas, com maior potencial de aplicabilidade e geração de impactos sociais.
Objetivos
Apresentar o processo de coprodução de um documento “Recomendações sobre engajamento público da ciência” em um programa de pesquisa com o objetivo de investigar os determinantes sociais e ambientais da saúde e os impactos de políticas sociais ambientais e de saúde na saúde e nas desigualdades em saúde no contexto latino-americano.
Metodologia
A construção do documento ocorreu a partir de uma reunião presencial com pesquisadores e participantes do Comitê de Engajamento no Brasil, orientada por questões disparadoras como: “Como construir uma ciência coletiva e engajada com as aspirações da sociedade?” e “Quais as expectativas sobre participação e autoria na pesquisa?”. No Equador, foi realizado um workshop presencial com pesquisadores e participantes do Comitê de Engajamento Público (líderes e lideranças de bairros urbano-marginais, de minorias étnicas e de comunidades). As perguntas motivadoras abordaram a participação das comunidades no contexto equatoriano, bem como as estratégias para promover uma participação efetiva e contextualizada nos processos de pesquisa. Em ambos os países, as discussões foram registradas e sistematizadas em um documento-base, posteriormente compartilhado com os participantes para revisão colaborativa e ajustes. O processo buscou incorporar múltiplas perspectivas e experiências, valorizando a diversidade dos atores envolvidos.
Resultados e Discussão
O processo resultou em um conjunto de princípios orientadores que afirmam o engajamento como método estruturante da pesquisa sobre determinantes sociais da saúde e de avaliação de políticas. Entre os principais eixos destacam-se: 1) a ciência em diálogo constante com a sociedade; 2) a incorporação do engajamento em todas as etapas da investigação; 3) a necessidade de produzir conhecimento orientado à ação; e 4) a construção de relações baseadas em escuta sensível, confiança e pactuação coletiva. Evidenciou-se a importância da representatividade nas equipes de pesquisa, da diversidade de participantes e da adoção de abordagens interseccionais. Também se destacou a necessidade de territorialização do conhecimento, fortalecimento de capacidades locais e construção compartilhada de estratégias de comunicação e devolutiva acessível. O processo revelou desafios, como a conciliação entre tempos institucionais e sociais, e a produção de um documento, que articule a linguagem científica e posicionamento político, refletindo demandas e perspectivas de comunidades de dois países do Sul Global com semelhanças (países multiétnicos, modelo de cobertura universal e a saúde estabelecida como direito nas constituições) e diferenças, como o investimento em pesquisa científica — maior no Brasil em comparação ao Equador.
Conclusões/Considerações Finais
A coprodução do documento demonstra o potencial do engajamento público como elemento estruturante da pesquisa sobre determinantes sociais e ambientais da saúde e de avaliação de políticas, ampliando sua relevância social, ética e política. Ao promover diálogo entre diferentes saberes e experiências, contribui para uma ciência mais dialógica e democrática, aplicada aos diferentes contextos, situada e comprometida com a equidade. Os desafios identificados apontam para a necessidade de reconhecimento institucional dessas práticas, incluindo tempo, recursos e valorização do trabalho dos participantes.
DO DADO AO FEED: O INSTAGRAM COMO DISPOSITIVO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE E VISIBILIDADE AO ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DE GÊNERO NO PET-SAÚDE DIGITAL/UFPB
Comunicação Oral Curta
1 UFPB
Contextualização
A violência contra as mulheres (VCM) é uma das mais persistentes violação de direitos humanos. No Brasil, dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Ministério da Saúde/SINAN, 2025) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025) evidenciaram que o país registrou, em 2024, o maior número de feminicídios desde a criação da lei Maria da Penha, com 1.492 vítimas fatais. No ambiente virtual, pesquisa do DataSenado 2025, evidencia que cerca de 8 milhões de brasileiras declararam sofrer algum tipo de violência digital, dentre elas o recebimento sistemático de mensagens ofensivas e ameaçadoras, o que evidencia a misoginia como uma ferramenta estratégica para silenciar e reprimir mulheres. Frente a esta problemática, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aprovou em 2025 12 grupos tutoriais (GT) no edital PET-SAÚDE DIGITAL, dentre os quais o GT 07 - Enfrentamento à Violência de Gênero, que visa produzir soluções digitais e tecnológicas que contribuam com o enfrentamento da VCM na Paraíba. Dentre suas ações, o GT tem desenvolvido ferramentas comunicacionais digitais como o Instagram para fomentar a disseminação e tradução de conhecimentos científicos para a promoção da educação em saúde.
Descrição
Trata-se de um relato de experiência descritivo e reflexivo sobre as atividades do GT 07 do PET-Saúde Digital da UFPB - (Enfrentamento à Violência de Gênero), as quais se iniciaram em agosto de 2025 e devem se desenvolver até julho de 2027. As atividades do GT específicamente quanto à comunicação, se iniciaram com a curadoria de outros perfis de instagram com as mesmas finalidades acadêmicas. Paralelamente, foram coletados dados epidemiológicos em bases oficiais e estudos sobre VCM. Para a construção artística do perfil do Instagram, foi criado um logotipo para o grupo e com o Canva, conteúdos visuais mais acessíveis, apresentando informações técnicas em formatos mais didáticos, com publicações em carrosséis.
Período de Realização
Agosto de 2025 até julho de 2027.
Objetivo
Este trabalho tem o objetivo de relatar a experiência do GT 07 do PET-Saúde Digital da UFPB (Enfrentamento à Violência de Gênero) na utilização do Instagram como plataforma para a divulgação de informações sobre a violência contra a mulher. O foco reside em traduzir dados epidemiológicos, sensibilizar a sociedade e informar fluxos e canais de ajuda.
Resultados
As primeiras postagens do GT no Instagram alcançaram 13.158 visualizações, destacando a relevância da estratégia de tradução e disseminação das produções científicas. Cabe salientar que 87,2% desse alcance foi de “não seguidores”, enfatizando a capacidade da plataforma em atingir um número amplo e diverso de pessoas. Tal resultado valida a proposta do grupo de utilizar ferramentas digitais para traduzir dados técnicos e científicos em informações acessíveis a usuários/as, e reforça a necessidade das universidades ampliarem o uso de ferramentas de comunicação social para disseminar informações de qualidade - em especial em época de fake news. Além disso, o instagram do GT 07 se propõe a fortalecer campanhas informativas e espaços seguros de discussão. Numa análise comunicacional, observa-se que os posts com apelo emocional, como o que afirmava “as mulheres precisam estar vivas” para celebrar seu mês, obtiveram 2.366 visualizações, superando conteúdos puramente educativos e com conteúdos históricos do 8 de março (263 visualizações). Isso indica que conteúdos que evocam a urgência da preservação da vida possuem maior potencial de viralização e cumprem o papel de alertar a população. Ademais, na identificação de abusos e divulgação de fluxos de ajuda, foi criado um post sobre o Violentômetro (IPN, México) com recursos visuais para facilitar a linguagem técnica. Neste, alcançou-se 1.852 visualizações e 35 interações, demonstrando a importância de facilitar o reconhecimento do ciclo de violência. Por fim, as 324 visitas ao perfil indicam que o conteúdo foi capaz de informar e despertar interesse do público em buscar o canal do GT 07 do PET-Saúde Digital da UFPB como uma fonte para entender melhor sobre a violência contra mulher e acesso a serviços de ajuda.
Aprendizado e Análise Crítica
Em suma, a utilização do Instagram como ferramenta de disseminação de informação e educação em saúde revelou-se uma estratégia potente para democratizar o conhecimento técnico sobre a violência de gênero. Ao disponibilizar dados epidemiológicos e orientações práticas de ajuda, a iniciativa cumpre a função de contribuir com o enfrentamento da VCM. Seguimos acreditando que as redes sociais, quando bem geridas, transformam-se em poderosos dispositivos de luta contra as desigualdades estruturais e o feminicídio e que o fortalecimento da literatura digital e da comunicação em saúde são estratégicos para a defesa do direito à vida e à segurança das mulheres nos territórios físicos e digitais.
ENTRE A PRESCRIÇÃO CLÍNICA E A COMPREENSÃO: LIMITES DO LETRAMENTO EM SAÚDE NA ADESÃO DE PACIENTES COM DOR CRÔNICA
Comunicação Oral Curta
1 UnB
2 UniProjeção
Contextualização
A dor crônica configura-se como um importante problema de saúde pública, associada à redução da funcionalidade, piora da qualidade de vida e impactos na saúde mental1,2. Nesse contexto, o letramento em saúde tem sido reconhecido como um determinante fundamental para o manejo adequado dessas condições, influenciando diretamente a capacidade dos pacientes de compreender e utilizar informações no cuidado à saúde3,4,5.
Descrição
A experiência foi desenvolvida ao longo de quatro anos, no contexto de atendimentos clínicos e domiciliares no Distrito Federal, envolvendo adultos e idosos com condições musculoesqueléticas crônicas, como osteoartrite, lombalgia e tendinopatias. Durante a prática, observaram-se dificuldades recorrentes na compreensão dos pacientes sobre seus diagnósticos e no papel ativo no processo de reabilitação, com expectativas centradas em intervenções passivas e baixa adesão às orientações domiciliares. Diante disso, foram adotadas estratégias de educação em saúde, incluindo uso de linguagem acessível, analogias, vídeos explicativos, desenhos sobre mecanismos da dor e incentivo à autonomia, além da utilização de tecnologias acessíveis.
Período de Realização
Entre os anos de 2022 e 2026.
Objetivo
Este relato tem como objetivo analisar a experiência da prática fisioterapêutica no manejo de pacientes com dor crônica, considerando as implicações do letramento em saúde na adesão ao tratamento e nos desfechos clínicos.
Resultados
Como resultados, observou-se que pacientes com maior compreensão sobre sua condição apresentaram melhor adesão ao tratamento e maior engajamento no processo terapêutico, com redução de comportamentos de evitação, medo do movimento e dependência do profissional. Entretanto, persistiram desafios relacionados ao baixo letramento em saúde, influenciados por fatores como escolaridade, crenças culturais e histórico de cuidado centrado no modelo biomédico.
Aprendizado e Análise Crítica
Como aprendizados, a experiência evidenciou que estratégias educativas são centrais para a ressignificação da dor e para o fortalecimento da autonomia dos pacientes, além de reforçar a necessidade de comunicação clara, acessível e contextualizada no cuidado em saúde.
Do ponto de vista analítico, observa-se que a prática fisioterapêutica ainda apresenta limitações ao manter-se centrada em abordagens tecnicistas, com pouca ênfase na educação em saúde. Nesse sentido, destaca-se a importância da incorporação de um modelo biopsicossocial, que considere o letramento em saúde e os determinantes sociais no planejamento do cuidado.
Conclui-se que o letramento em saúde constitui elemento central na adesão ao tratamento de dor crônica, sendo fundamental a integração de estratégias educativas e comunicacionais na prática fisioterapêutica, em consonância com os princípios da integralidade do cuidado.
GESTÃO E CIRCULAÇÃO DE DADOS CIENTÍFICOS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM SAÚDE: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE DIGITAL NO SUS
Comunicação Oral Curta
1 ESPJV/Fiocruz
2 EPSJV/Fiocruz
Apresentação/Introdução
A digitalização da ciência vem transformando profundamente a forma como o conhecimento é produzido, registrado, validado e compartilhado. Mais do que ampliar sua circulação, esse processo redefine as próprias condições da atividade científica, ao apoiar-se em infraestruturas informacionais centradas em dados, na interoperabilidade entre sistemas e na mediação por plataformas digitais. No campo da Saúde Coletiva, a noção de Saúde Digital costuma ser associada principalmente à incorporação de tecnologias assistenciais. No entanto, sua dimensão mais estruturante se manifesta na organização de dispositivos institucionais voltados à gestão e à circulação da informação científica, como planos de gestão de dados, repositórios digitais e sistemas de monitoramento da produção acadêmica. Em instituições públicas comprometidas com o Sistema Único de Saúde (SUS), esse movimento se expressa na construção de práticas e infraestruturas que articulam diferentes atores institucionais, sistemas digitais e normas de gestão da informação, envolvendo processos de curadoria, preservação, interoperabilidade, visibilidade e reuso dos dados científicos. Nesse cenário, a ciência aberta consolida-se como um paradigma orientador dessas práticas, ao mesmo tempo em que evidencia tensões relacionadas à governança dos dados, à proteção de informações sensíveis, à soberania informacional e às desigualdades de acesso e apropriação das tecnologias digitais, especialmente em contextos marcados por assimetrias institucionais e territoriais.
Objetivos
Analisar de que modo a institucionalização de práticas de gestão e disseminação de dados científicos vem reconfigurando a produção do conhecimento em Educação Profissional em Saúde, discutindo suas implicações técnicas, políticas e epistemológicas para a consolidação da Saúde Digital no âmbito do SUS, com atenção aos efeitos sobre a circulação, o reuso e a apropriação social do conhecimento.
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo, de natureza analítica, baseado na sistematização da experiência do Programa de Fomento ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Educação Profissional em Saúde, desenvolvido entre 2023 e 2025 em uma instituição pública de pesquisa, envolvendo 18 projetos. A análise foi organizada em quatro dimensões: a concepção e implementação do edital, o desenvolvimento das pesquisas, as práticas de gestão de dados e as estratégias de disseminação científica em ambientes digitais. Foram examinados documentos institucionais, relatórios técnicos e produtos das pesquisas, com ênfase nas infraestruturas informacionais constituídas, nos fluxos de dados, nos dispositivos mobilizados e nos modos de circulação, visibilidade e apropriação do conhecimento científico.
Resultados e Discussão
Os resultados apontam para a constituição de uma infraestrutura institucional orientada à gestão de dados científicos, marcada pela adoção de planos de gestão alinhados aos princípios FAIR, pelo uso de repositórios digitais e pela incorporação de licenças abertas. Essas práticas favorecem a interoperabilidade, a rastreabilidade e o reuso das informações produzidas. Observa-se também a ampliação e diversificação das estratégias de disseminação científica em ambientes digitais, como portfólios online, produção audiovisual e uso de redes sociais, o que contribui para ampliar a visibilidade, a circulação e a acessibilidade do conhecimento para além dos circuitos acadêmicos tradicionais. Esse conjunto de iniciativas indica um deslocamento da produção científica em direção a modelos mais abertos, colaborativos e orientados por dados, fortalecendo a articulação entre pesquisa, formação e políticas públicas no SUS. Contudo, esse movimento ocorre em um contexto marcado por assimetrias estruturais. Persistem desafios relacionados à padronização dos dados, às restrições éticas e legais ao compartilhamento de informações sensíveis e à dependência de infraestruturas digitais para armazenamento, indexação e circulação da produção científica, o que tensiona a autonomia institucional e evidencia disputas em torno da governança dos dados e das condições de apropriação social do conhecimento.
Conclusões/Considerações Finais
A análise permite compreender a Saúde Digital como um campo em constituição, no qual a gestão, a circulação e a abertura dos dados científicos assumem papel central na produção do conhecimento em Saúde Coletiva. No contexto do SUS, iniciativas institucionais de fomento que articulam ciência aberta, gestão de dados e disseminação digital ampliam o potencial de uso social da pesquisa e fortalecem a interface entre produção científica, formação e políticas públicas. Ao mesmo tempo, evidenciam a necessidade de avançar na formulação de diretrizes institucionais e políticas que integrem inovação tecnológica, equidade informacional e governança pública dos dados, de modo a enfrentar as desigualdades que atravessam a sociedade do conhecimento e evitar sua reprodução no ambiente digital.
INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO E SAÚDE DIGITAL: CONTRIBUIÇÕES DO PET-SAÚDE DIGITAL NA APS AMAZÔNICA
Comunicação Oral Curta
1 UFOPA
Contextualização
O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), constitui-se como uma estratégia de qualificação e integração entre ensino e serviços de saúde, voltada ao desenvolvimento de ações inovadoras no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). No contexto do PET-Saúde Digital, destaca-se a importância da incorporação de tecnologias da informação na Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente em territórios amazônicos, que apresentam desafios estruturais, geográficos e de acesso aos serviços de saúde.
Descrição
A experiência foi desenvolvida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), envolvendo profissionais de diferentes setores, como sala de vacina, recepção, farmácia e gestão. As atividades compreenderam atualização de cadastros no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), a inserção de dados no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) e a organização de informações dos usuários dos programas Hiperdia e de saúde mental. Adicionalmente, foram propostas estratégias para incentivar o uso de ferramentas digitais, incluindo a utilização de planilhas eletrônicas e a inserção direta de dados nos sistemas, com objetivo de otimizar o processo de trabalho e reduzir a dependência de registros físicos.
Período de Realização
As atividades foram realizadas entre setembro de 2025 e março de 2026, no município de Santarém, Pará.
Objetivo
Analisar a implementação da saúde digital na Atenção Primária à Saúde em território amazônico, com base nas experiências desenvolvidas no PET-Saúde, com ênfase na identificação de desafios operacionais e potencialidades no uso dos sistemas de informação em saúde.
Resultados
A utilização dos sistemas de informação evidenciou diversos desafios, com destaque para o predomínio de registros físicos, o que resultava em duplicidade de trabalho e inconsistências nas informações. Foram identificados cadastros duplicados e incompletos, além de dificuldades na alimentação dos sistemas durante o atendimento, especialmente no contexto da vacinação. Por outro lado, as ações contribuíram para a organização de dados e para uma maior compreensão dos fluxos informacionais na unidade.
Aprendizado e Análise Crítica
A experiência possibilitou evidenciar a necessidade de qualificação dos profissionais para o uso de ferramentas digitais, bem como a importância da informação em saúde para o acompanhamento dos usuários. Evidenciou-se, ainda, a importância da capacitação contínua e da reorganização dos processos de trabalho, a fim de fortalecer a inserção das tecnologias nos serviços. A interação com o serviço de saúde proporcionada pelo programa PET-Saúde contribuiu para o desenvolvimento de uma perspectiva ampliada e crítica sobre a organização do trabalho, permitindo a compreensão dos processos no contexto da realidade amazônica e de suas limitações. Apesar dos avanços proporcionados pelo PET-Saúde Digital, a implementação da saúde digital ainda enfrenta desafios estruturais e operacionais, especialmente no contexto amazônico. A persistência de registros físicos demonstra que a digitalização ocorre de forma heterogênea entre as unidades, refletindo limitações relacionadas à infraestrutura, à organização dos dados e à adaptação dos profissionais. Nesse sentido, o PET-Saúde configura-se como uma estratégia potente para induzir mudanças nos processos de trabalho; entretanto, sua efetividade está condicionada a investimentos contínuos em infraestrutura, formação profissional e apoio institucional.
Realização: